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Preço do carro zero na loja mostra que indústria tem gordura a queimar

Divulgação
Gol G4: Versão mais básica do líder de vendas custa R$ 26.450 na tabela e R$ 24.290 na loja Imagem: Divulgação

Da Redação

12/07/2011 10h28

Quem tiver entre R$ 30 mil no bolso e estiver a procura de um carro básico neste momento pode, ao menos na cidade de São Paulo, conseguir bons descontos ao fechar negócio. Em sua edição do último sábado (9), o jornal Folha de S.Paulo apontou que as revendas das principais marcas estão aumentando o desconto para atrair mais compradores (leia aqui o texto completo para assinantes) e queimar parte do estoque, que em alguns casos já é suficiente para suprir 45 dias de vendas. Nesta segunda-feira (11), UOL Carros contatou concessionárias das Zonas Norte, Sul, Leste e Oeste da cidade em busca das versões mais baratas (o dito carro "pelado", sem qualquer equipamento extra) de modelos campões de vendas e verificou que -- seja por exportações em queda, juros em alta, concorrência acirrada por parte dos importados, ou apenas para garantir o ritmo de vendas -- a ordem dos vendedores é oferecer o máximo e não o perder cliente.

Consultando o preço de cada modelo zero-quilômetro (veja a lista dos carros mais abaixo) em ao menos três revendas de cada marca apurada, sempre como pessoa física, conseguimos bons descontos sobre o valor de tabela, mesmo por telefone, e promessas de revisão "caso você encontre alguma proposta menor por aí". Em quase todas as situações, ficou claro que o valor poderia baixar ainda mais conforme o volume de concorrentes e a disposição para barganha do comprador. Mesmo nos poucos casos em que o preço final ficou próximo do valor oficial de fábrica (ou ligeiramente acima, como ocorreu com o Fiat Idea), o pacote ofertado deixava o popular um pouco mais equipado, aumentando a noção de benefício sobre o custo. Uma coisa é certa: há gordura para queimar quando o assunto é preço do carro.

Seguindo o ranking da Fenabrave, foram pesquisados os preços das configurações mais simples dos dez carros mais vendidos no país, assim como outras opções de veículos de grande procura (pelo apelo familiar ou uso comercial), chegando a 20 nomes entre hatches, sedãs e picapes compactas, preferencialmente equipados com motor de 1 litro. No caso dos monovolumes, a configuração básica traz motor 1.4. O resultado, com valor apenas jornalístico, não comercial, refere-se somente a preços praticados na cidade de São Paulo e pode ser acompanhado abaixo:


Os respectivos preços de tabela eram os seguintes: Chevrolet Celta LS 1.0 2P (R$ 26.350), Chevrolet Classic LS 1.0 (R$ 28.514), Chevrolet Meriva 1.4 Joy (R$ 46.904), Chevrolet Prisma LT 1.4 (R$ 32.439); Fiat Idea Attractive 1.4 (R$ 44.190), Fiat Mille Economy 1.0 (R$ 23.490), Fiat Palio 1.0 Fire 2P (R$ 25.590), Fiat Siena 1.0 Fire (R$ 30.450), Fiat Strada 1.4 Fire (R$ 31.690), Fiat Uno 1.0 2P Vivace (R$ 26.650); Ford Fiesta RoCam hatch 1.0 (R$ 29.930), Ford Ka 1.0 2011 (R$ 25.420); Renault Clio 1.0 16V Hi-Flex (R$ 25.050), Renault Logan Authentique 1.0 (R$ 28.990), Renault Sandero Authentique 1.0 (R$ 28.700); Volkswagen Fox 1.0 2P (R$ 32.650), Volkswagen Gol G4 1.0 (R$ 26.450), Volkswagen Gol G5 1.0 (R$ 30.380), Volkswagen Saveiro CS 1.6 (R$ 33.330), Volkswagen Voyage 1.0 (R$ 32.570).

Durante a pesquisa, foi possível encontrar ofertas como a do Chevrolet Meriva, cujo desconto máximo beirou os R$ 5 mil (mais de 10% de abatimento), derrubando o valor final para R$ 41.990 para um carro com direção hidráulica, vidros e travas elétricas, alarme e ar condicionado, mas sem rádio, numa concessionária da região central.

Na Zona Leste, onde o número de lojas é menor que o encontrado nas regiões Oeste e Central, por exemplo, o desconto seria menor (algo recorrente, aliás), mas o valor pago seria de R$ 43 mil, ainda abaixo do oficial. O monovolume rival Fiat Idea não teve redução em relação ao preço de fábrica, pelo contrário, ficou R$ 500 mais caro -- pelo valor de R$ 44.990, no entanto, um comprador real levaria não o pacote básico, mas outro com ar, farol de neblina e para-brisa degradê inclusos.

A Fiat, aliás, ofereceu uma espécie de oferta institucionalizada logo em seu site: o sedã Siena Fire ano-modelo 2011/2012 tem preço de R$ 30.450; porém, se o comprador topar levar o 2011/2011, sem diferença fora do documento, paga R$ 26.990 (11% de diferença). Verificando com as concessionárias da marca (e sofrendo com a longa espera em cada chamada), conseguimos uma unidade 11/12 pelo preço cheio do site, mas com direção, vidros e travas, antena no teto e desembaçador do vridro traseiro.

Nas lojas da Renault, o desconto de 2,5% a 6% dava direito apenas ao carro mais básico, "sem absolutamente nada" nas palavras da vendedora, e em cores específicas, como o sedã Logan vermelho ou branco (aquele de taxista) por R$ 27.800. Em oito contatos feitos com revendas da Ford por toda cidade, a mesma cena: era possível comprar o hatch Fiesta 1.0 RoCam básico com até 10% de desconto (o menor valor era de R$ 26.900, já com travas e alarme), mas não sair da loja dirigindo, uma vez que o prazo mínimo para entrega era de 30 dias. Para entrega imediata, só o Ka 1.0, também com desconto, mas sem pechincha extra: o piso foi sempre de R$ 23.490.

Procurada, a assessoria de imprensa da marca que afirmou que, no caso do Fiesta, pode haver uma grande procura, mas não desabastecimento; no caso da queda "programada" do Ka, a justificativa da Ford é que os revendedores já estariam no limite de capacidade de manobra, uma vez que qualquer redução no valor de tabela seria feito sobre a margem de lucro da loja.

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