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Corolla 'do meio', caro e com recheio tímido, surpreende na performance

Murilo Góes/UOL
Toyota Corolla GLi: caro, sedã oferece boa performance e tradição da marca Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

30/06/2011 22h48

A cada novo sedã médio anunciado e/ou lançado no Brasil, fica mais claro que Toyota Corolla e Honda Civic, que desde a década passada vêm se revezando na liderança do segmento, vão ter trabalho para manter seu status. Basta citar o Renault Fluence e seu pacotão de equipamentos; o Volkswagen Jetta, acertadíssimo e finalmente com preço adequado (embora, como sempre, exagerado) para o segmento; e a bomba atômica da Chevrolet, o Cruze, cada vez mais perto do nosso mercado e chancelado pelo megasucesso obtido nos Estados Unidos.

Do Civic falaremos um dia, quando sua nova geração, apresentada em Detroit em janeiro último, chegar ao Brasil, possivelmente só em 2012. O que temos de novidade da combalida dupla de japoneses, cuja produção foi afetada pelo terremoto e tsunami em seu país de origem, é o Corolla com a repaginação de meio de geração – a atual data de 2008.

Experimentamos uma unidade na versão GLi, intermediária, criada para ajustar o portfólio do modelo ao da concorrência – na verdade, ao do Civic, já que boa parte dos sedãs estreantes veio depois de a versão ser lançada. Seu preço sugerido na versão manual de seis marchas é de R$ 67.070, mas agora guiamos o automático de quatro marchas, que sai a R$ 70.570. A pintura metálica sai por mais R$ 930. A garantia é de três anos.

O carro traz a dianteira com as grades levemente alteradas (só sendo fã para notar isso) e a traseira com menos volumes e lanternas ornadas com refletores brancos. Basicamente, foi o que mudou no exterior do “novo” Corolla, que segue o visual do modelo europeu.

Por dentro, nota-se que o modelo evolui a cada geração e facelift – mas o faz de maneira lenta. O computador de bordo, por exemplo, tem as funções obrigatórias para um carro dessa faixa de preço, algo que o Civic ainda não entrega – mas fica espalhado em duas telinhas no painel de instrumentos, com números miúdos e leitura difícil. Ficaria melhor num carro de R$ 35 mil.

Ainda há um excesso de plástico no acabamento, mas a Toyota teve o cuidado de colocar o mesmo tecido que reveste os bancos em pontos de contato do corpo, como nos painéis das portas. Aqui cabe a comparação com o Jetta, que não tem esse “mimo” (na verdade, obrigação) na versão de entrada, rival direta desta GLi. Ainda assim, é pouco pelo preço que se cobra. E, convenhamos, tecido aveludado como esse da cabine do Corolla é algo quase pre-histórico, superado por revestimentos mais modernos e agradáveis hoje existentes até em carros... de R$ 35 mil

Quem quiser pode definir o interior do Corolla como sóbrio ou até conservador. O fato é que ele mistura soluções descoladas e de bom gosto, como os comandos do ar-condicionado que se iluminam belamente quando acionados, a peças que parecem reaproveitadas de algum megalote encomendado para o modelo 2002.

O pacote de equipamentos é apenas razoável: direção com assistência elétrica, ar-condicionado digital automático, retrovisores externos e vidros dianteiros e traseiros elétricos, computador de bordo, duplo airbag frontal, freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força), painel com iluminação inteligente Optitron e chave com comando para vidros e porta-malas (este leva 470 litros de bagagem). Para nossa extrema irritação, o GLi não dispõe de luzes de neblina, com seus nichos na dianteira ocupados por arremates de plástico, nem de sensor de estacionamento -- item básico num sedã e que custa menos de R$ 300 na loja de acessórios da esquina.

MAIS E MAIS
Mas este não é um texto nascido da má vontade com o Corolla. O carro mais vendido no mundo em todos os tempos não atingiria essa glória sem possuir qualidades.

E a maior dela veio de onde pouco esperávamos. A marca do Corolla em termos de comportamento dinâmico sempre foi o equilíbrio entre performance e conforto. Nesse GLi que dirigimos, ela foi mantida, mas com os dois fatores incrementados: de fato, há mais performance e mais conforto.

Dizer, no papel, que o motor é um 1.8 bicombustível acoplado a uma transmissão automática de meras quatro velocidades certamente não inspira emoções. Mas itens como o duplo comando variável de válvulas e as partes em alumínio colaboram para a extração e o uso pleno de 144/139 cavalos de potência a 6.000 rpm e 18,6/18 kgfm a (bons) 4.800 rpm e 4.400 rpm (etanol/gasolina) -- um exemplo de downsizing e de evolução tecnológica, já que o Corolla de dez anos atrás entregava menos de 120 cavalos com motor a gasolina de capacidade igual.

O escalonamento do câmbio consegue fazer a mágica de quatro marchas parecerem seis. Por isso, o propulsor não “grita” quando solicitado, as trocas são feitas quase sempre no tempo que um motorista normal gostaria, as retomadas com “kickdown” (redução de marcha chamada pelo pé calcado no acelerador) pareceram bastante seguras.

O Corolla ganha impulso de forma muito natural, e logo estamos em velocidades de cruzeiro interessantes, na faixa dos 120 km/h. E aí começa a se revelar o conforto: o isolamento acústico é excelente, mantendo a “conversabilidade” dentro da cabine – algo importante num carro que é voltado para clientes mais velhos e/ou com família. Gritar para ser ouvido é coisa de gente rude.

DUAS CARAS
Outra gentileza do Corolla que nos impressionou foi o acerto da suspensão. Cada vez mais adaptado às péssimas condições de nossas vias, o sistema (frequentemente alvo de ressalvas de "entendidos" por usar eixo de torção e barra estabilizadora na traseira, em vez de ser independente como nos rivais Civic, Jetta turbo e Ford Focus) conversa bem com as irregularidades dos pisos, respeitando a coluna dos ocupantes e os braços de quem segura o volante – mas sem prejuízo da estabilidade, mesmo em curvas mais abusadas.

Como o Corolla não conta com controles eletrônicos além de ABS e EBD nos freios, quem segura o carro nessas horas são mesmo o braço do motorista, a suspensão e os pneus de medida 205/55 em rodas de aro 16 (de apoio no solo relativamente largo). Outra característica interessante do modelo é a direção elétrica firme e direta, colaborando com o potencial de diversão na condução do modelo.

Abastecido com etanol e rodando 470 km principalmente em trânsito urbano, o Corolla GLi teve consumo médio de 7,7 km/litro. Poderia ser melhor, mas não é nada ruim, e os demais sedãs médios não são exatamente comedidos na bomba de combustível.

Até nisso o Corolla parece mostrar que pode ser como os outros – num momento em que as montadoras descobriram que os outros não precisam ser como o Corolla.

 

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