Carros

Kia Cadenza chega como aposta realista entre sedãs grandes

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

03/06/2011 11h59Atualizada em 15/08/2012 13h47

  • Opirus (V6 de 267 cv, R$ 129.900), foi o top antes do Cadenza (V6 de 290 cv, R$ 119.900)

Pare tudo o que estiver fazendo por um instante. Arraste a aba acima para a direita e observe o sedã bordô. Agora, vamos repetir a pergunta feita pelo jornalista Luís Perez, editor do site Interpress Motor, em reportagem de abril de 2008: "Se você tiver de adquirir um sedã grande, mas com itens de conforto e tecnologia que não sejam facilmente encontrados na maioria dos modelos que estão no mercado, qual seria a sua escolha?"

Sem depender de dotes de magia ou adivinhação, podemos cravar: você não escolheu o Opirus. Segundo dados da Fenabrave, apenas 128 compradores colocaram o sedã na garagem em 2008; e durante os 12 meses de 2009, o total rareou para 17. Ainda assim, ele foi a melhor opção (na verdade, a única) da coreana Kia no segmento. Só para comparar, a co-irmã Hyundai tinha o Azera, com pacote semelhante, e conseguiu vender 7.261 e 7.269 unidades em 2009 e 2010, respectivamente. Tudo por conta da embalagem mais ajeitada.

Que tal começar de novo? Volte à imagem e arrasta a aba para a esquerda para ver o sedã branco por inteiro. Foi o que a Kia fez, se valendo do talento do alemão Peter Schreyer, seu projetista-chefe oriundo da Audi, considerado em conversas internas do setor como dono dos mais belos desenhos automotivos da atualidade. O sedã grande Cadenza foi lançado mundialmente em 2010 e ficou conhecido do brasileiro no último ano, durante o Salão do Automóvel de São Paulo. Agora em 2011, finalmente substitui o decadente Opirus no catálogo da marca na internet. Os detalhes da evolução são explicados nas legendas das fotos abaixo, clicadas por Murilo Góes:

MELHOR ASSIM
Como é possível observar, o Cadenza, chamado de K7 na Coreia do Sul, vai na contramão do Opirus e chama atenção pela beleza, suplantando também o agora conservador Azera e alinhando-o ao recém-chegado Sonata, embora menos exagerado e por isso mesmo, em nossa opinião, menos cansativo.

Com 4,96 metros de comprimento, 1,85 m de largura e 2,84 m de entre-eixos, o Cadenza deixa para trás quase todos os concorrentes diretos em matéria de espaço interno: o Honda Accord (V6 com 278 cv) tem 2,80 m; Ford Fusion (V6 com 243 cv), 2,72 m; e o Toyota Camry (V6 com 284 cv), 2,77 m. Apenas o australiano Chevrolet Omega vai além, com 2,91 m de entre-eixos, um vão imenso para pernas e joelhos e um V6 com 296 cv. O modelo da Kia também é mais forte e arejado que os conterrâneos Azera (V6 com 265 cv e espaço de 2,78 m) e Sonata (2.4 de 182 cv e 2,79 m de entre-eixos), embora só tenha o primeiro como rival em termos de motorização: um seis-cilindros em V de 3,5 litros move o sedã grande da Kia, com potencia máxima de 290 cv a 6.600 giros e torque de 34,5 kgfm a 5.000 rpm. O bloco é forjado em alumínio e conta com sistema CVV-T-VIS, com controle variável de válvulas na admissão e exaustão e corrente de distribuição com funcionamento silencioso. A tração é dianteira e o sistema de suspensão é independente, tipo McPherson à frente, Multi-link atrás. Tudo comandando por um preciso câmbio automático de seis marchas, com opção de trocas sequenciais apenas na alavanca.

A ficha técnica completa (apenas em Inglês) pode ser vista após um clique aqui.

O Cadenza começa a ser vendido com um esquema de preços um tanto confuso -- aparentemente são três pacotes, quando de fato há apenas uma configuração, bastante recheada por sinal, e dois complementos:

- Z.554: R$ 119.900
Sim, são quase R$ 20 mil acima do mais caro Azera, mas quase na mesma faixa do preço de estreia do Sonata, que atualmente custa R$ 105 mil. Inclui chave inteligente, espelhos retrovisores elétricos com rebatimento automático, faróis com LED e facho duplo de xênon, rodas e estepe de liga leve de 17 polegadas, revestimento total de couro, bancos dianteiros e volante com ajustes elétricos, ar digital dual zone e aquecimento dos bancos, desembaçador automático dos vidros, sensores de chuva e luminosidade, sensores e câmera de ré com imagem no retrovisor interno, persiana elétrica com acionamento automático, encostos de cabeça ativos, cintos de segurança com pré-tensionadores, airbags frontais, laterais e de cortina, freios com antitravamento (ABS), distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e controle de estabilidade (ESP), entre outros.

- Z.555: R$ 124.900
Os R$ 5 mil extras compram o teto solar duplo, com abertura elétrica para os ocupantes dos assentos dianteiros e visão panorâmica para quem está atrás, e o travamento automático das portas com o carro em movimento. Esta, aliás, foi a versão testada nesta avaliação.

- Z.556: R$ 127.900
O adicional aqui é o revestimento interno todo na cor branca, algo inútil (em nossa opinião) no ambiente tropical poluído de nossas metrópoles.

A lista completa de equipamentos, você encontra (desta vez em Português) aqui.

TRÊS AMBIENTES

  • Murilo Góes/UOL

    Bancos dianteiros (acima) têm ajustes elétricos, sendo que motorista tem memórias para suas regulagens e a melhor posição de toda a cabine.

  • Murilo Góes/UOL

    Atrás, conforto de classe executiva, comando do sistema de som e climatização dos bancos e, também, iluminação do teto solar panorâmico.

  • O motorzão V6 roda suave e não se faz notar na cabine, pelo menos até ser provocado.

IMPRESSÕES
Você sabe: para se dar bem nos segmentos superiores é bom ter conteúdo, mas é melhor ainda ter boa aparência e exibir gadgets a todo instante e por qualquer coisa. Resumindo, ser bonito e antenado. É o que o Cadenza faz por seu motorista, mesmo antes deste entrar na cabine. Com a chave inteligente no bolso, basta se aproximar da porta e mover a mão em direção a fechadura... dois focos de luz (um do retrovisor, outro da maçaneta) iluminam seus passos, enquanto o retrovisor que estava recolhido se abre e a porta destrava, tudo de forma autônoma. Com a porta aberta, o nome Cadenza iluminado por LEDs vermelhos se destaca na soleira cromada e agarra os olhos de quem observa. Já instalado no banco amplo e confortável do motorista, basta apertar o botão de partida para que uma sineta eletrônica anuncie que o motor foi ligado, enquanto um vistoso "Welcome" apresenta as boas-vindas da Kia na tela de LCD atrás do volante. Quem vai atrás, com generoso espaço para pernas, pode regular ar condicionado e aquecimento dos bancos, além de escolher o que será ouvido no sistema de som, que se ressente de não ser premium ao distorcer graves e agudos.

As saudações do computador de bordo ao motorista são importantes para avisá-lo de que ele já pode rodar com o Cadenza. E para mostrar que este é, com certeza, o melhor lugar do carro: o motor V6 é silencioso ao extremo em ciclos urbanos, rodando preferencialmente no intervalo dos 1.350 giros, ao passo em que o bom sistema de isolamento e o para-brisas laminado ajudam a reforçar o conforto acústico da cabine. A suavidade é tamanha, que a Kia afirma que o sedã de quase duas toneladas faz 10 km/l de gasolina. Mas não se engane com a cadência, que o carro não é manso, pelo contrário.

Pise fundo no pedal projetado de forma a manter o calcanhar alinhado ao joelho, e o furor dos 290 cv de potência se fará notar prontamente, com direito a ronco grave e tudo, num convite permanente à aceleração. O sistema de estabilidade vai domar os impulsos da traseira o tempo todo, garantindo uma pilotagem digna de carro compacto, a não ser que sua ousadia e braço garantam o direito de rodar com o controle desligado e o terceiro volume "vivo". De toda forma, a pré-carga dos cintos e os encostos de cabeça ativos, e mais tarde a miríade de airbags, estarão lá para assegurar algum suporte em caso de emergência. Nesse ritmo, a marca de consumo chegará perto de incivilizados 4,5 km/l.

Para quem observa de fora, e tivemos a curiosa oportunidade de cruzar com outros dois Cadenza brancos durante nossa avaliação, o sedã mantém essa bipolaridade, sendo imponente com suas formais mais horizontalizadas e hipnóticas luzes diurnas em forma de arco leitoso, mas também inspirando temor, graças ao perfil esportivo proveniente do design que tem muito em comum com modelos da Audi como o A5, finalizado com detalhes como a dupla saída cromada de escapes e rodas aro 17. O melhor de dois mundos que justificam a totalidade do pacote.

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