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Elétrico Nissan Leaf é astro de conferência sobre sustentabilidade em São Paulo

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Hatch foi eleito "Carro do Ano" na Europa e EUA, mas não há previsão de vendas no Brasil Imagem: Divulgação

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO

Da Redação

31/05/2011 15h15Atualizada em 31/05/2011 15h39

A cidade de São Paulo receberá desta terça-feira (31) até a próxima sexta-feira (3 de junho) 16 prefeitos e representantes de 47 grandes cidades do mundo durante a quarta edição do C40 Summit, congresso bienal que reúne autoridades em torno do debate sobre questões ambientais e de desenvolvimento sustentável -- mudança climática, redução do consumo de energia no cotidiano e maior eficiência no uso de recursos são os temas centrais. Para os amantes do mundo automotivo, no entanto, o foco do evento será a presença na cidade de pelo menos dez unidades do Nissan Leaf, hatch médio movido 100% a energia elétrica, e que utilizado pelos participantes do congresso.

O QUE É O C40

Liderado pelas cidades de São Paulo, Nova Déli, Berlim, Joanesburgo, Londres, Los Angeles, Nova York, Toronto e Tóquio, o congresso do C40 ocorre a cada dois anos e está em sua quarta edição -- antes, ocorreu Londres (2005), Nova York (2007) e Seul (2009). No total, são 40 cidades participantes e 19 afiliadas, além do apoio financeiro da Fundação Bill Clinton para o Meio Ambiente.

A agenda oficial dos dez carros que estarão à disposição do C40 inclui deslocamentos de autoridades locais -- o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, por exemplo -- e mundiais -- como o prefeito de Nova York e atual presidente do congresso, Michael Bloomberg, e o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, entre outros -- que participarão ao evento.

A agenda "não-oficial", porém, nos parece mais interessante: uma unidade do Leaf está em exibição estática ao público no aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da cidade, desde o último final de semana; amanhã, haverá uma apresentação à imprensa especializada e a convidados em evento fechado pelo presidente da Nissan do Brasil, Christian Meunier; mais à frente (a data ainda não foi revelada), o modelo poderá ser visto em mostra itinerante aberta ao público em geral.

Maior e mais espaçoso que modelos similares -- no álbum de fotos abaixo, traçamos a relação com os médios Hyundai i30, Volkswagen Golf e Chevrolet Vectra GT --, o Nissan Leaf tem capacidade de transportar até cinco pessoas  e alcança a velocidade máxima de 144 km/h (90 milhas por hora) graças ao motor elétrico de 80 kW (107 cv). A autonomia total é de 160 quilômetros, sem emissão de um grama de CO2 ou qualquer outro poluente (o modelo sequer tem escapamento). A recarga das baterias de íons de lítio podem ser feita em tomadas convencionais por 8 (220V) ou 20 horas (110 V); há ainda a alternativa dos pontos de recarga expressa, em lojas e locais públicos, com 80% da carga obtida em 30 minutos. Durante o C40, as dez unidades do Leaf serão recarregadas à noite em uma das concessionárias da Nissan.

Apesar disso, porém, ainda é (muito) cedo para dizer que o carro poderá ter vida comercial no país. Explicamos abaixo.

NEGOCIAÇÃO 'VERDE'
Não é a primeira vez que o Leaf entra na lista de assuntos oficiais paulistanos. Há pouco mais de um ano, a Prefeitura de São Paulo iniciou uma espécie de "protocolo de estudo" com a Renault-Nissan, aliança que reúne as fabricantes francesa e japonesa, conforme noticiado por UOL Carros.

O LEAF EM VÍDEOS

  • Acima, crash test do Euro NCAP que deu cinco estrelas ao Leaf (nota máxima). Abaixo, comercial do carro mostra mundo sem eletricidade

O objetivo municipal seria o de encontrar alternativas para reduzir as emissões de gases da frota oficial, numa espécie de incentivo ao restante da frota -- em São Paulo, são 7 milhões de carros particulares, 32 mil táxis e cerca de 15 mil ônibus municipais (dos quais apenas 200 são elétricos, mas do tipo trólebus de concepção antiga, e dez a etanol), segundo dados da administração. A contrapartida da aliança franco-nipônica seria oferecer veículos de propulsão alternativa com custos otimizados, mas nenhum representante das duas partes abre o jogo sobre o atual estágio da conversação.

Na prática, o grupo tem um total de 4 bilhões de euros (R$ 10 bilhões) em investimentos para expandir seu mercado e chegar à liderança do segmento até o final de 2016. Mas como veículos elétricos ainda têm o preço final elevado (como toda nova tecnologia), a busca por apoio governamental é inevitável.

Nos Estados Unidos, o Leaf custa US$ 34 mil (cerca de R$ 54 mil, sem contar impostos e taxações), mas os consumidores americanos têm direito ao bônus (disponível para os primeiros 200 mil compradores de carros híbridos ou elétricos em geral) que reduz o preço final a US$ 21.500 (R$ 34 mil).

Acordos semelhantes foram feitos no Japão, Alemanha e Inglaterra, onde o governo concordou em incentivar a compra de modelos "verdes" com bônus ao consumidor e/ou com construção da estrutura de apoio. A prefeitura de Londres, por exemplo, vai arcar com os custos de recarga dos compradores londrinos do Leaf durante 12 meses, além de instalar 1.300 pontos de recarga em locais públicos (saiba mais aqui).

Fazendo uma conta alinhada à realidade brasileira, baseada na importação de outros modelos e no fato do país não possuir qualquer programa de incentivo a modelos elétricos e híbridos, é possível afirmar que o preço final do Leaf por aqui saltaria para algo próximo dos R$ 150 mil. E um valor salgado assim ainda inviabiliza qualquer projeto.

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