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Captiva Ecotec é 'ser' mais evoluído da Chevrolet, mas manteve maus hábitos

Murilo Góes/UOL
Captiva Ecotec: o motor está mais forte e há mais (e melhores) equipamentos Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

04/04/2011 20h08

Deixemos o Camaro de lado. Na análise da atual da linha da Chevrolet no país, o Captiva é (desde seu lançamento em agosto de 2008) um ponto fora da curva. Importado do México, o SUV pode ser considerado o modelo mais confortável da marca no Brasil, com bom conteúdo e sempre alinhado ao padrão encontrado no exterior. Desde o começo, porém, o preço elevado é um de seus fatores críticos. O outro, conforme apontamos aqui (4 km/l!), é o consumo elevado de combustível.

Tanto que a Chevrolet teve de agir rápido para reduzir o impacto provocado pela travessia da barreira dos R$ 100 mil, patamar "mágico" no mercado nacional: trouxe a versão Ecotec com motor de quatro cilindros e 2,4 litros menos de seis meses após a estreia do modelo mais completo, com motor V6 e opção de tração integral. Custando menos de R$ 90 mil e bebendo menos, o SUV vestiu "roupa" um pouco mais simples para finalmente poder encarar os rivais japoneses Honda CR-V e Toyota RAV4 (ambos na mira desde o primeiro momento, sendo que o primeiro também chega do México, com acordo de impostos). Mas o mercado seguiu evoluindo... 

E curiosamente (tratando-se da Chevrolet, vale ressaltar mais uma vez), o Captiva evoluiu junto. Sem avisar ninguém, a GM passou a importar desde dezembro o modelo equipado com novos motores e modificações na lista de equipamentos, dentro da nova linha 2011 (e pensar que, no segmento popular, os carros da marca já são modelo 2012 sem apresentar qualquer evolução de fato). Há pouco mais de um mês, UOL Carros mostrou o que mudou, o que foi mantido e quanto vale a "nova consciência" do Captiva -- se não viu, confira a reportagem de Rodrigo Lara (aqui) ou o eficiente álbum de fotos de Murilo Góes, abaixo:
 

BOM MESMO É TER MAIS
Nada mudou externamente, mas o Captiva se armou melhor para encarar a concorrência, que já há algum tempo conta o reforço de coreanos, e ainda tentou solucionar sua persistente dependência de combustível. Foi o que demonstrou nossa avaliação de dez dias com o Captiva Ecotec, que custa R$ 90.229.

A troca de propulsores, que agora contam com injeção direta de gasolina e trazem novos valores de potência, torque e emissões (a marca não explicou, mas muito certamente teve de se adequar a padrões mais rígidos no mercado norte-americano), teve como efeito colateral a perda de força na versão V6, mas resultou em ganhos para a 2.4, que se tornou a melhor opção de compra dentro do mix, e não apenas do ponto de vista racional. Ficou mais fácil e bem mais prazeroso movimentar os mais de 1.600 kg do Captiva básico com os 14 cavalos extras (185 cv no total) e 23,8 kgfm de força. Além disso, a lenga-lenga da antiga caixa automática foi deixado de lado, já que o upgrade garantiu também o excelente câmbio de seis marchas, mais preciso nas mudanças e no gerenciamento do ritmo.

Claro, tudo poderia ser ainda melhor com uma opção mais bem pensada para trocas manuais sequenciais -- trazer o câmbio até a posição mais baixa da escala (M) e, a partir daí, usar o polegar na tecla +/- para subir ou descer marchas é uma solução pouco prática, para não dizer incômoda do ponto de vista ergonômico. Mas é sempre bom lembrar que estamos num SUV familiar, com acerto americano (mais voltado ao conforto e menos à performance) e que não veio ao mundo para desafiar adversários ou enfrentar curvas em alta velocidade -- se ignorar disso, a carroceria vai escorregar e você terá de ser salvo pelos sistemas de correção de trajetória, o que pode ser um alento, mas nunca uma boa experiência. Ruim também é o consumo real, que ainda passa longe demais da média indicada pelo fabricante (9,3 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada). UOL Carros esgotou o primeiro tanque após 373,6 km, com marcações no computador de bordo de 4,5 km/l para o regime urbano e 5,6 km/l na estrada. Na calculadora, a média ficou em 5,1 km/l de gasolina. E isso com a tecla Eco, que promete conter a sede do conjunto ao manter motor e câmbio em ciclos mais baixos, sempre ligada. Ou seja, o dono do Captiva segue sendo sócio do posto de combustível.  

De toda forma, o que mais conta a favor do Captiva Ecotec é a lista de equipamentos, que já era extensa e agora está mais atrativa. Afinal, mesmo quem paga menos gosta de ser (muito) bem tratado. A cabine em tons escuros, com bancos revestidos de couro e iluminação azulada é classuda e faz bem ao ego do comprador. Sim, ainda é preciso fazer uma forcinha para estabelecer a melhor posição para dirigir, já que os ajustes são todos manuais, ou para se achar entre as telas do computador de bordo, que tem comandos em posição complicada (à esquerda e abaixo do volante) e hierarquia de informação confusa (tente adivinhar para que serve cada tecla, ou onde está cada função, apenas pelos ícones...). Pelo menos, ninguém mais vai morrer de vergonha (e de raiva, tentando achar uma rádio que preste no dial, ou um CD que não esteja riscado) por não conseguir conectar um simples tocador de MP3: a conexão está num lugar estranho, sob o porta-copos, que por sua vez fica abaixo do apoio de braços, mas agora existe. Só o Bluetooth segue no limbo (inexplicavelmente).

A conclusão fica por conta dos dados sobre vendas. Se até dezembro de 2010 o Captiva vendia até mil unidades a menos que o CR-V a cada mês (na conta anual, o Honda emplacou 18.752 contra 13.505 do Chevrolet), a situação se inverteu em março: ele vende mais que o rival (1.337 contra 1.091), deixa todos os demais oponentes para trás (além do RAV4, comem poeira novatos como Hyundai ix35 e Kia Sportage) e ameaça até modelos mais baratos (e por isso mesmo melhores em venda), como o Hyundai Tucson (que emplacou 1.473 unidades). Ponto para o Captiva.

ALTOS E BAIXOS DO CAPTIVA ECOTEC

Isso valorizou:Isso ainda é bola fora:
Novo motor Ecotec é mais eficiente e potenteO consumo melhorou, mas segue alto
Câmbio de seis marchas melhora ritmo do CaptivaTeclas de funções são confusas
Acabamento ficou próximo ao da versão mais caraSuspensão ainda é 'americana' demais

 

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