Carros

Agora flex, Kia Soul quer ter alma de brasileiro

Murilo Góes/UOL
O "carro design" agora bebe álcool; modelo começa em R$ 52.900 Imagem: Murilo Góes/UOL

Rodrigo Lara

Do UOL, em Itu (SP)

01/04/2011 17h27Atualizada em 15/08/2012 14h05

A primeira característica notada ao se olhar para o crossover Kia Soul (a marca chama de hatchback e ele já foi categorizado como um SUV compacto) é o seu desenho. O "carro design", como ele foi definido em comerciais, tem visual simpático: não seria exagero dizer que, entre os carros vendidos no Brasil, o Soul e o Fiat Uno são aqueles com maior potencial de arrancar elogios como "moderno", "lindinho" e até "fofo".

Formas interessantes, o carro já possuía desde 2009, quando chegou ao Brasil. Na ocasião o modelo trazia bom pacote de equipamentos, tinha interior espaçoso -- propiciado pelos 2,55 metros de entre-eixos -- e um motor movido apenas a gasolina de 126 cavalos e 15,9 kgfm de torque, o qual, se não empolgava, pelo menos oferecia um desempenho justo ao Soul.

Mas faltava algo para o modelo cair no gosto do brasileiro, não apenas como um carro bonito de se ver, mas também como um produto com apelo real de compra: ser bicombustível. E o motor flex, capaz de ser alimentado tanto por etanol quanto por gasolina, é a grande novidade do Kia Soul 2011.

ATENDENDO A PEDIDOS
A unidade que move o Kia Soul Flex (agora o nome oficial do carro) tem quatro cilindros em linha e 1,6 litro de capacidade. O propulsor rende 126 cv com gasolina e 130 cv com etanol, ambos a 6.300 rpm. O torque teve um pequeno aumento quando o carro está abastecido com gasolina, e agora é de 16 kgfm a 4.500 rpm. Com etanol, esse valor bate nos 16,5 kgfm, disponíveis aos 5.000 rpm.

Os preços para as configurações manual e automática são de R$ 52.900 e R$ 63.900, podendo subir devido a pacotes de opcionais.

Além do motor, o modelo 2011 do Soul mudou pouco. Quase nada, para ser mais exato: as maçanetas das portas adotaram o formato de alça. A mudança foi feita em decorrência de reclamações de mulheres que, ao utilizar o sistema anterior, quebravam a unha com frequência. Além disso, o grafismo do painel de instrumentos foi alterado, para algo que pode ser classificado como mais esportivo (e menos genérico), mas que tem como efeito colateral prejudicar a leitura de informações como velocidade e rotação do motor. Confira as imagens do Soul, acompanhadas de comentários sobre o estilo, no álbum abaixo, em fotos clicadas por Murilo Góes:

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
UOL Carros teve a oportunidade de conduzir o Soul Flex num trajeto de pouco mais de 100 km pelas rodovias do interior de São Paulo. Logo de cara, é possível notar que a potência o torque extra proporcionados pelo uso de etanol no veículo conferem uma boa agilidade ao carro. A sensação é ampliada devido às medidas compactas, de 4,01 m e 1,78 m de comprimento e largura, respectivamente.

A posição das rodas, situadas próximas às extremidades do carro, e a suspensão com um acerto firme ajudam no comportamento dinâmico do Soul e evitam que o motorista se sinta inseguro devido à altura avantajada do modelo (o porte é de minivan). A calibragem dura da suspensão, entretanto, cobra seu preço ao andar sobre superfícies irregulares.

Parte do test-drive foi realizada com o Soul Flex equipado com o câmbio automático. Dotada de apenas quatro velocidades, a caixa se mostrou hesitante em algumas situações. Em velocidade de cruzeiro, bastava uma leve pressionada no acelerador para que o câmbio respondesse ao kickdown e reduzisse uma marcha. O resultado é um andar soluçante, o que prejudica a experiência ao volante do modelo. A caixa manual resolve esse problema, apesar dos engates demandarem precisão por parte do motorista.

Mesmo nas versões mais simples o Soul é bem equipado. Há airbags, ar-condicionado, trio elétrico e sistema de som com quatro alto falantes e dois tweeters, sistema keyless para a abertura das portas, entre outros mimos. Apenas a versão manual de entrada não é dotada de freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição de frenagem). As demais configurações contam com o sistema.

Apesar da suspensão firme em excesso, o Soul trata bem quem vai a bordo. O acabamento, mesmo composto majoritariamente de plástico, não apresenta falhas. Há nichos para guardar objetos espalhados pela cabine e espaço para os ocupantes -- preferencialmente quatro -- se acomodarem com tranquilidade.

Mais do que entregar visual, conforto ou comportamento dinâmico, ao adotar o motor flex e se aproximar mais da realidade brasileira o Soul confirma sua vocação como lançador de tendências. Dentro da linha Kia, ele abre portas para que outros modelos, como Cerato e Picanto, adotem em breve a tecnologia bicombustível. Como um veículo importado, mostra que um tempero nacional cai bem mesmo em carros que vêm de fora. É questão de tempo e do número de vendas -- o qual a Kia pretende dobrar, partindo de 8.664 unidades em 2010 -- sabermos se a empreitada deu certo ou não.

 

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