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Novo Jetta deixa defensores de sedãs japoneses sem argumentos

Ricardo Hirae
O Jetta na estrada: novo sedã mata Bora e modelo 2.5 em segmento acirrado Imagem: Ricardo Hirae

Claudio de Souza

Do UOL, em Mogi das Cruzes (SP)

29/03/2011 18h31

Logo após a apresentação oficial do modelo à imprensa, realizada na última sexta-feira (25), a Volkswagen propôs um interessante test-drive do novo Jetta. O percurso compreendeu descer a serra em direção ao litoral norte paulista pela sinuosa rodovia Mogi-Bertioga, e depois fazer o caminho de volta a Mogi das Cruzes -- nessa segunda perna da miniviagem (de cerca de 140 km) o Jetta não encontraria a "molezinha" do declive, e sim uma subida bem puxada em alguns trechos.

UOL Carros optou por descer a serra com o Jetta Highline, dotado de motor 2.0 TSI a gasolina, turbocomprimido e com 16 válvulas, e subi-la com o Comfortline -- também com motor 2.0, mas bicombustível, aspirado e de 8 válvulas. Essa segunda receita deve responder por 70% do mix de vendas do modelo no Brasil, boa parte com a transmissão automática de seis marchas -- como a unidade que experimentamos. Por isso escolhemos colocar o Jetta Comfortline na parte mais dura do trajeto.

Antes das impressões dinâmicas, algumas palavras sobre a aparência e a cabine do Jetta. Como já dissemos, a unificação das dianteiras de diversos modelos da Volkswagen fez bem a alguns e prejudicou outros. O Fox e a SpaceFox ficaram melhores, mas o Jetta e o Passat, dois carros globais da marca alemã, perderam personalidade com a adoção da grade e do conjunto ópitico retilíneos, bem menos marcantes do que as soluções estéticas anteriores. Ficaram mais sóbrios, sem dúvida, mas especialmente no caso do Jetta isso significou também uma certa passividade -- já que o visual anterior, em linha com o Golf V europeu, era bastante agressivo.

No entanto, a silhueta mais alongada do novo Jetta -- são 9 centímetros que fazem bastante diferença -- ficou mais harmoniosa, e a traseira à la Audi resolveu um senão estético do modelo anterior, que era o desenho meio forçado das lanternas traseiras, dotadas de elementos redondos excessivamente marcantes. Agora na Volks a ordem é ser quadrado (ou retangular). As duas versões diferenciam-se em detalhes sutis, como frisos cromados e o desenho das rodas e das saídas de escape.

Por dentro, as duas versões entregam acabamento correto e adequado às respectivas propostas, com algumas ressalvas. A Comfortline, feita para encarar versões de entrada e intermediárias de Toyota Corolla e Honda Civic, é austera -- até o revestimento em couro dos bancos (opcional) é mais simplezinho. Já a Highline tem apliques de metal imitando aço escovado e volante encorpado; e, para quem procura prestígio e a sensação de estar num modelo Audi, a tela interativa no painel central (cuja voz fala em português lusitano), que na versão top é de série, faz muita diferença. Porém, não compensa a ausência de um revestimento mais agradável nas portas dianteiras, cujas partes que ficam em contato com os braços são duras.

A posição de dirigir é boa, ajudada pelos ajustes da coluna de direção e do assento do motorista, que opcionalmente pode ser elétrico no Jetta Highline -- na versão Comfortline o sistema é por alavanca, mesma peça encontrável em modelos mais baratos da Volkswagen, e semelhante ao Jetta anterior (que era vendido em versão única). O espaço interno é excelente para quatro pessoas, um resultado da ampliação geral do modelo e, especificamente, de seu entre-eixos, espichado em 7,3 cm. Mesmo não tendo essa proposta, o novo Jetta oferece, sim, boa dose de conforto "de patrão".

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Acelerar a versão Highline do Jetta revelou-se um prazer. Era o esperado: seu motor de 2 litros turbinado é o EA888 usado em Passat, Tiguan e alguns modelos da Audi (não com a mesma calibragem). Vale o mesmo para a transmissão DSG de dupla embreagem e seis velocidades. Nem a própria Volkswagen se deu conta disso ao marquetar o modelo, mas por cerca de R$ 90 mil o Jetta Highline é simplesmente a "embalagem" mais barata para um trem de força de tal excelência, ao menos no Brasil.

Com 200 cavalos de potência e ótimo torque de 28,5 kgfm disponível a partir de meros 1.700 giros, o propulsor garante segurança em arrancadas e retomadas -- e quem não se satisfizer com o gerenciamento do câmbio DSG, que entrega trocas rápidas e quase imperceptíveis, pode mudar as marchas nas aletas atrás do volante. A direção com assistência controlada eletronicamente enrijece claramente nas manobras mais fortes (em curvas de alta, por exemplo, isso é muito evidente), o que transmite segurança ao motorista. Difícil, aliás, não invadir o terreno da ousadia.

A suspensão do Jetta Highline, independente nas quatro rodas, é bastante firme, um acerto que convida a fazer curvas com intensidade sem medo de desgarrar ou sentir a carroceria rolando -- os pneus largos e baixos ajudam nisso. No entanto, essa tendência à esportividade cobra um preço em pisos de qualidade irregular, transmitindo algum desconforto para os ocupantes e produzindo batidas secas nas rodas, que respondem com um som metálico. Não há tropicalização que baste...

Na volta, subir a serra com o Jetta Comfortline foi uma grata surpresa. É evidente que sua performance é inferior à do irmão turbinado, mas o motor de 2 litros herdado do Bora, capaz de atingir 120 cv quando abstecido com etanol (como no caso de nossa unidade de teste), é cumpridor, dentro de suas limitações. Numa situação não-cotidiana, como é o caso de um aclive constante e sinuoso, o propulsor operou satisfatoriamente em terceira marcha (selecionada na alavanca ou automaticamente) e na faixa dos 4.500 giros, entre os picos de torque (18,4 kgfm) e potência. Sim, ele "grita" -- mas para não gritar ali era preciso, no mínimo, um 2.0 TSI...

O acerto de suspensão do Comfortline é semelhante ao da versão top, a despeito de o sistema traseiro ser semi-independente, com barra estabilizadora. O conjunto é firme e tem pegada esportiva, e o apetite por curvas é o mesmo. Herança do Jetta 2.5 para as duas variações.

No geral, o Jetta é um carro muito bom de guiar, bem equipado (veja aqui a lista completa de itens) e com preços competivivos. Seu maior problema na configuração anterior era o de ser um estranho no ninho dos sedãs médios: grande mas nem tanto (note que o novo Jetta "mata" o antigo e também o Bora), caro demais, somente a gasolina, malvado em excesso para "tiozinhos" mais discretos. Agora há um Jetta para cada bolso que pretenda entrar ou continuar no segmento (a rigor, são três versões, devido ao câmbio automático opcional da Comfortline); há a dirigibilidade com molho alemão da linha premium da Volkswagen; há uma rede de concessionárias grande e consagrada. Ficou difícil para fãs de Corolla e Civic argumentarem contra esse rival.
 

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