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Retoque visual não muda a essência e Prisma mantém qualidades e defeitos

Murilo Góes/UOL
Modelo ganhou novos detalhes e acabamento melhorou; motor 1.4 é o ponto alto do carro Imagem: Murilo Góes/UOL

Rodrigo Lara

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/03/2011 18h58Atualizada em 15/08/2012 14h07

Em seu ciclo final de vida, o Chevrolet Prisma, que ocupa o segundo degrau dentre os sedãs da marca, passou por uma remodelação no final de janeiro. A reforma visual alinhou o carro à identidade visual da marca, proveu seu interior com um acabamento mais cuidadoso e gerou polêmica: no final do primeiro mês do ano, tanto o Prisma quando o Celta já eram vendidos como modelo 2012.

De resto, o pequeno sedã da GM mantém as mesmas boas características do modelo lançado em 2006: porta-malas generoso, com 439 litros; visual que remete a modelos maiores e mais caros, sendo, por vezes, chamado de "Vectrinha" e, agora, "mini-Malibu"; e motorização adequada ao seu peso, ainda mais quando falamos do motor 1,4 litro Econoflex, que gera 97 cavalos a 6.000 rpm quando abastecido com etanol e 95 cv a 6.000 rpm com gasolina no tanque.

Essa motorização equipa a versão LT, justamente a unidade avaliada por UOL Carros. O Prisma também é vendido com motor 1.0. Nesse caso, a sigla que denomina a versão é  a "LS". Além do motor, a diferença entre elas está no fato de que na LT a direção hidráulica é item de série.

MAQUIAGEM LEVE
É possível enumerar as mudanças visuais do Prisma uma a uma. Por fora, a grade do modelo ganhou uma régua na cor do veículo, com a "gravatinha" da Chevrolet ao centro. Atrás, destaca-se o friso prateado no centro da tampa do porta-malas.

Por dentro, a primeira diferença notável é o volante, que ganhou aplique prateado. Os botões dos controles de ventilação, o pomo da alavanca de câmbio e o grafismo na cabine também mudaram. As portas ganharam enxertos de tecido e o painel agora é iluminado no tom "Ice Blue", o mesmo do Camaro. Por fim, os bancos contam com novo padrão de tecidos.

Se não são mudanças que transformam o carro em um modelo novo, pelo menos são adições bem-vindas. É possível notar o que mudou na estética do modelo acompanhando as fotos de Murilo Góes abaixo:

DE VOLTA AO PASSADO
As qualidades citadas acima, entretanto, não escondem as falhas do Prisma. O espaço para braços, cotovelos e ombros dos ocupantes não é dos melhores, principalmente na frente. Não raro, trocas de marchas convertem-se em esbarrões na perna do carona. O constrangimento é instantâneo...

Os bancos cansam quando o modelo é guiado por períodos mais longos de tempo. Ainda no posto de comando, incomoda a direção, que aponta para o centro do carro e, apesar de ser hidráulica, é mais pesada que o habitual. A embreagem, por sua vez, possui curso muito curto. Falta espaço para apoiar o pé esquerdo quando este não se encontra em uso e o curso da alavanca de câmbio, apesar dos engates serem feitos de maneira correta, é bastante longo.

Dinamicamente, o Prisma tem bom desempenho. A responsabilidade pela boa aceleração do modelo é o motor 1.4 que, apesar de "gritar" em altas rotações, dá conta do recado. Por diversas vezes foi possível dar um descanso para o câmbio e aproveitar o bom torque do bloco, o que se traduz em conforto tanto para o motorista quanto para os ocupantes.

CARRO FRIO

A unidade do Prisma LT 1.4 avaliada por UOL Carros apresentou um defeito curioso. Mesmo após rodar com o carro por grandes distâncias, o marcador de temperatura do motor não sinalizava os 90ºC, ficando abaixo da marca.

O problema gerou um consumo excessivo do modelo. Após rodar 170 quilômetros, o ponteiro do combustível já apontava meio tanque -- vale lembrar que, no início do teste, o carro nos foi cedido com o tanque cheio.

Uma conta simples aponta o valor de 6,29 km/l, excessivo mesmo se o carro estivesse abastecido apenas com etanol. O Prisma foi utilizado majoritariamente no ciclo urbano, porém sem enfrentar grandes congestionamentos ou ser submetido a acelerações mais fortes.

Ao ser informada do problema, a General Motors se comprometeu a avaliar a unidade e nos dar a resposta. Publicaremos o diagnóstico imediatamente.

A suspensão possui um acerto mais confortável. Por um lado, ela poupa os ocupantes de solavancos e encara bem as imperfeições do asfalto. Por outro, faz o modelo inclinar em demasia nas curvas e não transmite tanta segurança ao motorista.

CONCORRÊNCIA ACIRRADA
A versão avaliada, LT, tem preço inicial de R$ 32.150. Sua motorização 1.4 dá uma vantagem comparativa ao carro, se considerarmos a maioria dos seus rivais diretos que, nessa faixa de preço, estão disponíveis apenas com motores 1.0. Este é o caso de Fiat Siena, Ford Fiesta Sedan e Volkswagen Voyage.

A exceção fica por conta do Renault Logan 1.6 Expression básico, que possui preço similar ao Prisma e oferece motor maior, porém não vem com direção hidráulica de série. Vale lembrar que o carro também concorre em casa, com o Chevrolet Classic. Esse rival "interno", por sinal, é o líder do segmento dos sedãs de entrada.

Ao conviver com o Prisma por uma semana, nota-se que, se o modelo não apresenta pontos que inviabilizam a sua compra, ao mesmo tempo poderia ser muito mais do que é. Jogam a favor o motor, pequeno e valente, e o design que, apesar de já apresentar sinais da idade, é um dos mais bem acertados dentro da linha Chevrolet no Brasil.

A maior parte das limitações do Prisma foram "impostas" pela sua fabricante. Elas ficam claras se pensarmos que o pequeno sedã deriva de um projeto antigo -- a plataforma do primeiro Corsa a desembarcar no Brasil -- e compartilha suas principais características com um carro que, quando lançado, tinha a pretensão de ser o mais barato do Brasil -- caso do Celta.

Fosse o Prisma dotado de maior refinamento mecânico e tivesse soluções mais inteligentes, principalmente no que diz respeito ao aproveitamento do espaço, o sedã venderia (ainda) mais no mercado nacional e teria melhor sorte diante de concorrentes que, mesmo mais fracos, se mostram mais modernos.

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