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Renault pede desculpas a executivos, mas fraude pode levar a queda de diretoria

Pierre Verdy/AFP
Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan, vai à TV francesa explicar fraude e pedir desculpas Imagem: Pierre Verdy/AFP

Da Redação, com agências internacionais

14/03/2011 19h38Atualizada em 14/03/2011 19h59

O presidente do Grupo Renault-Nissan, Carlos Ghosn, admitiu nesta segunda-feira (14) que sua companhia demitiu erroneamente ao menos três executivos, acusados de terem vendido segredos relacionados a modelos elétricos desenvolvidos pela companhia, informou a agência "Bloomberg".

Em entrevista à emissora de televisão francesa "TF1" e também por comunicado enviado a outros órgãos de imprensa, Ghosn, que é brasileiro, pediu desculpas aos executivos Michel Balthazard, Bertrand Rochette e Matthieu Tenenbaum, e afirmou que planeja se reunir com o Conselho de Administração para definir "formas de reparação" às carreiras dos envolvidos.

Ghosn afirmou ainda ter recusado o pedido de demissão de seu número dois, o diretor-geral Patrick Pélata, e confirmou que tanto ele quando Pélata devolverão seus bônus referentes a 2010. Ghosn disse ainda que o grupo automotivo revisará seus procedimentos de segurança.

O COMEÇO DA CRISE
No início de janeiro, a Renault comunicou imprensa e autoridades francesas sobre suas suspeitas de espionagem industrial que ameaçariam "ativos estratégicos", como justificava para a suspensão e posterior demissão de três executivos por repasse de projetos bilionários.

Na sequência, o governo francês acusou a China de ser receptadora das informações e chegou a encarregar o Serviço de Inteligência do caso, o que resultou em uma furiosa negação por parte de Pequim (releia aqui). Na última semana, porém, ficou comprovado que o grupo francês pagou 250 mil euros pela denúncia, que pode não ter passado de invenção.

A Renault e sua parceira japonesa Nissan investiram cerca de 4 bilhões de euros em projetos para entregar cerca de 200 mil veículos elétricos até o fim do biênio 2015-2016 e, assim, assumir a liderança mundial de produção de carros elétricos nos próximos anos.

Após a reviravolta do caso na Justiça e a entrevista de Ghosn concedida à emissora francesa, no entanto, a imprensa internacional especula que a falsa denúncia de espionagem e o atual escândalo podem levar à queda de um dos executivos do topo da organograma do grupo.

INVESTIGAÇÕES APONTAM FRAUDE
Segundo a "Reuters", o caso de suposta espionagem desembocou no domingo na abertura de uma ação por fraude contra um dos responsáveis de segurança do fabricante de automóveis francês, que foi detido. Um juiz de instrução abriu ação judicial contra Dominique Gevrey, encarregado de segurança da Renault, que deu origem às acusações de espionagem que levaram à demissão dos três executivos.

Além disso, o Chefe da Promotoria Fracesa, Jean-Claude Marin, afirmou em entrevista que autoridades da Suíça e de Liechtenstein confirmaram que os três executivos acusados inicialmente não mantinham contas bancárias em nos países, como afirmava a denúncia de espionagem levantada pela Renault, e que o foco das investigações passa a ficar sobre outro empregado da Renault, segundo a "Automotive News".

Gevrey, detido na sexta-feira quando se preparava para viajar para a Guiné, foi interrogado por 48 horas pelos policiais da Direção Central de Investigações da França (DCRI). Em seguida, foi preso.

"No âmbito da demanda apresentada pela Renault sobre as suspeitas de espionagem, os investigadores reuniram um certo número de elementos que deixam pensar que estamos na presença de uma fraude", comentou uma fonte judicial á agência "AFP".

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