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Tata apronta o Indica Vista elétrico para conquistar a Europa

Especial para o UOL
Indica Vista EV, aposta plug-in da Tata, tem visual simpático e autonomia razoável Imagem: Especial para o UOL

CLAUDIO DE SOUZA

Editor de UOL Carros
Enviado especial a Genebra (Suíça)

10/03/2011 17h28

A Tata Motors anda meio sumida do noticiário. Desde o advento do Nano e da compra da Jaguar Land Rover, somente alguns incêndios (meio suspeitos, aliás) em exemplares do "carro mais barato do mundo" chamaram atenção para a fabricante indiana. No entanto, muito discretamente ela pode estar gestando um dos lançamentos cruciais dos próximos anos.

DETALHES DO VISTA EV

  • Claudio de Souza/UOL

    O hatchback mais vendido da Tata tem um visual arredondado que lembra o do Citroën C3; a carroceria de 4 portas dá acesso a uma cabine com espaço bom para quatro adultos

  • Divulgação

    Quadro de instrumentos do Indica Vista EV fica ao centro do painel, para que a direção possa ser deslocada conforme o país; à direita, indicador de carga da bateria, e à esquerda, o "econômetro"

  • Divulgação

    Bateria de superpolímero de íon-lítio chegou a projetar uma autonomia de quase 260 km com uma carga, durante prova no Reino Unido; Tata não informa o tempo de recarga

No Salão de Genebra, mais precisamente numa área externa e enregelante do Palexpo, o pavilhão que abriga o evento suíço, algumas montadoras ofereciam test-drives com modelos elétricos ou híbridos. Estavam lá os suspeitos usuais, entre eles, Chevrolet Volt e Nissan Leaf. Mais modesto, quase encabulado e com espera mínima para ser dirigido pelos (poucos) jornalistas interessados, estava também o Indica Vista EV, versão 100% movida a eletricidade do modelo mais vendido da Tata.

Não havia funcionários indianos por ali -- apenas ingleses, vários deles ligados ao centro de tecnologia europeu que a Tata fundou há seis anos na Universidade de Warwick. Foi nesta cidade da ex-metrópole que começou a ser gestado o Vista EV -- cujo lançamento comercial no Reino Unido deve acontecer até o final deste ano. O governo britânico fez um substancial empréstimo de 10 milhões de libras para o custeio do projeto.

Animado por uma bateria de superpolímero de íon-lítio, o charmoso compacto -- que em sua atual geração lembra um pouco o Citroën C3, mas com lanterna traseira de Chevrolet Corsa -- foi totalmente pensado para uso urbano. De acordo com informações da Tata, sua autonomia média com carga total (de 26,5 kWh) é de 160 km. No entanto, numa prova de consumo realizada em 2010 entre as cidades de Brighton e Londres, o Vista EV fez bonito em meio a híbridos e elétricos de diversos fabricantes, projetando uma autonomia de 260 km ao esgotar a bateria. No entanto, não há dados oficiais disponíveis sobre o tempo necessário para a recarga.

No momento, o Vista EV está sendo testado na vida real por 25 motoristas do Reino Unido, selecionados entre candidatos que possuíam padrão de uso de veículos compatível com a proposta do modelo -- como dissemos, prioritariamente urbana ou para viagens curtas. Os relatórios desse usuários estão ajudando a Tata a dar formas finais ao carrinho antes de colocá-lo no mercado.

Na Europa, versões a combustão do Indica custam menos de 9 mil euros. O Vista EV será mais caro, mas abaixo dos 25 mil euros em que parecem começar os preços de todos os carros similares.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
UOL Carros
, provavelmente com total precedência na mídia brasileira, experimentou o Vista EV durante o salão suíço. E gostou muito.

Mesmo na unidade disponível no salão, certamente mais "crua" que as destinadas às lojas nos próximos meses, deu para notar o acabamento correto da cabine, com instrumentos (centralizados) e comandos restritos ao essencial -- a carga da bateria é indicada como num marcador de combustível comum, com ponteiro. O volante estava do lado direito, como é usual na Inglaterra e na própria Índia, mas tirando esse detalhe o interior do Vista e seu recheio de equipamentos (assento e volante reguláveis, vidros e trava elétricos, freios com ABS, airbag duplo, luzes de neblina e rodas 15") passariam pelos de um compacto premium no Brasil. O espaço é abundante para quatro adultos.

VÍDEO OFICIAL DO INDICA VISTA EV

Após a partida, o propulsor do Vista EV dá uma "pensadinha", representada por uma luz-espia no painel; quando ela apaga, basta engatar a única marcha adiante e pisar no acelerador. Como todos os carros elétricos, o indiano praticamente não faz ruído para rodar, exceto por um levíssimo zumbido. É preciso ter atenção redobrada com os pedestres, e nem hesitar quanto ao uso dos faróis em plena luz do dia.

O torque de 15 kgfm, adequado para um carro desse porte (pouco menor que um Vokswagen Gol), fica disponível desde a ignição -- o que torna bem divertido arrancar com o Vista EV. A aceleração é vigorosa e pode, segundo dados de fábrica, cravar um zero a 60 km/h em cerca de 9 segundos. A potência total do motor, de 55 kW, equivale a 73 cavalos de um motor a combustão.

Deve-se considerar que manter um carro elétrico em velocidades altas exige mais da bateria; talvez por isso a máxima anunciada pela Tata seja de 114 km/h -- verdade que esse é um número digno de Fusquinha velho, mas em ambiente urbano ninguém precisa (ou deveria) conduzir nem perto dessa velocidade. No entanto, o feedback dos 25 usuários britânicos talvez ajude a "soltar" mais o motor.

O volante do Vista EV não tem assistência, o que dificulta (só um pouquinho) alguns esterçamentos, mas em compensação garante uma interessante comunicação com as rodas -- isto é, ao menos no asfalto perfeito dos arredores do Palexpo. O acerto da suspensão é firme, mas não duro. O carrinho tem até hill holder, que o segura nas arrancadas feitas em aclives. O simpático técnico inglês que acompanhou UOL Carros no test-drive explicou-nos o funcionamento do sistema como se no Brasil guiássemos patinetes. E ainda acrescentou: "It's good for the ladies".

O Indica Vista elétrico parece quase pronto para fazer barulho no mercado automotivo. Mostrando que não rasga dinheiro, a Tata Motors optou por eletrificar um modelo previamente consagrado na Ásia, em vez de apostar numa versão plug-in do relativamente malsucedido e inconfiável Nano (a qual  virá, um dia). Design agradável e autonomia (quase) decente ajudam nessa interessante aposta para a Europa dos próximos anos -- a própria Índia é um alvo secundário.

 

 

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