Carros

Citroën AirCross mostra virtudes, defeitos e jeito estiloso em 1.000 quilômetros

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO

Da Redação

22/01/2011 14h32

UOL Carros apontou em setembro de 2010: o monovolume AirCross, então recém lançado, era a grande jogada da francesa Citroën para ampliar sua participação no mercado brasileiro. Para isso, no entanto, o modelo deveria deveria "vender cerca de 2.000 unidades a cada mês para ajudar decisivamente nesse crescimento" (releia aqui a análise do editor Claudio de Souza). Apenas quatro meses depois, bastar observar as ruas para perceber que o monovolume agradou ao público e já detém importante parcela do mercado.

A confirmação disso vem da Fenabrave, entidade que representa os revendedores de automóveis, cujo balanço já aponta o aventureiro produzido no Rio de Janeiro como segundo modelo mais vendido da marca francesa, atrás apenas do hatch compacto C3 e muito perto da meta estipulada (1.668 unidades foram emplacadas em dezembro).

Ainda naquela ocasião, testamos o AirCross por uma semana, e ao final do período ficou claro que ele não era um SUV, nem um crossover, e sim um "carro urbano fantasiado com extrema competência pela Citroën". Sendo assim, como ele se sairia dentro da rotina urbana? O que oferece a cada manhã, ao deixar a garagem, a cada um dos quase 5.000 brasileiros que o compraram até o final de 2010? A resposta veio com um teste mais longo, por cerca de um mês, durante o qual encaramos todo tipo de situação enfrentada por um paulistano no período de festas de final de ano, férias e viagens de verão.

Listamos abaixo as principais ocorrências e observações obtidas após rodarmos pouco mais de 1.000 quilômetros a bordo do Citroën AirCross Exclusive (versão top):

NAS RUAS - Na versão testada, o modelo começa em R$ 61.900 mais os R$ 710 da cor escolhida (caso não seja a branca), com itens de série como ar-condicionado digital, bancos de couro, airbag duplo, rádio Pioneer for Citroën, freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuidor de força de frenagem), limitador e regulador de velocidade e volante revestido com couro. O sistema de navegação MyWay com tela de LCD e GPS encravado no painel superior custa R$ 2.400 e é opcional exclusivo da versão (recomendamos a compra do item, mas lembre-se: o GPS nunca deve substituir o bom senso do motorista, apenas auxiliá-lo). Também são opcionais os airbags laterais, acionamento automático dos fárois, sensores de estacionamento (com indicação gráfica, caso haja a tela de LCD) e de chuva, estes custando R$ 2.300.

Nesta configuração, o AirCross é imponente para quem olha (ainda hoje o monovolume provoca torções de pescoço por onde passa) e extremamente prazeroso para quem o ocupa. E isso é o que mais importa quando o assunto é carro, certo?

Quase.

O desempenho merece um senão, infelizmente. Embora o câmbio seja muito preciso e agradável de se manipular, o motor de 1,6 litro flex do AirCross -- velho conhecido do público consumidor da Citroën e de sua parceira Peugeot -- é apenas suficiente para empurrar o carro. No dia a dia, indo do trabalho para casa e retornando, você certamente não terá maiores reclamações. Ele até aguenta um pouco mais de pressão no pedal da direita, e os mais jovens não terão motivos para passar vergonha junto aos amigos ao exigi-lo.

Mas experimente ter de mantê-lo num ritmo alto e forçado por mais tempo (como em vias rápidas e longas) ou ter de encarar uma ladeira mais íngreme com alguma carga ou mais pessoas no banco de trás. Sua cara certamente se fechará ao ver o fôlego do AirCross se esvair, junto com o combustível. E este é, talvez, o maior pecado do modelo: é quase inadmissível gastar 1 litro de etanol a cada 3,5 quilômetros percorridos num carro desse porte. Um motor de maior capacidade aliado a um câmbio com sexta marcha poderia resolver a situação -- e reduzir o gasto pós-compra.

NO MERCADO - Aleluia! Um carro com estepe traseiro fácil de se operar. Dê um clique no botão da chave e destrave o mecanismo, puxe o gatilho e traga o suporte para a esquerda. Por fim, aperte a "almofadinha" oculta que abre a tampa do porta-malas. Não é simples, porque nenhum desses sistemas é. Mas é o mais amigável (estamos falando de carros com estepe traseiro montado sobre suporte, e não diretamente sobre a porta, que fique claro). Aí, basta acondicionar até 403 litros de compras, cargas ou malas. Durante o teste, tivemos de carregar um caixa grande, com quase 1,5 m de comprimento, e que só coube no carro com os bancos traseiros rebatidos, em mais uma árdua missão -- porque dobrar os assentos é outra manobra complicada. Mas a ampliação do espaço para 1.500 litros compensa. 

NA ESTRADA - Passou na casa da sogra, da mãe ou da tia e seguiu para a praia com o carro cheio de gente e de malas? Prepare-se para abusar da paciência e desenvolver seus músculos: acima, dissemos como o carro fica com menos gana quando é mais exigido, culpa do motor 1.6. Isso vale quase o tempo todo para o ciclo rodoviário. E a lotação (o AirCross fica mais confortável para todos se apenas quatro pessoas, duas à frente e duas atrás, o ocuparem) apenas deixará o modelo mais pesado. Ou, para a pessoa ao volante, bem mais pesado. Nossa dica é: aproveite a boa qualidade do som e do ar-condicionado e coloque gasolina no tanque: o consumo passará para a casa dos 9 km/l e você ficará mais calmo. Para quem vai como passageiro, vida mansa e conforto -- com amplo espaço para o carona e boa acomodação para quem está atrás, com direito a mesinha -- é o que se terá.

NO ESTALEIRO - Visitas ao posto de gasolina acabam sendo algo corriqueiro, já que o consumo elevado drena os 55 litros de combustível rapidamente. Mas a unidade testada nos "presenteou" com duas pausas inesperadas. A primeira foi motivada pelo alerta amarelo SERVICE aceso no painel de instrumentos quando o hodômetro apontava pouco mais de 150 km percorridos conosco. O frentista pediu para abrir o capô e foi o primeiro a se espantar: "A vareta está seca, nunca vi isso!" E lá se foram R$ 40 em óleo para o motor, cuja aferição tem de ser mais frequente do que o normal em outros modelos, aponta o manual do proprietário do AirCross.

O pior, porém, foi um barulho metálico e estridente, que surgiu quilômetros depois, a cada mexida no volante. Tão alto e preocupante que tivemos de acionar a Citroën. Um dia e meio depois, o carro retornou suave e silencioso como era no começo do teste. O diagnóstico, no entanto, foi ruim, do ponto de vista da baixa reparabilidade: o fluido da direção hidráulica  estava seco e precisou ser resposto, num carro com menos de 5 mil km rodados.

CONCLUSÃO - Após percalços, surpresas (boas e ruins), descobertas e constatações, fica claro (mais uma vez) que o AirCross joga no time dos carros de cidade, embora tenha boa vocação estradeira (sempre respeitando alguns limites da carroceria mais alta). Mas ficou patente, também, que o derivado do francês C3 Picasso pode ser mais do que um carro "de família" ou "de mulher", pecha ainda recorrente quando se fala de veículos da Citröen: ele tem características que o qualificam a jogar no time dos carros de imagem forte, bem como fatores que podem agradar ao público masculino, do executivo ao "boyzinho".

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