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Honda CR-V ganha pontos, e vendas, sendo comedido e 'de família'

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Honda CR-V 2010 ganha disputa pelo comprador com estilo comedido, mas correto Imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

20/10/2010 20h20

O Honda CR-V não é "moderninho" como o hatch Fit, não carrega rótulo de premium como o sedã compacto City, não é estiloso como o médio Civic, nem imponente como o grande Accord. A mesma relação pode ser feita trocando a "família Honda" pelos concorrentes diretos, Chevrolet Captiva e Hyundai ix-35, mais vistosos e até mais bem equipados. Na versão 2010, o ar de novidade fica por conta apenas da nova grade achatada, responsável por tirar o "bico de avião" da frente do carro e aproximá-lo do restante da linha.

Ainda assim, o SUV importado do México figura entre os mais vendidos da categoria em 2010. Na primeira quinzena de outubro, só ficou atrás do Ford EcoSport (1.617 unidades contra 825), que é menor e menos equipado e, claro, bem mais barato.

Segundo cálculos da Fenabrave, o CR-V é o quarto em vendas acumuladas no ano, com 13.174 unidades, atrás apenas de modelos menores (além do EcoSport, Hyundai Tucson e Mitsubishi Pajero, cuja tabulação de vendas engloba toda a gama Pajero, mas é formada principalmente pelo TR-4). Atrás dele estão o representante da Chevrolet, com 10.173 unidades, e o ainda estreante ix-35, que não emplacou 3.500 unidades. Não falamos do Kia Sportage antes, por dois motivos: o modelo coreano vendeu menos (7.085 no ano) e está no fim de seu ciclo -- uma nova geração será apresentada no Salão do Automóvel, entre o final deste mês e o começo de novembro. De toda forma, a verdade é que o consumidor está de olho no CR-V.

Duas versões estão disponíveis para venda no país, com diferença apenas de equipamentos e tração: a LX com tração dianteira custa R$ 88.410, enquanto a EXL com tração integral nas quatro rodas sai por R$ 102.190 (preços sem frete válidos para São Paulo). Em ambas, o motor é o 2,0 litros de 16 válvulas a gasolina, dotado de comando da abertura de válvulas variável, e que pode entregar 150 cavalos de potência máxima a 6.200 rpm, com torque de 19,4 kgfm a 4.200 giros.

UOL Carros testou a versão de entrada LX, mais vendida, e pôde conferir outro atrativo do CR-V: o espaço interno é generoso, sem que  sensação de se estar num tanque-de-guerra.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Se antes de entrar em SUV você se prepara como se fosse escalar um ou mais degraus de uma escada, a surpresa do CR-V estará em sua altura para o solo mais "amistosa". Na verdade, olhando o modelo da Honda, por vezes, temos a impressão de estar diante de uma station wagon (sim, uma perua) anabolizada. Daí o modelo ser classificado por muitos como um crossover (nicho que mistura características de duas ou mais categorias de automóveis).

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    Traseira quase horizontal e caixas de rodas saltadas são características mais "parrudas" do CR-V, que no geral tem estilo bastante comedido e "amistoso"; na foto, a versão EXL

Independente da experiência visual e do porte, o fato é que este é um ponto favorável para o CR-V, que pode ser acessado sem dificuldade por pessoas de diferentes idades, alturas e condições -- algo primordial para um carro de pretensões familiares. Claro, sempre existem aqueles que escolhem o carro como se este fosse um encouraçado pronto a protegê-lo do mundo exterior ou, até, dotá-lo de poderes extraordinários. O CR-V, com certeza, não é a escolha para estes, mas irá agradar a quem procura um carro com aspecto mais amistoso.

Já instalado, a impressão é de se estar num veículo muito maior do que o CR-V de fato é -- fica difícil, até, evitar a ideia de se estar numa "barca". São 4,57 metros de comprimento total, com generosos 1,82 m de largura e 2,62 m de espaço entre-eixos, que garantem espaço mais que suficiente para cinco ocupantes. No porta-malas "duplo deck", o volume de cargas pode ir de 1.011 litros a 2.064, com o aproveitamento dos dois compartimentos e do rebatimento dos assento traseiro, que é tripartido e conta com um prático sistema de dobra.

A visibilidade para o motorista também é boa e um retrovisor interno auxiliar (convexo) contribui neste ponto, além de servir para manter os ocupantes de trás sob vigilância constante. Ainda assim, os inexistentes sensores de estacionamento seriam bem-vindos.

Aliás, a ausência de alguns equipamentos, sobretudo na versão LX, é a grande falha do CR-V: há controle de velocidade,  ar-condicionado com saída para a fileira traseira, bom acabamento interno mesmo contanto só com tecido nos bancos, freios com ABS, airbaig duplo frontal (número reduzido para um carro familiar), um rádio simples com tocador CD e só. Para ter faróis de neblina, controle de estabilidade, airbags laterais, ar dual zone, controles de áudio no volante, conexão para tocadores, sensores de chuva e luminosidade, e um sistema de som mais sofisticado tanto em termos de conexão quanto de design do aparelho, só pagando mais pela versão EXL, que traz também tração 4WD. O problema é pagar quase R$ 15 mil a mais por isso.

Felizmente, o CR-V volta a agradar na pista. O câmbio automático de cinco velocidades (sem possibilidade de trocas manuais) trabalha sob  comando do chamado Logic Control, que ajusta o ritmo de trocas de acordo com o estilo de condução do motorista e mantém o desempenho adequado. Atente: adequado, não esportivo -- a tocada do CR-V será sempre comedida, segundo a proposta familiar do modelo. E isso também leva a um consumo razoável, na casa dos 8,5 km/l na cidade e quase 11 km/l na estrada -- mas se você insistir em ignorar os rótulos de "comedido" e "familiar" e abusar do pedal, vai acabar com abusados 6,5 km/l piscando no visor do computador de bordo. Viu como, às vezes, é bom ser comedido?

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