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Marcas de luxo baixam preços atrás de maiores vendas no Brasil

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Modelos como o BMW X1, premium com preços mais em conta, estão em alta no Brasil Imagem: Divulgação

Da Autopress

09/08/2010 11h53

O que as montadoras de luxo mais almejam é uma forma de aumentar o volume de vendas sem vulgarizar a marca. E, depois da crise no mercado europeu, o cenário automotivo brasileiro se tornou favorável -- assim como o mercado chinês -- para que as marcas chamadas premium investissem em novos consumidores. Especialmente os de classe média-alta. São pessoas que, pela primeira vez, querem adquirir um veículo requintado.

A questão é que vendas consistentes estão, normalmente, ligadas a um preço mais acessível, que varia de acordo com o segmento. Para se enquadrar nessa característica, as montadoras adotaram a estratégia de simplificar seus produtos, seja oferecendo veículos com motores menos potentes ou diminuindo a quantidade de equipamentos de série. "Mesmo sendo veículos mais simples, oferecem uma gama de itens que, às vezes, nem estão disponíveis nos modelos produzidos localmente", argumenta Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

A alemã BMW viu seu volume de emplacamentos aumentar depois de lançar a configuração X1 sDrive18i, com motor 2,0 litros de 150 cv, em maio. A estreia fez com que as vendas passassem de 155 unidades para 275 unidades em junho. Em julho, a marca comercializou 239 unidades. O SUV de entrada aparece por R$ 114.900, equipado com ar-condicionado automático, câmbio automático de seis velocidades, sensor de chuva, airbags frontais, laterais e de cabeça para motorista e passageiro. Seu maior concorrente é o Volkswagen Tiguan. "Sabíamos que as vendas aumentariam, mas a demanda superou as expectativas e hoje o modelo tem lista de espera nas concessionárias", gaba-se Marcelo Silva, diretor de marketing e vendas da BMW.

O veículo de entrada da marca, o hatch 118i, também atrai um público mais jovem e acumula boas vendas, muito por conta de seu preço sugerido: R$ 99.500. A somatória dos seis primeiros meses do ano resulta em 1.154 unidades emplacadas. Em junho, porém, foram apenas 79 unidades vendidas. Talvez por conta de um canibalismo dentro da marca provocada pela chegada do X1 de entrada.

A inglesa Land Rover foi outra que se aproveitou do bom momento do mercado nacional para engordar o volume de veículos que saem das concessionárias. O utilitário de entrada Freelander 2 representa 50% de vendas atuais da marca e soma 1.505 unidades desde janeiro. O preço sugerido do modelo com motor 3.2 litros de 233 cv é de R$ 115 mil -- valor que foi ajustado devido à valorização cambial do real em relação ao dólar. "Houve uma mudança do perfil do cliente e a movimentação econômica no país possibilitou essa migração para as marcas premium. A aceitação do modelo é enorme e achamos um campo fértil com esse novo público", comemora Luiz Tambor, diretor de marketing da Land Rover.

No mesmo modismo atual de utilitários esportivos, a Volvo comemora a boa fase de vendas do XC60, que equivale a 80% dos veículos que são emplacados pela montadora no mercado brasileiro. O modelo custa R$ 138 mil e tem como principal concorrente o Ford Edge. "Essa versão básica pega concorrentes de outras marcas que não são de luxo. Vencemos no custo/benefício e no atrativo de ser uma marca de luxo", valoriza Hernane Faria, coordenador de marketing da Volvo.

Só que nem sempre o automóvel de entrada é o mais vendido. A Audi, por exemplo, tem mais sucesso no sedã A4, mais completo e oferecido por R$ 140 mil, do que no hatch A3, de R$ 110 mil. "Muitas marcas estão qualificando novos consumidores e isso é interessante. Só que nesse momento, não é o objetivo da Audi tirar itens de conforto de um veículo para pegar cliente de um segmento não-premium", afirma Leandro Radomile, diretor comercial da Audi. Mesmo assim, o executivo admite que a vinda do compacto A1, em breve, irá atender à demanda para um público iniciante da montadora.

LONGA VIAGEM
Com um maior volume de venda das marcas premium no primeiro semestre, Audi, BMW, Mercedes-Benz, Land Rover e Volvo registraram, juntas, 17.030 unidades comercializadas. A Mercedes-Benz segue na liderança das montadoras de luxo, com 6.702 unidades, seguida por BMW, com 4.487, e Land Rover, com 2.845. A quarta posição é ocupada pela Audi, com 1.687, seguida da Volvo, com 1.309 unidades vendidas.

E todo esse pedido extra nas concessionárias implica em uma demora maior da vinda dos modelos do exterior. A espera por um Discovery, da Land Rover, pode levar até 120 dias. O prazo é praticamente o mesmo para o XC60, da Volvo, que vem da fábrica da montadora na Bélgica, ainda de propriedade da Ford, que produz lá os modelos Kuga, S-Max e Mondeo.

O utilitário esportivo alemão BMW X1 pode levar até um mês para ser estacionado na garagem do novo dono. "O consumidor brasileiro é louco por novidades, ainda mais com os preços em patamares mais acessíveis, o que proporciona o crescimento dos importados", completa Garbossa. (por Karina Craveiro)

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