Carros

Mercado fecha primeiro semestre de 2010 aquecido e deve manter ritmo até final do ano

Da Autopress

09/07/2010 11h50

Entre altos e baixos, o primeiro semestre de 2010 foi agitado para a indústria automotiva brasileira. O resultado, entretanto, foi positivo: em números gerais, o fechamento dos seis primeiros meses do ano mostrou bom volume de comercialização e muitos lançamentos, um sinal claro da disputa por vendas em cada segmento. Essa disputa, que ganha novas formas a cada mês, teve como pano de fundo dois cenários distintos, se considerarmos o pré e o pós IPI.

Entre janeiro e junho deste ano foram comercializados 1,49 milhão de carros de passeio e utilitários. Um avanço de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 1,39 milhão de unidades foram emplacadas, segundo dados da Fenabrave. O início do ano foi marcado pelo pessimismo, com as vendas em baixa e um janeiro com queda de 27%. Em contrapartida, o sexto mês do ano fechou em leve alta de 4,65%, com 262.780 unidades comercializadas.

Um mês para lembrar

Dentre os seis primeiros meses de 2010, março é o que deixará mais saudades na indústria automotiva. O resultado das vendas, no entanto, já era, em parte, esperado. Março foi marcado como o último mês com o desconto do IPI, o que resultou em uma alta surpreendente de 59,61% em relação a fevereiro -- com 337.381 unidades comercializadas.

Na comparação o mesmo período de 2009, o crescimento foi de 29,27%, de acordo com a Fenabrave. O mês recorde da indústria, até então, tinha sido setembro de 2009, quando foram comercializadas 310 mil unidades. “Essa explosão das vendas foi além das expectativas”, confirma o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze.

Para a indústria de importados, o terceiro mês do ano também foi importante. A Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva) registrou 8.716 unidades de veículos comercializados, número 60,7% superior aos emplacamentos de fevereiro. Já na comparação com março de 2009, a associação registrou um aumento de 245%.

Na visão das montadoras, o semestre pode ser explicado exatamente de acordo com os diferentes patamares dos dois trimestres. Janeiro, fevereiro e março foram meses em que as fabricantes apostaram todas as suas fichas no mercado, na onda do fim do IPI, para atrair a clientela e vender todas as unidades possíveis.

“As fabricantes atuaram fortemente nesse período e tentaram tirar o máximo proveito desse mercado com a redução do imposto”, confirma Ronaldo Znidarsis, diretor geral de marketing e vendas da General Motors do Brasil. E a tal correria de quem emplaca mais resultou em um março histórico para a indústria, com 337.381 unidades. “O consumidor aproveitou os incentivos, somados aos longos prazos de financiamento e às baixas taxas”, reforça Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.

A surpresa para a indústria foi um abril “de ressaca”, com clientes que aproveitaram os carros faturados ainda com o antigo IPI -- e 261.922 veículos emplacados. Para o quinto mês do ano, o sentimento era de incerteza, com boa parte dos fabricantes acreditando que, devido ao fim da isenção do imposto, maio seria um dos piores meses. Ao todo, 235.674 automóveis ganharam as estradas brasileiras. “Maio chegou a recuar, mas não tanto quanto todos esperavam. Enquanto isso, o mês de junho era uma espécie de esperança para a retomada das vendas”, opina Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan.

E foi o que aconteceu. O último mês do primeiro semestre resgata a confiança dos fabricantes e faz com que a segunda metade do ano seja vista como um período de novas oportunidades. A tendência agora é um patamar de vendas mais normalizado, onde as montadoras consigam somar bons números em função dos longos prazos que ajuda o consumidor na hora da compra. “O esperado é que o mercado mantenha a média atual de veículos emplacados até meados de outubro”, completa Paulo Roberto Garbossa, afirmando ainda que novembro e dezembro devem ter um crescimento um pouco maior. “O mercado está se comportando como o previsto. Mas esse mercado acomodado não significa um segundo semestre estagnado. Seguramente julho será melhor do que junho e a alta esperada do ano é de 7%”, finaliza Sérgio Reze, presidente da Fenabrave.

O que não mudou no primeiro período de 2010, no entanto, foi a guerra particular entre Fiat e Volkswagen, que também disputam o status de ter o veículo mais vendido do país. A montadora italiana encerrou o primeiro semestre com 341.443 automóveis e veículos comerciais leves emplacados no mercado, e uma vantagem superior a 28 mil unidades sobre a alemã Volkswagen, que acumula 313.443 unidades. Já a General Motors acumula 302.183 unidades comercializadas nos primeiros seis meses do ano, enquanto a Ford soma 154.053 veículos emplacados no mesmo período.

Um dos modelos de maior destaque da Fiat, o Uno ganhou um grande impulso com o lançamento da nova versão, em maio, elevando as vendas do modelo para mais de 19 mil unidades em junho. E encostou no Volkswagen Gol, veículo mais vendido do Brasil, com 22.179 unidades. Este novo desenho do mercado não foi bem digerido pela empresa alemã, que deixou claro que não aceita abordar esse assunto. Já na Fiat, o humor é bem melhor. “As perspectivas para o ano de 2010 são de crescimento em linha com o mercado, em torno de 8%. O novo Uno e os lançamentos de carros que faremos ao longo deste ano nos ajudarão a manter a liderança do setor”, afirma otimista o diretor comercial da Fiat, Lélio Ramos. (por Karina Craveiro)

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