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Mercado de viaturas policiais cresce no Brasil e atrai fabricantes

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Novo Fiat Uno já reforça frota da Polícia Militar de Minas Gerais Imagem: Divulgação

Da Auto Press

08/07/2010 13h48

Picapes, utilitários esportivos, automóveis de passeio e motocicletas, usuais nas ruas brasileiras, estão cada vez mais “fardadas”. A serviço das polícias Federal, Rodoviária, Civil ou Militar, diferentes modelos de vários segmentos ganham sirene, giroscópio, rádio e adesivos específicos. As motocicletas adaptadas, além de sirene, grafismos e sinalizadores, recebem mata-cachorro, antena contra linha-de-pipa e bauleto. O mercado cresce na mesma proporção em que a Segurança Pública se torna uma das principais preocupações da sociedade brasileira. O segmento movia pouco mais de 5 mil unidades/ano em 2000 e hoje já alcança 24 mil unidades anuais -- quase quintuplicou em menos de 10 anos, o que motiva novas marcas de olho nesse interessante volume de vendas.

No ano passado, a Renault vendeu modelos Mégane e Sandero para a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A Ford comercializou 102 sedãs Fiesta para a Polícia Civil de São Paulo. O novo Fiat Uno já serve à Polícia Militar de Minas Gerais. A Nissan se animou e vai promover uma estreia diferente: no nicho há pouco mais de cinco anos, fechou a venda de 470 veículos para a Polícia Rodoviária Federal em 2010 -- são 170 unidades da picape Frontier e 300 do Nissan Tiida sedã, modelo que só chega comercialmente nas revendas em meados de julho; no ano passado, foram 120 unidades da picape Frontier.

“Conceitualmente este mercado está crescendo e existe um potencial enorme, ainda mais com as Olimpíadas no Rio e a Copa do Mundo no Brasil, que vão demandar mais aparato de segurança”, ressalta Abelardo Pinto, diretor de vendas da Nissan. No começo de junho, Florianópolis (SC) sediou a 10ª edição da Interseg (Feira Internacional de Tecnologia, Serviços e Produtos para a Segurança Pública), com a exposição de vários carros para forças policiais e empresas de segurança privadas.

O processo de venda é comum a toda comercialização para órgãos públicos. Primeiramente, é feita uma licitação. Escolhido os carros que vão virar viaturas, chega a fase de transformação. Só que os carros que vão servir às polícias, estruturalmente, são iguais aos “civis”. Não há mudanças no que diz respeito a amortecedores, freios, pneus etc, apesar de as viaturas de segurança terem uma vida útil quase 50% menor na comparação com o uso “normal” de um cidadão, por rodarem mais e em condições mais severas de aceleração e frenagem. “Geralmente é o mesmo carro e as empresas homologadas fazem esse tipo de alteração”, explica Marcello Paixão, supervisor de vendas diretas da Ford.

O carro também é muito próximo dos encontrados nas revendas. Quando são viaturas para transporte de presos, por exemplo, são dotadas da chamada "cela light", na qual o banco traseiro é substituído por um banco de fibra com uma divisória protetora entre a parte traseira e dianteira do veículo. Há ainda a "cela pesada", geralmente aplicada no porta-malas de station wagons. Na parte de equipamentos, geralmente, os veículos para patrulhamento das polícias Civil e Militar chegam aos órgãos “pelados”. “Os carros geralmente são mais básicos, com conteúdo mínimo necessário a sua operação. O foco é na utilização do produto”, explica Francelino Schiling, diretor de vendas diretas da Fiat.

Mas há exceções. “Os equipamentos na sua maioria são básicos, somente com direção hidráulica para facilitar as manobras”, ressalta Jean Carlos Tezzon, gerente regional de vendas diretas da General Motors. Segundo os executivos do setor, há algumas autarquias que pedem ABS e airbag duplo para as viaturas. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo comprou unidades do Ford Fiesta equipadas com ar-condicionado e direção hidráulica. No caso do Tiida sedã da Polícia Rodoviária Federal (PRF), todos os veículos seguem com os equipamentos básicos da linha: ar, direção elétrica e travas e vidros elétricos. Para os setores de investigação, já há mais pedidos para ar-condicionado também, para que os policiais possam andar com janelas fechadas e com película no vidros. “Varia de órgão para órgão, mas existe uma tendência por carros completos”, garante Abelardo, da Nissan.

E vender carros para polícia também serve de marketing. Afinal, ter um modelo que serve à segurança pública pode agregar imagem de robustez e confiabilidade ao produto e à marca. “No caso das motocicletas, apresenta diferenciais como agilidade, praticidade e versatilidade”, valoriza Antônio Massao Yamamoto, supervisor de vendas para governo e frotistas da Honda. “É importante para a marca ter um carro rodando por uma autarquia, pois há uma exposição da marca, do produto. Reforça a marca junto ao cliente e às autarquias”, enaltece Marcello, da Ford.

Os veículos que viram viaturas usam os mesmos motores dos modelos vendidos normalmente nas concessionárias. Só que as autarquias optam pelas versões com propulsores maiores, com potência indispensável para eventuais perseguições. Os modelos Ford Fiesta sedã adquiridos pela Polícia Civil de São Paulo usam sempre motor 1.6 flex com 112 cv de potência máxima (com etanol). No caso das picapes Nissan Frontier compradas pela PRF, todas têm o motor 2.5 16V turbodiesel de maior potência: 172 cv (a outra versão tem 144 cv). “Normalmente as polícias Civil e Militar optam pela propulsão 1.6. Dá agilidade e velocidade dentro de uma cidade. Na PRF tem uma demanda por carros com motor 2.0, pois a relação custo/benefício é melhor”, diz Paixão, da Ford.

A procura por picapes e SUVs é bem específica também. Geralmente, a PRF, a Polícia Federal e forças de segurança florestais recorrem a veículos deste porte. E geralmente com tração nas quatro rodas, para ampliar a versatilidade da viatura. Cerca de 60% das Frontier fornecidas para a PRF têm tração 4x4. “Uma curiosidade é que em algumas picapes, os vidros traseiros não descem totalmente. Aí precisa fazer adaptação e deixar o vidro inteiro para que a viatura possa rodar com todos os vidros totalmente baixados”, explica Pinto, da Nissan. (por Fernando Miragaya)

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