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Com o etanol como alternativa, veículos elétricos ainda engatinham no Brasil

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Nissan Leaf, carro elétrico cujo preço nos EUA é de cerca de US$ 28 mil; Prefeitura de São Paulo assinou protocolo com a montadora para usar modelo na frota da CET Imagem: Divulgação

Da Auto Press

25/06/2010 18h14

Na Europa, os veículos híbridos e elétricos são vistos como solução ideal -- e talvez única -- de modelos sustentáveis para o futuro. Já no Brasil o carro movido a eletricidade divide opiniões. O próprio governo brasileiro suspendeu recentemente um pacote de incentivos aos carros elétricos. Há o temor (velado, talvez) de que os modelos movidos por baterias possam prejudicar a comercialização e a competitividade do etanol brasileiro. O fato é que o país desenvolveu uma tecnologia alternativa aos combustíveis fósseis que tem funcionado bem. E, como o Brasil não não é um desenvolvedor de tecnologia elétrica, e sim um comprador, parece não fazer muito sentido, pelo menos por enquanto, investir em outra solução que não seja o etanol e o biodiesel.

 

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    Mercedes-Benz S400 Hybrid, pioneiro do sistema no Brasil: seu por "módicos" R$ 445 mil

A importância dos veículos elétricos a longo prazo é inquestionável. Tecnologias alternativas aos carros movidos por derivados do petróleo são necessárias para frear a poluição e acabar com a dependência de recursos esgotáveis. Nesta "batalha", as montadoras investem nos veículos elétricos e apostam nas variantes híbridas como forma de "transição".

A PSA Peugeot Citroën, por exemplo, acredita que 4,5% dos automóveis vendidos nos principais mercados da Europa em 2020 serão movidos a eletricidade. "Hoje existe um contexto positivo para os elétricos: busca pela redução de emissões, alta do preço do petróleo, novas tecnologias de baterias e demandas dos consumidores no que diz respeito à mobilidade", afirma Ayoul Grouvel, diretor-responsável mundial de veículos elétricos da PSA. Mesmo em desenvolvimento, a tecnologia elétrica encontra uma série natural de obstáculos, principalmente em mercados emergentes como o brasileiro. O maior deles é o preço elevado dos elétricos.

"De um modo geral, os elétricos têm um custo inicial alto pela bateria, tecnologia envolvida e mecânica complicada", diz Pietro Erber, diretor-presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Mesmo os modelos híbridos custam mais que a variante movida a combustão. Exemplo do Porsche Cayenne S e sua versão S Hybrid, que custam, respectivamente, 72.686 euros e 78.636 euros na Europa -- uma diferença de 5.950 euros (cerca de R$ 13 mil).

ONDE ESTÃO OS HÍBRIDOS?

Apesar de veículos 100% elétricos ainda não serem uma alternativa viável para o mercado brasileiro, a variante híbrida começa a ser uma realidade por aqui, assim como em grande parte do mundo. O primeiro automóvel equipado com esta tecnologia a ser vendido no Brasil é o Mercedes-Benz S 400 Hybrid, onde o motor 3.6 V6 a gasolina trabalha em conjunto com um motor elétrico de 20 cavalos. Isso garante, segundo a montadora, um consumo médio de combustível de 12,66 km/l. O preço é elevado, como não poderia deixar de ser para um modelo Mercedes: o S400 Hybrid parte de R$ 444.963.

O Toyota Prius, o mais famoso e bem-sucedido híbrido do mundo, é outro que deve chegar às ruas brasileiras. O modelo, equipado com motor 1.8 a gasolina de 98 cv e com um propulsor elétrico de 80 cv, já está sendo fabricado no México, país que tem acordo alfandegário com o Brasil, o que aproxima o modelo do mercado brasileiro. Por aqui o Prius deve custar entre R$ 70 mil e R$ 80 mil, disputando mercado com versões top de sedãs médios.

O Salão do Automóvel de São Paulo, que acontece em outubro, mostrará outros modelos que podem vir a ser comercializados no Brasil. Estão cotados para vir, entre outros, carros como BMW ActiveHybrid 7, Porsche Cayenne Hybrid, Nissan Leaf, Peugeot 3008 e BB1, entre outros.

Os híbridos tendem a estar cada vez mais presentes nas ruas de todo o mundo. Hoje esta tecnologia está sendo desenvolvida até mesmo por marcas premium e esportivas como Jaguar (XJ híbrido, previsto para 2013 ou 2014), BMW (Séries 3 e 5) e Ferrari (599 GTO, em 2012 ou 2013).

Com alto custo inicial e valores operacionais mais baixos, uma solução para os híbridos seria atuar em um segmento como o de transportes urbanos. "É preciso focar sua utilização em nichos específicos e de alta utilização para compensar a compra, ou então simplesmente o consumidor compra outro modelo, por ser mais barato", avalia Francisco Emílio Baccaro Nigro, assessor técnico do Governo de São Paulo. "Este mercado deveria começar por veículos de serviço, de administrações e alugados", sugere Jean Pierre Lamour, diretor técnico do Michelin Challenge Bibendum, evento mundial de sustentabilidade cuja 10ª edição, no início de junho, ocorreu no Rio de Janeiro.

ENERGIA TEM PREÇO
Outro problema é o custo da energia. No Brasil, o preço varia de acordo com a distribuidora encarregada de retransmiti-la. Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, o preço é de respectivos R$ 0,31 e R$ 0,29 por kWh, chega a custar R$ 0,42 por kWh na Usina Hidrelétrica Nova Palma, no Rio Grande do Sul. Em média, a energia no Brasil custa R$ 0,32 por kWh, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Já nos Estados Unidos, onde cada Estado determina o preço que será cobrado pela energia, o custo médio da energia registrado pelo U.S. Energy Information Administration é de US$ 0,09 por kWh, o equivalente a R$ 0,15 -- menos que a metade do que é cobrado por aqui. "A energia elétrica no Brasil em relação aos Estados Unidos é bem mais cara, assim como o combustível. Proporcionalmente, a energia consegue ser mais cara ainda", confirma Nigro.

Ainda que o carro 100% elétrico seja pouco adequado à realidade brasileira, há por aqui algumas iniciativas nessa área. A Fiat projetou em 2006 o Palio Elétrico, criado em parceria com a Hidrelétrica de Itaipu. Ele era equipado com propulsor de 15 kW, gerava cerca de 20 cv e tinha autonomia de 120 km. Outro projeto foi o Palio Weekend Elétrico. Mesmo assim, os elétricos da Fiat estão longe de circular nas ruas brasileiras -- graças, novamente, ao preço elevado. "Uma Palio Weekend parte de R$ 41.330. Já uma elétrica custaria ao redor de R$ 150 mil. Isso acontece por causa do custo da bateria e do motor, que são importados, e pelo fato de carros elétricos estarem na fatia de maior taxação de impostos no Brasil, que é igual a de veículos acima de 2.0", justifica Carlos Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat.

Estudos europeus ainda apontam que os modelos movidos a baterias têm seus preços depreciados muito rapidamente. Chegam a perder 90% de seu valor inicial em apenas cinco anos. O motivo seria o desgaste natural das baterias ao longo do tempo. Estima-se que o elétrico Nissan Leaf deverá custar menos de 4.000 euros em cinco anos, cerca de 10% do valor inicial atual do modelo. E até mesmo o Brasil já conta com uma opção de veículo 100% elétrico: o pequeno Reva-i, fabricado na Índia e importado pela ElecTrip. Equipado com motor de 13 kW, o compacto tem autonomia de 80 km e pode alcançar 80 km/h. Seu custo é de aproximadamente R$ 72 mil. Preço similar ao de um sedã médio completo, mas que, quem sabe, pode atrair consumidores atrás de uma "atitude ecológica". (por Marcelo Cosentino)

FIQUE LIGADO

Em sete Estados -- Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe -- os veículos movidos a motor elétrico são isentos do IPVA
O Programa de Restrição à Circulação de Veículos Automotores na Região Metropolitana da Grande São Paulo, mais conhecido como rodízio de veículos, não se aplica a veículos elétricos
Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul têm alíquota do IPVA diferenciada para elétricos
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Entre os modelos da BMW, a diferença do Série 7 ActiveHybrid 7 e do 740i a gasolina na Europa chega a 26.600 euros, cerca de R$ 58 mil
Segundo a Oica (Internacional Organization of Motor Vehicle Manufacturers), o transporte rodoviário é responsável por 16% das emissões de CO2 no planeta.



 

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