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Pequeno, charmoso e invocado, A1 'encolhe' as qualidades da Audi

Divulgação
Compacto, Audi A1 mistura vigor de "foguete de bolso" com estilo "antenado" Imagem: Divulgação

Claudio de Souza

Do UOL, em Berlim (Alemanha)

16/06/2010 19h49

A Audi lançou mundialmente nesta quarta-feira (16), em Berlim, na Alemanha, o A1, seu menor modelo e sua grande aposta para atingir um novo consumidor de carros: jovem, urbano, solteiro ou casado-sem-filhos, sem tanto dinheiro no banco e, além de tudo isso, preocupado ao mesmo tempo com ambiente e imagem pessoal.

Com apenas 3,95 metros de comprimento -- pouco mais que um Volkswagen Gol --, o A1 ataca com um visual mais incisivo do que a média da gama Audi, caracterizado pela grade frontal (ainda em forma de "bocão") ligeiramente mais "áspera" e pelo conjunto óptico curvilíneo, detalhes que dotam o carro de uma certa aura agressiva e esportiva. A carroceria de duas portas e a linha de cintura alta, com o teto em arco amarrando uma traseira com vincos e recortes, reforçam essa impressão.

Dá para dizer que o A1 é aquele típico baixinho invocado encontrável em toda turma que se preza...

Oferecido na Europa com motores 1.2 e 1.4 a gasolina e 1.6 a diesel, os três turbinados e os dois primeiros com injeção estratificada do combustível (sistema que otimiza o consumo), o A1 será visto pela primeira vez no Brasil em outubro, durante o Salão do Automóvel de São Paulo -- as unidades destinadas ao evento já estão prontas. O A1 é fabricado em Bruxelas (Bélgica), numa unidade que montava modelos Volkswagen (dona da Audi). A capacidade de produção é de cerca de 500 unidades/dia.

Quando chegar às lojas do Brasil, no primeiro trimestre de 2011, o A1 trará sob o capô apenas o motor de 1,4 litro, capaz de gerar 122 cavalos de potência a 5.000 giros e 20 kgfm de torque numa ampla faixa entre 1.500 e 4.000 giros. De acordo com a Audi, o trem de força será completado pelo câmbio S tronic de sete marchas, sistema automatizado que conta com dupla embreagem (e prévia consagração no hatchback A3). O A1 possui ainda sistema start/stop, que desliga o motor quando há uma parada, reativando-o após nova pressão no acelerador.

O pacote que será vendido aqui é o mais alto da gama, batizado na Europa de Ambition e descrito pela própria marca como mais esportivo e dinâmico do que a outra configuração, a Attraction.

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    Audi A1 no lançamento mundial, no Portão de Brandemburgo, em Berlim (Alemanha);
    o modelo chega ao Brasil no Salão de São Paulo, e deve custar cerca de R$ 90 mil

Os preços do A1 na Europa vão de 15.800 euros (Attraction com motor 1.2) a 21.300 euros (Ambition 1.4 com câmbio S tronic). No Brasil, segundo apurado por UOL Carros, o valor pedido pelo modelo -- provavelmente com um pacote de opcionais ainda por ser definido oficialmente -- deve girar em torno de R$ 90 mil. Com isso, o carrinho da marca alemã bate de frente com o Mini Cooper, que começa nesse patamar. Não deixa de ser uma estocada na rival BMW, que é dona da Mini e lidera as vendas de carros premium no mercado verde-amarelo (a Audi está em terceiro, atrás da Mercedes-Benz).

De certo, o A1 que será oferecido aos brasileiros terá: para a segurança, seis airbags, ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força) nos freios, além de controle de estabilidade e limitador de velocidade; para o conforto, regulagem de altura nos bancos dianteiros e no volante, bancos esportivos, ar-condicionado automático (analógico e de uma zona de resfriamento) e partes revestidas com couro.

O pacote inclui ainda uma tela de 6,5 polegadas escamoteável no alto do painel frontal, a qual, na Europa, pode conter um programa de navegação bastante eficiente (a ver como isso será resolvido no Brasil), além de apresentar informações do sistema de som; e computador de bordo com as funções usuais. Rodas de liga-leve de 16 polegadas calçadas por pneus bastante baixos, de medida 215/45, e saída do escapamento cromada completarão o "nosso" A1.

DESCOLADO? JUSTIN TIMBERLAKE?

  • Como divulgar um modelo tratado pela fabricante como descolado, antenado, jovem e endiabrado? A Audi chamou o astro pop Justin Timberlake, para protagonizar curtas que mostram o suposto jeito de ser do A1. Assista!

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
UOL Carros
participou do test-drive do A1 realizado nesta quarta entre Berlim e Potsdam, dirigindo por vias urbanas e estradas, sempre com asfalto de excelente qualidade. Infelizmente, o roteiro não incluiu as famosas autoestradas sem limite de velocidade -- a máxima permitida mais alta que encontramos foi de 130 km/h. Tivemos de conter o pé direito.

Uma pena, porque dirigir um carro pequeno com motor forte (típica descrição de um "pocket rocket", ou "foguete de bolso") que conte com um câmbio tão exuberantemente bom como o S tronic da Audi é um convite ao prazer de acelerar. Com torque máximo surgindo logo às 1.500 rotações do propulsor, o A1 oferece saídas e retomadas vigorosas. A transmissão passeia pelas sete marchas de forma tão suave e precisa que nem vale a pena se dar ao trabalho de fazer trocas manuais -- até porque o público-alvo do A1 deve usá-lo principalmente na cidade, onde o anda-para do trânsito transforma a operação manual (mesmo sem o pedal de embreagem) numa chateação sem tamanho.

A suspensão do A1 que testamos se mostrou macia, mesmo quando saímos do trecho programado e o colocamos numa rua de piso de pedras com muitas ondulações -- a leitura do terreno foi feita de maneira agradável para os ocupantes do carro (e isso apesar dos pneus de perfil bastante baixo). O silêncio a bordo também impressionou. No todo, uma receita que nos pareceu voltada mais ao conforto do que à esportividade, mas sem prejuízo à estabilidade -- baixo e relativamente largo, o A1 é bem grudado no chão, embora não disponha da tração integral quattro (ele é movido pelas rodas dianteiras).

A Audi europeia fala num consumo combinado de quase 20 km/l de gasolina, mas dirigindo dentro das regras de cada via e usufruindo do start/stop, obtivemos uma média de 12,4 km/l -- não impressionante, mas boa.

Deixamos para o final o que poderia ser o começo dessas impressões: como é estar na cabine do A1?

A sensação que se tem é a de que o carro é um até a coluna B e outro depois dela. Claramente feito para ser ocupado por até duas pessoas, o A1 chega ao "requinte" de ter apoios de braço revestidos nas portas dianteiras e de plástico duro para os eventuais dois ocupantes do banco de trás (um porta-copos divide o assento, eliminando o terceiro lugar). O espaço para os ocupantes extras é diminuto, apesar do razoável entre-eixos de 2,47 metros. E, com seu mediano 1,71 metro, este repórter sentiu a parte de trás da cabeça permanentemente encostada numa saliência do teto que fica logo acima da janela, algo que não é evitado nem pelo respectivo apoio -- um aparente risco à segurança caso o A1 se envolva numa batida mais forte. Também não há como abrir os vidros traseiros, e a linha de cintura muito alta passa a sensação de ficar afundado, transitando abaixo do nível dos outros carros...

À frente, no entanto, há espaço de sobra e os comandos têm boa ergonomia. Como de hábito, o acabamento não possui falhas perceptíveis a olho nu e usa materiais agradáveis. Os instrumentos têm apresentação mais simples que os de outros Audi, lembrando bastante a gama Volkswagen. Por sua vez, soluções ousadas, como as saídas de ar que se projetam para fora do painel e iluminação interna com LEDs (opcional), contam importantes pontos para o carrinho.

Concluindo, e sem correr o risco de ser injusto: ocupar o A1 é como estar num Gol G5 absurdamente mais sofisticado -- sua plataforma, a PQ25, é a mesmo do novo Polo e do Seat Ibiza, e é parcialmente usada no carro nacional -- e, melhor ainda, dotado de um trem de força moderníssimo, que tem tudo para se tornar padrão de qualidade numa época de downsizing, o qual busca mais economia de combustível e menores emissões poluentes. E tudo isso embalado num design de rara felicidade. Aguardemos. Mas só se for a dois!

Viagem a convite da Audi do Brasil

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