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Chery Cielo vem da China por R$ 41.900 para disputar consumidor de compactos

Murilo Góes/UOL
Hatch ou sedã, Chery Cielo custa R$ 41.900 e traz bom conteúdo de série Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio de Souza

Do UOL, em Indaiatuba (SP)

27/05/2010 13h03

A Chery apresenta nesta quinta-feira (27) o Cielo, segundo modelo da marca chinesa a ser importado para o Brasil (o primeiro é o SUV compacto Tiggo). O novo carro chega com carrocerias de dois e três volumes, ambas pelo mesmo preço: R$ 41.900.

Com design do estúdio italiano Pininfarina e portes de hatch médio (4,28 metros, pouco maior que um Volkswagen Golf) e sedã quase-médio (4,35 metros, como o Honda City), o Cielo traz sob o capô um motor 1.6 a gasolina, capaz de gerar 119 cavalos de potência (a tardios 6.150 giros) e 15 kgfm de torque (antes, entre 4.300 e 4.500 giros). O câmbio é manual, de cinco marchas.

Para emplacar até o final do ano cerca de 2.000 unidades do Cielo (1.400 do hatch, 600 do sedã) no Brasil, a Chery aposta na aparência diferenciada do dois volumes -- basta olhar as fotos feitas por trás para entender isso -- e numa relação custo/benefício interessante, se for levado em conta o conteúdo do modelo.

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De série, todos os Cielo trazem itens como ar-condicionado, direção hidráulica, retrovisores com controle elétrico, coluna de direção ajustável (apenas na altura), trio elétrico, rodas de liga leve de aro 16, som para CD e MP3 com entrada USB, tanque e porta-malas com abertura interna, luzes de neblina, sensor de ré e freios dotados de ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força da frenagem). Os porta-malas levam 337 e 395 litros (hatch e sedã, respectivamente). 

O consumo médio (urbano e rodoviário) divulgado pela Chery ficaria em torno de 8,7 km/l de gasolina. O plano de revisões nas atuais 33 concessionárias da marca no Brasil (estão previstas mais 28 até o final do ano) prevê uma primeira parada aos 2.500 km, gratuita; outra aos 10 mil km, a um custo aproximado de R$ 195; e mais uma aos 20 mil km, por cerca de R$ 270.

A Chery admitiu que certos concessionários da marca têm pedido ágio para entregar unidades do Cielo, que já está à venda -- o sobrepreço, segundo reportagem do site iCarros, pode chegar a R$ 5.000. Luis Curi, presidente da Chery no Brasil, disse que a empresa vai procurar esses lojistas para desaconselhar a prática. 

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QUEM É A CHERY
A Chery é a maior fabricante de carros da China com capital "independente" -- no caso, a palavra significa que não há participação de montadoras estrangeiras no negócio. No entanto, seu capital é 100% estatal. Por isso, "dinheiro não vai faltar", disse Curi durante a entrevista coletiva desta quinta, realizada em Indaiatuba, interior de São Paulo. "A Chery é a menina dos olhos do governo chinês", completou.

Surfando na onda da expansão econômica chinesa, a Chery entregou seu primeiro carro em dezembro de 1999, e em março último chegou ao carro de nº 2 milhões. Em 2009, emplacou 510 mil unidades, incluindo as exportações para mais de 80 países.

No Brasil, pretende vender até o final do ano 10 mil unidades -- 2.000 do Cielo, 3.000 do Tiggo e 5.000 do Face, compacto que deve chegar ao país antes do Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro. Neste evento, outros carros do portfólio da Chery deverão ser apresentados ao público.

Para o futuro da operação verde-amarela da Chery, devem ser desenvolvidos (na verdade, comprados prontos) propulsores bicombustíveis, e está nos planos uma fábrica própria, a ser instalada na região de Salto, também no interior paulista.

IMPRESSÕES A DIRIGIR
UOL Carros participou de um ligeiro test-drive do Cielo, realizado nesta quinta-feira (27) em trechos de rodovias da região de Indaiatuba (SP). Para produzir algumas das fotos que você vê nesta reportagem, chegamos a colocar o carro em terrenos mais acidentados, fugindo um pouco do asfalto de boa qualidade do itinerário inicial.

Antes de comentar o comportamento dinâmico do Cielo, um tema óbvio se impõe: qual a impressão geral passada por um carro que chega ao Brasil sob o estigma da suposta baixa qualidade (e zero originalidade) dos produtos chineses? Uma inspeção meramente superficial do Cielo já encontra alguns problemas: encaixes ruins ou aparentes (até em partes externas, como no "borrachão" do para-choques), rebarbas nos plásticos (embora não haja excesso dele) e materiais de baixa qualidade (o revestimento do volante parece prestes a descascar). Mas seria injusto condenar o carro a uma espécie de ferro-velho moral por causa disso. Há modelos das quatro grandes nacionais com tantas deficiências quanto o Cielo.

O que salta aos olhos nele são suas bizarrias, que provavelmente -- e não há preconceito nessa observação -- decorrem do fato de o Cielo ser um carro chinês transplantado para um mercado de viés europeu. O estranhamento é inevitável.

O painel tem um display central de considerável tamanho que fica apagado o tempo todo: ele contém apenas as luzes-espia de farol e lanterna de neblina. A janela traseira não tem limpador na versão hatch. O banco do motorista não possui regulagem de altura, e isso num carro vindo de um país cuja população masculina mede, em média, 1,68 metro. O sistema de som oferece entrada USB, mas do tipo mini -- o iPod não conecta a ela sem adaptador. O hatch possui duas saídas de escapamento -- para quê, num carro com motor aspirado de 1,6 litro?

 

 

Por outro lado, o design (aspecto extremamente importante para os brasileiros) do Cielo é caprichado. É assinado pelo estúdio Pininfarina, que deu um jeitão de arrojo e modernidade ao hatch -- especialmente devido às lanternas -- e bom porte e elegância ao sedã. Mesmo com a dianteira algo genérica, comum a ambas carrocerias, não dá para dizer que o Cielo é cópia de outro (ou outros) modelos. Ponto para a Chery.

Acomodados na cabine, de espaço adequado para quatro pessoas, e já acostumados ao interior de cor clara, demos a partida num Cielo hatch e fomos à estrada. Enquanto o motor está na faixa dos 3.000 giros, o silêncio a bordo é a primeira coisa que chama a atenção. O Cielo roda suavemente, apoiado em generosas rodas de 16 polegadas e pneus de medida 205/55.

A segunda coisa a se notar é que o motor 1.6 de origem austríaca, apesar dos 119 cavalos de portência (número bom para a capacidade) e 15 kgfm de torque, não é exatamente entusiasmante. O Cielo se mostrou fraco de saída e de retomada, e quando chegamos a uma velocidade de cruzeiro de 120 km/h praticamente deixou de reagir às provocações do acelerador. Em aclives, reduções até a terceira marcha devem ser a regra. A Chery informa velocidade máxima de 170 km/h -- e um palpite (não nosso, diga-se) para explicar tanta preguiça do propulsor é o mapeamento da injeção eletrônica, feito para privilegiar o baixo consumo de gasolina. A montadora divulga média mista de 9 km/litro.

A suspensão do Cielo é acertada para privilegiar o conforto dos ocupantes, tendendo à maciez, mas não de forma excessiva. Em algumas manobras que fizemos, especialmente em pisos com irregularidades, o sistema apresentou ruídos inesperados -- mas o comportamento do carro não se alterou. Eventuais frenagens se mostraram confiáveis.

Na verdade, o julgamento do Cielo depende do que se queira fazer dele. Se a ideia é encará-lo como alternativa de carro médio, rival de modelos como Volkswagen Golf, Ford Focus (hatches), ou Honda City, Fiat Linea e Kia Cerato (sedãs), trata-se de uma causa perdida, mesmo pelo valor de R$ 41.900, que é razoável para um carro com freios a disco, ABS, EBD e airbags frontais, para falar apenas em segurança. Mas se a proposta é deixar para trás os compactos 1.0, 1.4 e 1.6 e "evoluir" para um carro maior, mais equipado e bonito, e sem precisar gastar nem perto de R$ 50 mil, o Cielo é uma opção a considerar. Quem se habilita?

Viagem a convite da Chery

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