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Primeiras impressões: com Uno Way 1.4, Fiat faz aposta alta no charme

Murilo Góes/UOL
Novo Uno Way 1.4 tem cara de aventureiro, charme e raça, mas motor pareceu manso Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio de Souza

Do UOL, na Praia do Forte (BA)

05/05/2010 14h24

Depois das apresentações técnica e de mercado, a Fiat promove um test-drive do Novo Uno nesta quarta-feira (5), em meio à programação do megalançamento do modelo que acontece num hotel na Praia do Forte, litoral da Bahia. Centenas de jornalistas, inclusive de outros países (Argentina e Uruguai, principalmente), participam do evento. Pela manhã, e debaixo de muita chuva, UOL Carros conseguiu experimentar a versão Way com motor 1.4, a mais cara da gama do Novo Uno (com quatro portas, parte de R$ 31.870).

Visto de perto e por todos os ângulos, e depois examinado por dentro, o Novo Uno causa boa impressão. O design que a Fiat chama de "round square" (literalmente, "quadrado redondo") funcionou bem como uma releitura do Uno original, cujas formas seguem quase inalteradas no Mille atual. De certa forma, o Novo Uno, especialmente nessa versão Way cheia de detalhes "aventureiros" (como molduras das rodas em preto e rack de teto), parece um carro-conceito inspirado pelo velho Uno.

  • Murilo Góes/UOL

    No Uno visto de lado, linhas retas (mas nem tanto) se impõem como diferencial

O carrinho é mais bonito visto de frente. Os três elementos decorativos redondos (na verdade, são quase ovais) inseridos na dianteira, dispostos à direita de quem olha, criam uma assimetria interessante e, pelo menos em termos do que circula hoje nas ruas brasileiras, bastante original. A grade preta invade o para-choques e forma uma espécie de "bocão", o que dá um toque de agressividade num carro pensado para ser "fofinho". A lateral de linhas retas não é exatamente surpreendente, e a traseira, com lanternas dispostas nas colunas e para-lamas salientes, segue a mesmíssima lógica do desenho do Punto, mas com um resultado diferente, determinado pelos traços retilíneos e pela carroceria mais estreita.

  • Murilo Góes/UOL

    Lanternas na coluna e laterais bojudas formam ponto mais polêmico do Novo Uno

Por dentro a sensação é de espaço digno para quatro pessoas, e a posição de dirigir nos pareceu boa, graças às regulagens de altura no banco do motorista (opcional) e no volante (de série, apenas vertical). A unidade que testamos possuía vários opcionais, dentre os quais vale citar ar-condicionado, direção hidráulica, vidros dianteiros elétricos e o pacote HSD (High Safety Drive), com airbags dianteiros e ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força) nos freios. Com esses pacotes (cujos valores ainda não foram divulgados pela Fiat), o Uno Way passa a sensação de recheio razoável, adequado a um carro projetado para ser acessível. 


Painel circular, que remete ao do Fiat 500, é um dos itens mais charmosos do interior

A cabine tem muito plástico, mas o revestimento frontal em preto brilhante (item de personalização, assim como os adesivos externos vistos nas fotos desta reportagem) e o charmoso painel dominado pelo velocímetro avantajado permitem pensar, com um pouco de imaginação, que estamos a bordo de um Cinquecento. Mas é claro que há um limite de custo para o capricho. O porta-óculos lateral é tosco, e o central, posicionado no teto, fecha com um ruído desagradável. Itens bem bolados, como o puxador de porta em formato de barra, e de respeito ao consumidor, como a honesta forração em tecido, contrabalançam eventuais deficiências.

A PALAVRA DO INTERNAUTA

"Arrojado. Uma mistura de Doblô, Fox e o antecessor. Peca na garantia, apenas 1 ano! Dá impressão de ser descartável"
BRUNA SOARES (Goiânia-GO)

"O carro fugiu totalmente da essência que tinha, afinal era um hatch pequeno e simples, e não esse mini Doblô que foi feito; fugiu totalmente da realidade e merecia outro nome"
ANDERSON (São Paulo-SP)

"Bonito ficou... Só acho muito pouco carro para tanto preço, sendo que Siena ou Corsa custam pouco mais caro, porém são mais carro"
ALEX FARIA (Lambari-MG)

MOTOR, CÂMBIO E SUSPENSÃO
Em movimento, o Novo Uno Way deixou algumas dúvidas. Esperávamos mais do propulsor de Fire EVO de 1,4 litro, que entrega potência (88/85 cavalos, etanol/gasolina) e torque (12,5/12,4 kgfm) bem razoáveis para um carro desse porte, sempre a 3.500 giros. No entanto, é preciso paciência para se chegar a velocidades de cruzeiro na estrada -- no caso, sob forte chuva em estrada de pista única, e dirigindo uma unidade com menos de 500 km já rodados, cerca de 100 km/h nos pareceu o ponto ideal. Com o velocímetro nessa marca, o Uno Way trabalhou sempre a 3.000 rpm, ou um pouco acima disso. Atingir e manter 110 km/h fez o conta-giros bater em 3.500 rpm. Ou seja, o carro estava trabalhando em seu pico de potência e de torque. Um efeito colateral disso, talvez inevitável: houve excesso de ruído na cabine. 

Ultrapassagens ou aclives sempre pediram redução de marcha; bastante utilizada, a alavanca do câmbio manual de cinco velocidades apresentou deslocamentos um tanto longos, e também ficou devendo mais precisão.
Mas há que se louvar o bom conjunto formado pela suspensão -- de posicionamento mais elevado na versão Way -- e pelos pneus de uso misto de medida 175 e aro 14. O Novo Uno absorveu impactos com muito respeito aos ocupantes, como se fosse um carro mais pesado e acertado para o conforto urbano. À guisa de teste, passamos por diversas lombadas em velocidade acima do usual, e o impacto na cabine foi mínimo. Por isso, esperávamos que nas curvas o Novo Uno vacilasse -- mas ele se mostrou muito estável e firme. Também o colocamos em estradas de terra com trechos alagados e escorregadios (sem exageros, evidentemente), e o resultado foi bom. É um carro raçudo.


Se falta um pouco de ânimo ao motor, a suspensão elevada deixa o Uno Way bem raçudo

Sem computador de bordo, não foi possível avaliar o consumo nos cerca de 100 km que rodamos com o Uno Way 1.4. A Fiat promete 19,4 km/l (gasolina) e 12,8 km/l (etanol) no Uno Attractive com o mesmo propulsor -- números bastante otimistas e que devem ser um pouco menores nessa versão com apelo "aventureiro".

A conclusão possível é que o Novo Uno com motor 1.4 tem um desempenho tão "quadradinho" quanto suas formas, mas suficiente para enfrentar o trânsito das grandes cidades -- no caso da versão Way, a ótima suspensão ajudará a proporcionar uma experiência de dirigir prazerosa mesmo em pisos mais degradados. De resto, a proposta do carro é ser diferente e charmoso, claramente colocando o design como prioridade. E isso o Novo Uno cumpre com folga.

Viagem a convite da Fiat

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