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Peugeot quer picapinha Hoggar dominando 10% do segmento

Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias
Peugeot Hoggar na versão Escapade, a mais cara: visual interessante e muita capacidade Imagem: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

Da AutoPress

Especial para o UOL

30/04/2010 19h25

A Peugeot quer se firmar como um dos grandes fabricantes generalistas de automóveis. Para tal, é preciso atuar em todos os segmentos. E como o Brasil é o grande mercado mundial das picapes compactas, foi escolhido para o lançamento mundial da Hoggar, que chega às concessionárias no dia 15 de maio.

Embora não seja a primeira picape da marca a ser vendida no país -- nos anos 90, a média 504 foi importada da Argentina --, a Hoggar marca a entrada da Peugeot no segmento mais dinâmico dos utilitários e que representa as maiores vendas. A liderança das pick-ups compactas está há mais de uma década com a Fiat Strada, seguida por Volkswagen Saveiro, Chevrolet Montana e a veteraníssima Ford Courier. Ou seja, a marca francesa (uma das pioneiras entre os "newcomers" a desembarcar no Brasil, há quase 20 anos) vai comprar briga exatamente contra as chamadas quatro grandes, as marcas estabelecidas há mais tempo no mercado nacional.
 

ÁLBUM DE FOTOS
Divulgação
DETALHES DA HOGGAR

E a briga promete ser boa. A Peugeot não esconde o otimismo e fala em arrebatar 10% do segmento de picapes compactas brasileiras até o final de 2011. Para isso, conta com argumentos interessantes. Entre eles, o que é -- ou deveria ser -- a razão de ser de qualquer picaape: a caçamba. A opção da Peugeot foi investir apenas numa única versão de cabine simples, exatamente para poder oferecer o maior espaço possível na caçamba. A da Hoggar é a maior do segmento de compactos, tanto em capacidade de carga útil (742 kg na versão básica X-Line) quanto em volume (1.151 litros). Porta removível, caixas de rodas pouco salientes e vidro traseiro com janela corrediça colaboram com a otimização do aproveitamento da caçamba.

A ideia, que não chega a ser tão original em se tratando de uma picape, é que a Hoggar conciliasse a dirigibilidade de um carro de passeio com a robustez de um utilitário. E a solução adotada foi a utilização de uma plataforma híbrida. A parte dianteira do Peugeot 207 nacional (produzido sobre a mesma plataforma do 206) foi unida à parte traseira da plataforma do utilitário Partner -- que terá sua nova geração importada da Argentina e vendida por aqui ainda esse ano, nas versões passageiros e carga.

A presença do conjunto suspensivo traseiro herdado da Partner ajuda a explicar a ótima capacidade de carga da Hoggar. Como resultado da "fusão", a picape recebeu a maior plataforma da linha 207, com 4,53 metros. Ou seja, 65,3 cm a mais que o hatch, 45,3 cm mais que o SW e 29 cm mais que o sedã Passion.

CARA FASHION
Mas como boa parte dos consumidores de picapes compactas praticamente nunca usa a caçamba e apenas aprecia o "sabor de aventura" ostentado pelas picapes, a Hoggar também precisava se esforçar para ser fashion. A frente do 207, com a grande tomada de ar e o conjunto óptico felino que se estende às laterais, precisou ser devidamente harmonizada ao estilo robusto da lateral. A traseira ostenta grandes lanternas trapezoidais que incluem três elipses com as diferentes funções -- freio, pisca alerta, luzes indicativas de direção e de ré.

Toda a extensão da caçamba é delineada por uma moldura. No para-choque traseiro, dois ressaltos para que quem quiser arrumar a carga na caçamba possa pisar. A versão mais vistosa -- e que vai estrelar os comerciais da marca -- é a "aventureira" Escapade, com rodas aro 15. A top de linha da Hoggar herda a estética apresentada na versão homônima do 207 SW.

Sob o capô da Hoggar, dois velhos conhecidos. Na Escapade está o 1.6 flex, que fornece 113 cavalos com etanol e 110 cv com gasolina, com torque máximo de 15,5 kgfm aos 4.000 giros (com etanol). Nas versões básica X-Line e intermediária XR está o motor 1.4 Flex, com 82 cv com etanol e 80 cv com gasolina e torque máximo de 12,85 kgfm a 3.250 giros (etanol). As três versões trabalham em conjunto com o mesmo câmbio manual de cinco marchas à frente e uma à ré. A Peugeot afirma que reduziu as relações de marcha da primeira e da segunda, em virtude de se tratar de um veículo que eventualmente vai trabalhar com plena carga.

Mas tanta estratégia só teria chance de dar certo se viesse acompanhada de preços competitivos. A básica X-Line começa em R$ 31.400, a intemediária XR inicia em R$ 35.500 e a Escapade parte dos R$ 43.500. Estategicamente entre os R$ 28.900 da "pé-de-boi" Strada Fire 1.4 e os R$ 47.947 da Montana Sport 1.8, a mais cara picape compacta do mercado. E a Peugeot avisa: quer vender 1.500 unidades mensais da Hoggar -- ou seja, cerca de 10% do segmento. (por Luiz Humberto Monteiro Pereira)

 

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Picapinha dá conta do recado com motores 1.4 e 1.6

O teste de apresentação da Hoggar, realizado no litoral catarinense, começou cercado de expectativa. A decisão de mesclar elementos da dianteira da plataforma do 207 nacional (derivada do 206) com partes da traseira da plataforma da van Partner poderia gerar um produto esquizofrênico, onde o desentendimento de partes oriundas de modelos tão distintos originasse algo indócil e desequilibrado. Mas a picape da Peugeot teve a chance de mostrar que uma plataforma híbrida pode dar perfeitamente conta do recado.
A primeira versão testada foi a Escapade, a que vem com aquele "quebra-mato" (falso) dianteiro em tom cinza claro que -- embora remeta vagamente a uma dentadura de vampiro -- dá um ar simpático ao carrinho, em conjunto com a nova logomarca do leão, agora com aspecto tridimensional. Para quem ainda não souber de que versão se trata, a espalhafatosa inscrição Escapade grafitada na elegante tampa do porta-malas elimina quaisquer dúvidas. Em termos de habitabilidade, dá algum trabalho achar uma boa posição para os bancos, e o fato dos controles de vidros e espelhos estarem no console central -- e não na porta, como é mais usual -- causa alguma confusão inicial. Por se tratar de um utilitário, a Peugeot bem que poderia ter pensado em equipar a Hoggar com retrovisores externos um pouco maiores. No geral, essa versão da picape é bem equipada e conta com padrões de acabamento bonitos e agradáveis.
A topo de linha da Hoggar é movida pelo motor 1.6 Flex de 113 cv com etanol, com torque máximo presente aos 4.000 giros. Embora demore um pouco a reagir em baixas rotações, a motorização esbanja vigor e o carro acelera de forma consistente e um tanto ruidosa -- o que é agravado pelos pneus de uso misto. Na estrada, o mais novo Peugeot mostrou boa disposição para ultrapassagens e um conjunto bastante equilibrado, com destaque para a suspensão bem calibrada. Foi possível atingir a máxima de 155 km/h com duas pessoas a bordo. Depois disso, a Hoggar não pareceu disposta a acelerar mais.
Avaliada já ao cair da noite, a versão XR 1.4, embora mais despojada, também mostrou seu valor. O torque em giro baixo surge mais cedo que o da versão 1.6, o que permite uma utilização mais amistosa no trânsito urbano. Mas a menor potência se traduz num desempenho menos convincente em velocidades mais elevadas nas estradas. A opção por um modelo ou por outro vai depender do tipo preferencial de utilização, além do fator financeiro e da questão estética. Já a versão básica X-Line, que não foi disponibilizada para o teste de apresentação, é tão pelada que certamente terá a preferência dos frotistas, mais focados no preço competitivo e insensíveis a fatores como conforto ou requinte de acabamento. (LHMP)

 

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