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Peugeot RCZ esbanja esportividade e estilo durante lançamento mundial

Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias
Cupê francês faz bonito na Europa e chega às ruas brasileiras em 2011 Imagem: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

Da AutoPress

Especial para o UOL

26/04/2010 08h00

O Centro de Estilo da PSA sempre teve muito orgulho dos automóveis que cria para suas marcas Peugeot e Citroën. Mas, no caso do RCZ, a vaidade do grupo francês está exacerbada. E o mais inusitado é que o design do novo cupê esportivo pouco tem de francês. Como a própria Peugeot admite, o RCZ evoca o estilo robusto alemão, expresso em modelos como o Audi TT, com um toque da tradicional elegância italiana, explícita nos esportivos da Alfa Romeo. Além do Audi e dos Alfa, modelos como Volkswagen Scirocco e BMW M6 Coupé também estão na alça de mira do novo carro, que é o primeiro a adotar a nova logomarca da Peugeot -- o segundo será a pick-up Hoggar, que estreia mundialmente no final de abril, no Brasil. As pretensões da Peugeot com a atualização visual são ambiciosas: sair do atual 10º lugar e atingir o sétimo lugar no ranking mundial de marcas até 2015.

O resultado da alquimia ítalo-germânica engedrada pelos designers franceses é um veículo singular. Apresentado no Salão de Frankfurt de 2007 como o conceito 308 RCZ e construído sobre a chamada plataforma 2 da PSA -- que origina carros bem diferentes, como o hatch 308, o crossover 3008 e o monovolume 5008 --, o cupê francês manteve em sua versão de série o estilo agressivo da proposta conceitual. Como se trata de um carro de imagem, que se destina a um nicho de mercado, a Peugeot resolveu não produzi-lo em uma das fábricas da marca, todas voltadas para produtos de larga escala industrial. Para manter a característica de “fora de série”, optou por terceirizar a produção do RCZ -- estimada em apenas 17 mil unidades anuais -- na fábrica da Magna Steyr, em Graz, na Áustria. Lá já é produzido, também em pequena escala, outro bólido: o Aston Martin Rapide.

Visto por fora, o RCZ parece uma escultura em movimento. O jeito dinâmico se insinua em cada detalhe. A frente, extremamente felina, deixa claro que se trata de um Peugeot. O novo e vistoso emblema se apresenta ladeado por faróis direcionais de duplo xênon. As “orelhas” desse gato seriam os retrovisores externos, que se retraem automaticamente quando se tranca a porta com o carro desligado. A linha de cintura alta e o teto formado por arcos de alumínio contribuem para acrescentar modernidade ao conjunto. Para explicitar ainda mais o espírito esportivo, as sofisticadas rodas de liga leve calçam pneus de aro 18 -- os de 19 polegadas são opcionais.

Mas é na traseira que está a verdadeira “assinatura visual” do RCZ. A dupla bossa na parte posterior do teto se prolonga pelo vidro traseiro, com uma sinuosidade orgânica que remete vagamente a um par de nádegas. Algo que confere à traseira um visual instigante e sensual. Já o porta-malas parece um tanto alongado na proporção do habitáculo -- o que é confirmado pela capacidade de carga de 384 litros, generosa para um esportivo. O porta-malas é arrematado pelo aerofólio, que fica embutido e só aparece aos 85 km/h e se eleva mais aos 155 km/h. Há ainda a possibilidade de colocar o aerofólio diretamente na posição elevada, através de um botão no painel.

Apesar do estilo indisfarçavelmente fashion, o RCZ não quer viver apenas de aparências. Sob o capô da versão topo da gama -- que só chega ao mercado europeu em junho -- está uma obra de arte da engenharia automotiva mundial. Trata-se de um motor 1.6 litro THP, concebido em conjunto com a BMW e produzido na fábrica francesa de Douvrin. Dotado de turbocompressor de alta pressão, injeção direta de combustível, comando variável de válvulas e acoplado a uma caixa manual de seis velocidades, atinge imodestos 200 cv entre 5.500 e 6.800 giros e torque de 27,5 kgfm entre 1.700 e 4.500 giros e conta com a tecnologia Sound System, que cria harmonias no interior da cabine, seguindo o ritmo da aceleração. Segundo a Peugeot, a motorização é capaz de levar o RCZ de zero a 100 km/h em 7,5 segundos, com velocidade máxima de 237 km/h. No último Salão de Genebra, em março, foi apresentado ainda o estudo de uma versão híbrida do RCZ, batizada de HYbrid4, com 200 cv e tração nas quatro rodas.

Na Europa, a marca ainda oferece uma versão 1.6 mais mansa, de 156 cv, com opção de câmbio automático, e uma versão 2.0 diesel HDI de 163 cv. A Peugeot não definiu se o RCZ chega aqui com 156 cv ou 200 cv, mas a versão mais cara é a mais cotada. Na Europa, custará cerca de 30 mil euros, algo equivalente a R$ 72 mil, com uma série de possibilidades de personalização, que inclui arcos de diferentes cores, teto de carbono e adesivos na carroceria. Para o Brasil, os preços não foram definidos, mas se a Peugeot daqui resolver imitar a estratégia da matriz de posicionar o RCZ em valores 20% abaixo do Audi TT, deve ficar em torno dos R$ 165 mil. O cupê será apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, e chega às concessionárias brasileiras no início do ano que vem.

 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: RCZ faz bonito
O local escolhido para a apresentação mundial à imprensa automotiva do Peugeot RCZ foi o Hotel Marqués de Riscal, na região de Logroño, no país basco espanhol. Instalado em meio a uma vinícola, o hotel foi projetado pelo arquiteto Frank Gehry, o mesmo que criou o Museu Guggenheim de Bilbao. O hotel e o museu transmitem a sensação de estarem se movendo, mesmo parados, assim como o RCZ . Mas como não era conveniente deixar o cupê da Peugeot parado muito tempo, o ordem era acelerar fundo no percurso de 240 km do teste. O trajeto incluiu trechos do chamado Caminho de Santiago, que atravessa diversas cidadezinhas medievais e é percorrido por peregrinos de todo o mundo.

Algumas características dinâmicas do RCZ podem ser bem expressas matematicamente. A versão de 200 cv ganha velocidade de forma avassaladora, como um foguete, e esbanja disposição em qualquer giro. A aceleração de zero a 100 km/h pode ser feita em 7,5 segundos e dos 80 km/h aos 120 km/h leva apenas 6,5 segundos. O câmbio manual de seis velocidades, de engates curtos e precisos, permite que se extraia todo o potencial esportivo da motorização. Mesmo acima dos 160 km/h, o carro continua a acelerar de forma uniforme e decidida. A velocidade máxima é de 237 km/h. Um abuso!

O fato do torque máximo estar disponível já desde os 1.750 giros explica o fato do carro parecer disposto a acelerar em qualquer giro, de forma consistente. E sempre com aquele agradável ronco dos motores BMW, que aparece sem qualquer sotaque francês. A matemática também ajuda a justificar o fato de um carro de 1.275 quilos com 200 cv -- ou seja, com uma relação peso/potência de 6,5 kg por cv -- esbanjar potência e ganhar velocidade de forma brutal.

FICHA TÉCNICA
Peugeot RCZ 1.6 THP

Motor:A gasolina, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha e quatro válvulas por cilindro, com turbocompressor de alta pressão, injeção direta de combustível e comando variável de válvulas.
Transmissão:Câmbio manual de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência:200 cv entre 5.500 e 6.800 rpm.
Torque:27,5 kgfm de 1.700 a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso:77,0 mm x 85,8 mm.
Taxa de compressão:11,0:1.
Suspensão:Dianteira independente do tipo pseudo-McPherson, com barra estabilizadora desconectada, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira independente com travessa deformável, dois braços e barra estabilizadora integrada. Oferece controle eletrônico de estabilidade ESP.
Freios:Dianteiros e traseiros a discos ventilados. ABS, ESP e AFU de série.
Carroceria:Cupê em monobloco com duas portas e quatro lugares. Medidas: 4,29 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,36 m de altura e 2,61 m de distância entre-eixos. Airbags frontais e laterais de série.
Peso:1.297 kg.
Porta-malas:384 litros ou 760 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque:55 litros.

Mas não é apenas com a frieza dos números que se avalia um automóvel como o Peugeot RCZ. ­ Na versão de 200 cv, o volante é reduzido e a alavanca do câmbio é mais curta em relação à versão diesel e à versão movida a gasolina com 156 cv. No painel fluido, os instrumentos são bastante legíveis. Botões e alavancas têm operação simples e estão sempre ao alcance da mão. O câmbio tem curso curto e engates precisos, coerentemente com a proposta esportiva. Os bancos revestidos em couro são bem envolventes e se esforçam para manter o corpo dos ocupantes na posição correta. Num modo mais radical de dirigir, o carona se recente um pouco da ausência de uma alça sobre a porta que o ajude a se firmar melhor no lugar nas curvas. O espaço interno é típico de um esportivo “2+2”: no banco traseiro cabem, no máximo, duas crianças, embora o vidro traseiro com dupla bossa melhore a sensação de amplitude vertical.

A Peugeot pretende afirmar seu padrão tecnológico com o RCZ. Além do controle de tração inteligente, o ESP integra controle dinâmico de estabilidade, assistente para frenagens de emergência e assistência de arranque em aclive. Algumas dessas funções podem ser desligadas para os que preferem ter domínio absoluto sobre o carro, livre de interferências tecnológicas. Airbags frontais e laterais são de série. Itens de conforto e entretenimento como radio/CD/DVD/MP3 com entrada SD e USB e 10 Gb de disco para armazenamento -- até 180 horas de música -- com sistema de comunicação por Bluetooth, GPS com tela de 7 polegadas e sistema de auxílio ao estacionamento também são de série – pelo menos no modelo vendido na Europa.

Ao atravessar velozmente a sequência de curvas de uma das pequenas serras que compuseram o circuito, foi possível comprovar a excelente rigidez torcional e o admirável equilíbrio dinâmico do cupê, que se manteve o tempo todo sob controle  Num único momento que pareceu escapar, quando uma pequeno monte de areia surgiu na pista, uma luz amarela acendeu no painel para avisar que um dos sistemas eletrônicos estava atuando para manter o carro no bom caminho. Tudo sem perder a elegância. Nas frenagens, o comportamento é igualmente preciso e, para um esportivo de tração dianteira, a estabilidade impressiona.

Findo o trecho mais sinuoso e ao chegaram às retas, era hora de acelerar fundo e deixar o Peugeot ganhar velocidade de forma voraz. E o cupê dá conta do recado. As eventuais ultrapassagens acontecem de forma absolutamente harmônica e fácil, com absoluto controle do motorista. Nos cruzamentos em ângulo agudo, é sempre necessário redobrar a atenção, pois as grossas colunas traseiras prejudicam bastante a visibilidade. Avançando pela paisagem, o RCZ pode voltar a desfilar lepidamente, sob olhar incrédulo dos mochileiros que percorrem do Caminho de Santiago.

A Peugeot fala em 14,5 km/l em ciclo misto. Ao final do teste, o computador de bordo indicava um consumo de 8 km/l de gasolina, em percurso 80% rodoviário, mas feito na maior parte do tempo em velocidade muito além do recomendável. Nada mal! (por Luiz Humberto Monteiro Pereira, em Elciego/Espanha)

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