Carros

Kia Mohave surge como opção para quem deseja tamanho e força

Claudio de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

14/04/2010 16h13

Dirigir um SUV em ambiente urbano é -- faz tempo -- uma atitude considerada anticívica em parte da Europa, e nos Estados Unidos a tendência -- não para já, como sonham os ecologistas, mas a médio ou longo prazos -- também é de gradual rejeição aos utilitários esportivos. A derrocada da Hummer, fabricante de tanques de guerra disfarçados de automóveis, foi apenas o primeiro sintoma.

  • Murilo Góes/UOL

    O Kia Mohave é o SUV grande da marca coreana; com motor diesel, custa R$ 169.900

ÁLBUM DE FOTOS
Murilo Góes/UOL
O MOHAVE EM DETALHES

Por aqui a tendência é inversa. Os SUVs e crossovers de todos os tamanhos e marcas viraram objetos do desejo. Há razões para isso. Uma delas é a sensação de segurança (quase invulnerabilidade) que um veículo maior e mais alto passa a seu dono. Outra é a briga diária com as más condições de nossas vias urbanas, nas quais um veículo mais robusto de fato se sai melhor, e geralmente sem arranhões (literalmente).

O Kia Mohave, como outros SUVs de grande porte, é uma hipérbole desse desejo emergente no Brasil. Como dito, o carro é enorme: são 4,88 metros de comprimento e cerca de 1,80 metro de altura, contando o rack de teto -- ou seja, ele é mais alto que boa parte de seus potenciais usuários. Como comparação, pense no 1,45 metro do Honda Civic. Ou mesmo no 1,68 metro do "altinho" Ford Ecosport.

 

O maior SUV da Kia disponível no Brasil (os outros dois são o Sportage e o Sorento) oferece três opções de motorização: um V6 de 3,8 litros a gasolina, de 275 cavalos de potência (R$ 139.900); um imponente V8 de 4,6 litros a gasolina, de 340 cv (R$ 149.900); e um V6 movido a diesel, com turbocompressor, 3 litros de capacidade e potência na casa dos 250 cv (R$ 169.900). Todas as versões possuem tração nas quatro rodas por demanda do motorista; o carro a diesel também oferece reduzida. UOL Carros experimentou a versão mais cara do SUV. 

  • Murilo Góes/UOL

    Visual do Mohave é 'tranquilo', o que lhe confere um jeito de carro voltado à família

Curiosamente, o design do Mohave não chega a ser agressivo. Os conjuntos ópticos dianteiro e traseiro são de porte reduzido e têm desenho conservador e até amistoso; a grade frontal, de barras horizontais cromadas, não passa a impressão de que pretende engolir quem atravessar o seu caminho. Vale lembrar que esse carro é praticamente igual ao que foi apresentado em 2008 na Coreia do Sul, seu país natal, e ainda não incorporou a nova identidade global da Kia, com a dianteira de "boca de tigre". Uma reestilização pode estar a caminho. 

UM LAMEIRO SURPREENDENTE

Para o meu gosto, a performance do Mohave no asfalto acabou prejudicada pela maciez excessiva da suspensão, mas seu o desempenho no off-road se mostrou surpreendente.
É inusual imaginar um modelo deste cacife embrenhado na lama, mas equipamento para isso o Mohave tem. A assistência eletrônica em aclives (HAC) e declives (DBC) ajuda a controlar o jipão em escaladas, enquanto o controle de tração (TCS) facilita a tarefa em terrenos com aderência adversa. As credenciais para encarar trilhas são: 27,3º de ângulo de ataque, 22,5º de ângulo de saída e 20,1º ângulo para de rampa. Há ainda o seletor da tração, localizado à esquerda do volante, que permite a divisão da força motriz do eixo dianteiro (4x2) com as rodas traseiras (4x4 Part Time): o modo 4x4 pode ser acionado durante o movimento a até 80 km/h, enquanto a opção 4x4 reduzida só entra com o veículo parado.
Claro, tudo isso pode ser utilizado apenas para conduzir o Mohave com maior segurança durante enchentes ou na buraqueira da cidade, vão alegar os conservadores de plantão. Mas o fato é que o Mohave transpôs trechos alagados, encostas escorregadias e terreno com piso arenoso sem reclamar e proporcionando diversão.. No entanto, suas mais de duas toneladas de peso, dimensões exageradas (principalmente em largura) e a ausência de pneus adequados (a Kia oferece o modelo com pneus para uso urbano, apenas) demandam cuidado durante a direção em terrenos com baixa aderência.
(por Eugênio Augusto Brito, da Redação)

INTERIOR E TECNOLOGIA
Se a bonomia externa faz pensar que o Mohave tem uma certa vocação familiar, por dentro isso fica evidente. O SUV se beneficia de um entre-eixos de 2,89 metros para oferecer amplo espaço na cabine, e aproveita bem a área destinada ao porta-malas para encaixar dois assentos adicionais, escamoteáveis. Assim, transporta com sobra quatro adultos mais duas crianças/adolescentes na fileira extra -- para facilitar o acesso, a do meio é deslizante. Oficialmente o Mohave tem sete lugares, mas um eventual passageiro central na segunda fileira vai sofrer, devido ao formato do encosto.

Os itens de conforto também são muitos, com destaque para o sistema de ar-condicionado que permite regulagens digitais individuais para motorista e passageiro, e outra regulagem autônoma (menos precisa) para os demais ocupantes da cabine, com comandos na parte de trás do apoio de braço. A forração em couro inclui o volante e os painéis das portas, e os bancos dianteiros possuem ajuste elétrico. O teto solar elétrico atende apenas a quem vai na frente, mas é um item interessante -- e de série. Os porta-copos são seis, e os porta-garrafas, quatro; e o sistema de som possui entrada auxiliar, USB e extensão para iPod.

Quanto à segurança, o Mohave conta com a habitual sopa de letrinhas encontrável em carros premium (ressalvando que ficará a critério da história estabelecer se um modelo da Kia já pode, ou um dia poderá, receber esse adjetivo). Além dos seis airbags (frontais, laterais e de cortina) conectados ao sensor de capotamento -- ou seja, eles não precisam de uma desaceleração brusca para inflar --, o Mohave conta com os seguintes controles: de assistência em aclives (HAC), de frenagem em declives (DBC), de tração (TCS) e de estabilidade (ESP); os freios a disco nas quatro rodas têm ABS (antitravamento), EBD (distribuidor de força) e BAS (sistema de frenagem de emergência); e há ainda o sensor anticapotamento (ROP) e os encostos de cabeça dianteiros ativos (AFH).

CONDUZINDO O MOHAVE
Dirigir o SUV grande da Kia é uma experiência geralmente prazerosa, em boa parte pela sensação de poder transmitida pelo motor V6. O atributo principal do propulsor é o torque de 50 kgfm disponível a 2.000 rpm -- nível de giro ainda baixo, apesar de ser um propulsor a diesel. Isso significa que, depois de alguma morosidade inicial, o Mohave acorda e responde com vigor ao pé direito do motorista. É possível até mesmo sentir o tranco do turbocompressor entrando em ação, quase como num carro mais esportivo (e menor). O que não se sente, e isso é muito bom, são as mudanças de marcha do câmbio automático de seis velocidades. Sua operação é discreta e precisa.  

  • Murilo Góes/UOL

    Performance fora do asfalto do Mohave, que possui tração 4x4, mostrou-se convincente

O Mohave paga o preço de seu tamanho e também de sua habilidade para desafios off-road quando trafegando a velocidades mais altas ou em vias sinuosas. A suspensão independente nas quatro rodas, de braços duplos adiante e múltiplos atrás, tem curso longo e é bastante macia -- não chega a ser "molenga", mas não convém tentar "fazer curvas" com esse SUV, apesar de toda a tecnologia de segurança representada pelas siglas já listadas aqui.

No geral, uma condução mais contida -- familiar, talvez -- pode fazer o Mohave parecer um transatlântico em mar tranquilo. A proposta dele em ambiente urbano é essa. Quanto ao consumo, após rodar 438 km com o SUV da Kia obtivemos médias altas: cerca de 6 km/litro na estrada e 5,3 km/l na cidade. O tanque tem capacidade para 82 litros de diesel.

Em suma, trafegando no asfalto o Mohave agradou bastante. Para saber como foi a experiência off-road com ele, leia texto no box desta página. E fica a sugestão: quem, apesar dos ventos do downsizing, acha que realmente precisa de um veículo desse porte -- outras opções são o Hyundai Vera Cruz, o Nissan Pathfinder, o Mitsubishi Pajero Full e o Jeep Cherokee -- deve experimentar o modelo da Kia, em suas três versões, antes de fechar qualquer negócio.

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