Carros

Ford Kuga prepara sua chegada para o segundo semestre

Da AutoPress

Especial para o UOL

29/01/2010 14h00

A Ford sempre teve tradição em veículos utilitários fora do Brasil. Por aqui, a marca tentou abrir a trilha com o Explorer nos anos 90. Mas só em 2003, com o compacto e urbano EcoSport, a Ford conseguiu emplacar um SUV de sucesso em nosso mercado. No ano passado, a caminhada continuou com o crossover Edge e sua faceta requintada e luxuosa. Para este ano, a surpresa pode ser a vinda do novo utilitário esportivo da montadora norte-americana: o médio Kuga. O modelo foi apresentado durante o Salão de Genebra, em 2008. Na Europa, ele está no mercado desde então.

  • Eduardo Rocha/Carta Z Notícias

    Frente de Focus, perfil que lembra o Volkswagen Tiguan, traseira que parece ter inspirado o novo Hyundai Tucson (ix35)... este é o Ford Kuga, que tem recebido boas críticas na Europa

Feito na Alemanha, o Kuga é um modelo em ascensão e já está tudo pronto para o início da produção também na unidade de Louisville, nos Estados Unidos. A ideia é fabricar 80 mil unidades por ano até outubro de 2011. Em fevereiro próximo, será oficialmente apresentado na Argentina e tem grandes possibilidades de ser produzido na mesma linha que hoje monta o Focus, hatch e sedã, vendido por aqui.

As chances de o Kuga chegar ao mercado brasileiro são pequenas e estão concentradas na eventual produção argentina -- coisa que a Ford não confirma oficialmente. Inclusive porque o modelo importado da Europa tem motorização a diesel, um 2,0 litros de 136 cv em configuração sem caixa de reduzida, o que impediria a homologação no Brasil. Caso seja produzido na unidade de Pacheco, haveria uma versão a gasolina, provavelmente com propulsor 2.5 litros turbo de cinco cilindros e 200 cv, já usado em modelos da Volvo. Assim, o Kuga viria para brigar com Chevrolet Captiva, Honda CR-V e Volkswagen Tiguan no chamado segmento de crossovers médios, mas aliviado das taxas de importação, como ocorre com CR-V e Captiva.

O Kuga "hermano" teria versão de acabamento com sistema de som Sony com CD player, MP3 e Bluetooth para celular, bancos esportivos, rodas de liga leve de 17 polegadas, airbags frontais e laterais, freios com ABS e controles de estabilidade e de tração. Existe também a opção de transmissão manual de seis marchas ou automática de cinco velocidades, ambas com tração integral nas quatro rodas. Para o mercado brasileiro, além da 4x4, a Ford deverá oferecer uma versão 4x2 com preços a partir de R$ 95 mil para ficar competitiva e poder duelar com Captiva, CR-V e Tiguan. (por Karina Craveiro)
 

IMPRESSÕES AO DIRIGIR: Ford Kuga dá lição de equilíbrio

Apesar da enorme oferta de crossovers, nem de longe o mercado europeu reproduz o encanto com este gênero de carro que ocorre no Brasil. Afinal, as autoestradas europeias não dão motivos para o consumidor optar por um modelo com boa capacidade de enfrentar trechos ruins, mas que perde em estabilidade e economia por ser grande e pesado. O Ford Kuga, porém, foge dessa equação perversa. Ele consegue, de verdade, ser um utilitário que se comporta como carro de passeio. Não fosse a privilegiada altura em relação ao trânsito, pouco se lembraria de que se trata de um utilitário esportivo.
Inclusive porque o motor, bastante moderno, conspira nesse sentido. Não há vibração, barulho ou falta de elasticidade que denunciem o propulsor Duratorq diesel sob o capô, com 136 cv de potência e 32,6 kgfm de torque. O números de aceleração reforça a impressão: o zero a 100 km/h em 10,6 segundos. A máxima ficou em 180 km/h. Dinamicamente, o Kuga segue a mesma lógica de carro de passeio: é muito estável em retas e rola pouco lateralmente, mesmo nas curvas mais fechadas. O crossover da Ford tem uma pegada mais europeia que, por exemplo, o Chevrolet Captiva, com suspensão mais rígida, que se compromete mais com a estabilidade, -- o Captiva privilegia conforto e maciez.
O equilíbrio e neutralidade no comportamento do Kuga nasce da moderna plataforma compartilhada com o Volvo XC60. No interior, vários elementos do Focus estão presentes, como o painel, o botão de partida em separado e os comandos. O Kuga testado, na versão top Titanium, tinha ainda duas telas para o GPS. Uma, apenas indica nomes de rua e direção a ser tomada, no miolo do painel. A outra, com 7 polegadas e instalada no console central, apresenta mapas e também os controles de som, ar-condicionado, telefonia e computador de bordo.
O modelo topo de linha tem todos os equipamentos que se pode exigir em veículos deste status: bancos de couro, volante multifuncional, som de primeira linha, seis airbags, ABS, ESP e tração integral. O acabamento é muito bom, os revestimentos são de boa qualidade e a combinação de forração em plástico preto fosco e detalhes em metal cromado ou pintura em alumínio é bem harmoniosa. A boa altura deixa o espaço interno amplo, bom para pernas e cabeça, e três passageiros no banco de trás ainda gozam de algum conforto. Tudo isso torna o Kuga um carro que une, de forma surpreendente, virtudes de um utilitário -- espaço e conforto -- com as de um carro de passeio -- estabilidade e agilidade. (por Eduardo Rocha, de Paris/França)

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