Carros

Audi A3 Sport encarece entrada ao universo dos carros premium

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

27/01/2010 09h00

O ano virou, mas a Audi segue a estratégia desenvolvida ao longo de 2009 e mantém o ritmo aquecido de lançamentos para retomar posições no mercado brasileiro. Assim, algumas semanas após apresentar os poderosos -- e bastante caros -- S3 e TTS (este último com preços que encostam nos R$ 300 mil), a marca das quatro argolas traz o hatch A3 Sport -- nova porta de entrada da Audi no país, com preço inicial de R$ 110 mil -- e o A4 Sport -- versão intermediária do sedã remodelado em 2009, que chega equipada com pacote S-Line ao custo de R$ 185.721. E é do hatch que falaremos agora (o sedã fica para outra oportunidade).

  • André Larangeira/Divulgação

    Carroceria com duas portas é a única disponível para o Audi A3 Sport, que custa R$ 110 mil

Como já havia ocorrido com a rival BMW (que culpou o desconto menor do IPI pelo aumento de preço do hatch 118i, avaliado por UOL Carros), a Audi também elevou um pouco mais seu degrau inicial e complicou a vida de quem sonha em entrar no universo das marcas premium. Neste caso, porém, a desculpa foi a performance: o Audi Sportback com motor de 1,6 litro tem cifra abaixo do patamar psicológico de seis digitos (R$ 98.708 no site da marca), mas seu fraco desempenho vinha causando estragos à imagem esportiva da marca e por isso deve deixar de ser importado.

O novo A3 Sport entrega o mesmo conteúdo do A3 Sportback 2.0 (que custa quase R$ 130 mil), mas em pacote diferenciado. Descontando o estilo, a questão é praticamente de semântica: enquanto o Sportback destaca já no nome a carroceria com quatro portas e traseira alongada (sem, no entanto, ser uma perua) com lanternas longilíneas avançando pela tampa do porta-malas, o Sport (sem a designação "back") está disponível apenas na versão duas portas, com traseira curta (o porta-malas tem 350 litros de capacidade, contra 370 da outra configuração) e lanternas que lembram as da primeira geração, quando o modelo ainda era fabricado no Brasil.
 

Mecanicamente, porém, quase tudo está lá. O motor é o 2,0 litros TFSI (turbo com injeção direta de combustível), de uso múltiplo na linha Audi. No hatch, gera 200 cavalos e torque de 28,5 kgfm numa ampla faixa entre 1.800 e 5.000 rpm. O bloco é comandado pelo câmbio S tronic de dupla embreagem, seis velocidades e possibilidade de troca manual de marchas no modo sequencial, e pode empurrar o A3 Sport da imobilidade aos 100 km/h em módicos 6,8 s, com velocidade máxima de 238 km/h (limitada eletronicamente), segundo dados da fabricante. O conjunto de suspensão também é tradicional da marca, com sistema McPherson e subchassi em alumínio à frente e sistema four link (quatro braços) na traseira. Só faltou a tração integral quattro, que cede lugar à tração dianteira.

Completam a lista de série itens obrigatórios em automóveis dessa classe, como os sistemas ABS (antitravamento dos freios) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem), duplo airbags frontais e laterais, ESP (controle eletrônico de estabilidade da carroceria) integrado à direção com assistência eletromecânica, ar digital com duas zonas de resfriamento (motorista e carona), piloto automático, assistente de partida em aclives, sistema de som com conexão Bluetooth e entrada auxiliar. Teto solar, aerofólio traseiro, rodas aro 17 na cor cinza, volante com revestimento de couro com borboletas de troca de marcha, além dos detalhes internos em alumínio, garantem ar esportivo ao bólido. E, claro, os faróis bi-xênon com iluminação auxiliar de LEDs, marca da atual identidade visual da Audi.

O A3 Sport ainda oferece um mimo ao ego dos motoristas com espírito mais audacioso, embora de uso totalmente restrito (para não dizer impossível) em nossas vias urbanas e estradas: o controle de largada (launch control) encontrado também na dupla S3/TTS. Com o carro parado, basta colocar o câmbio na posição S, desativar o ESP através da tecla no console central, zerar o hodômetro parcial e pisar continuamente no freio ao mesmo tempo em que se aciona o acelerador -- após alcançar os 3 mil giros, o sistema mantém a rotação e permite que o motorista dispare com alta dose de potência e tração ao liberar o pedal do freio.

  • André Larangeira/Divulgação

    Visual da traseira lembra primeira geração do hatch, fabricada no Brasil até 2006

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
UOL Carros foi convidado para uma rápida avaliação do A3 Sport, dividindo a direção com outro jornalista especializado no trajeto entre as cidades de Itu e São Paulo (cerca de 100 quilômetros). E a primeira impressão foi de nostalgia, uma vez que o mais novo integrante da linha Audi lembra muito o hatch fabricado no país entre o final da década de 1990 e o ano de 2006, sensação entre novos-ricos e hit entre pagodeiros e jogadores de futebol.
 

O A3 SPORT POR DENTRO

  • André Larangeira/Divulgação

    Interior garante acesso aos principais recursos de um Audi, mas com uso mais extensivo de materiais plásticos e regulagens manuais para bancos.

  • André Larangeira/Divulgação

    O trem de força do A3 Sport é o versátil 2.0 TFSI -- turbo com injeção direta de combustível; no hatch, o bloco de 1.984 cm³ rende 200 cv com torque de 28,5 kgfm entre 1.800 e 5.00 giros, garante aceleração de 0 a 100 km/h em 6,8 s e velocidade máxima de 238 km/h (dados de fábrica).

Passado o momento déjà-vu (não necessariamente positivo, ressalte-se), o novo A3 impressionou positivamente pelo caráter esportivo do exemplar avaliado: a carroceria mais curta, com 4,23 m de comprimento, 2,57 m de entre-eixos e apenas duas portas, as rodas de 17 polegadas de cor escura e calçadas com pneus 225/45 R 17, o spoiler traseiro e a lataria pintada na cor branca fariam o sonho de qualquer motorista interessado em emoções fortes, mas longe do exagero do tuning. O interior confirma o padrão, com bancos mais baixos e próximo ao assoalho e volante menor, mas sem abuso dos detalhes cromados.

Por outro lado, é estranho constatar o que a marca precisou limar para garantir um preço menor ao A3 Sport. Assim, embora o modelo conte com controle de largada, trocas de marcha por aletas no volante e controle individual de ar para motorista e passageiro da frente, nota-se um certo abuso no uso de materiais plásticos, embora de boa qualidade e textura. Há ainda o fato de todas as regulagens dos assentos serem feitas manualmente, assim como é manual e limitado o deslocamento dos bancos dianteiros, dificultando tanto o acesso à parte traseira do veículo quanto a manobra de retorno dos bancos à posição original. Esta característica, aliás, denuncia que embora o espaço para cabeça e pernas ali disponível seja bom, os dois adultos que ocupariam o assento traseiro não são bem-vindos.

Em movimento, o Audi cumpre o que se espera. O funcionamento da direção com assistência eletromecânica integrada ao ESP é soberbo e, à exceção de uma leve saída de traseira (logo corrigida) quando se parte da imobilidade com o pé embaixo, em nenhum momento se percebe qualquer desvio da carroceria.

Direção eletromecânica está vinculada ao controle de estabilidade (ESP) e, com atuação ativa, garante correções de trajetória após o contorno de curvas ou o bloqueio de ação equivocada do motorista. O mesmo pode ser dito do câmbio de dupla embreagem (uma para marchas pares, outra para as ímpares), que pré-engata a marcha seguinte e garante trocas mais rápidas do que qualquer um seria capaz de fazer.

Assim, o Audi A3 Sport tem um rodar suave e econômico velocidades e giros baixos, quando não se ouve mais que o rolar dos pneus sobre o asfalto e o computador de bordo exibe consumo entre 13 e 14 km/l. O que em momento algum queira dizer que o comportamento seja letárgico -- o A3 Sport é bom de saída, de retomada e de ultrapassagem. E basta pressionar com mais vontade o pedal da direita para que todo o potencial se transforme em ação: com a alta cavalaria e o turbo em pleno funcionamento tanto a pista quanto os limites de velocidade se tornem restritos demais e o consumo suba para 7 ou 8 km/l (os dados de fábrica falam consumo de 10 km/l em regime urbano e 18 km/l na estrada). Ou seja, o mínimo que se espera de um Audi.

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