Carros

Livina X-Gear usa imagem off-road da Nissan para se consolidar

Da AutoPress

Especial para o UOL

23/01/2010 11h00

Estabelecer uma marca em um mercado que passou décadas acostumado a apenas quatro grandes fabricantes, como o brasileiro, é tarefa difícil. Que o diga a Nissan. Além do estereótipo de "importada", a montadora japonesa tem sua imagem ainda fortemente associada a modelos off-road. Para superar o obstáculo, passou a fabricar a linha Livina em São José dos Pinhais (PR), mesma unidade onde produz a picape Frontier. Mas para aquecer as vendas de seu primeiro automóvel de passeio nacional tratou de fazer valer justamente seu know-how no universo fora-de-estrada. Assim nasceu a versão X-Gear da minivan, uma configuração com roupagem jipeira para o tal mercado aventureiro tão em voga no Brasil.

  • Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

    Disfarce off-road: X-Gear traz bom pacote de equipamentos para complementar linha Livina

O caminho, é verdade, não é dos mais originais. A X-Gear segue a receita pseudo-off-roads, com apliques estéticos. Estão lá as molduras nas caixas de rodas, bagageiro no teto, grade cromada e para-choque diferentes do restante da linha, detalhes na cor prata e diversos adesivos com o nome da versão. O modelo também conta com rodas de liga leve aro 15 e pneus 185/65 para uso no asfalto. Por dentro, a simplicidade que marca o projeto Livina com alguns detalhes na cor prata, como nas molduras do quadro de instrumentos, na manopla do câmbio e no descansa-braço.
 

FICHA TÉCNICA

Nissan Livina X-Gear 1.8 16V flex
Motor: Flex, transversal, 1.798 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático com quatro marchas à frente e uma a ré.
Potência: 125 cv com gasolina e 126 cv com etanol a 5.200 rpm.
Torque: 17,5 kgfm com gasolina e etanol a 4.800 rpm.
Diâmetro e curso: 84,0 mm x 81,1 mm. Taxa de compressão: 9,9:1.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor. Oferece ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência de série na versão.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.
Pneus: 185/65 R15 em rodas de liga leve.
Carroceria: Monovolume em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,27 metros de comprimento, 1,69 metro de largura, 1,60 metro de altura e 2,60 metros de entre-eixos. Oferece duplo airbag frontal de série na versão.
Peso: 1.207 kg em ordem de marcha, com 403 kg de carga útil.
Porta-malas: 449 litros.
Tanque: 50 litros.

Aos poucos, a X-Gear vem ganhando espaço na linha. Começou, em setembro, com 4% de participação nas vendas da Livina no Brasil. Na primeira quinzena de janeiro, chegou a 7% do mix da linha, que teve em 2009 média de 680 unidades/mês. As vendas são tímidas, apesar de o modelo ter uma lista de equipamentos recheadinha. A X-Gear traz ar, direção elétrica, trio, ajuste de altura do volante e airbag para motorista, entre outros. Mais itens de segurança, apenas na versão SL: airbag duplo, ABS e EBD. A SL 1.8 testada é a única com revestimento em couro, alarme e I-Key, que destrava as portas e possibilita ligar o carro sem que o motorista tire a chave do bolso. Seu rival mais direto é a Renault Scénic Sportway 1.6 16V, que custa R$ 60.890 e não oferece ABS nem caixa automática.

A X-Gear SL 1.8 também é a única da versão a ter transmissão automática de quatro velocidades. Ela trabalha com o propulsor 1.8 16V flex de 125/126 cv a gasolina e a etanol, com torque de 17,5 kgfm com qualquer mistura. Argumentos que ajudam comercialmente o modelo topo de linha, já que dentro da gama X-Gear, a SL 1.8, mesmo sendo a mais cara, com preço de R$ 63.700, responde por 39% das vendas. Pouco atrás da SL 1.6, que tem 41% de participação e custa R$ 57.900. A 1.6 inicial, a partir de R$ 51.700, fica com apenas 20%. Quando a Livina foi lançada, a Nissan deixou claro que queria mirar no Honda Fit, que carece de uma versão aventureira, mas vende mais de 3.500 unidades/mês. Ou seja, ainda falta muito caminho para a Livina trilhar. (por Fernando Miragaya)
 

IMPRESSÕES AO DIRIGIR: Traçando trilhas urbanas

Os apliques estéticos da X-Gear dão um ar esportivo ao monovolume da Nissan. Em especial pela grade e para-choques redesenhados, que conferem robustez a um modelo originalmente muito familiar. Só que o apetite fora-de-estrada para por aí. O modelo não tem suspensão reforçada ou pneus de uso misto -- álibis muito usados por modelos off-road light. A minivan também sofre do mal que persegue os tais projetos para países emergentes. Os revestimentos internos são despojados demais e apesar do couro nos bancos, as peças plásticas do painel aparentam falta de qualidade. Há rebarbas no teto e no porta-malas, onde uma chapa de fibra de madeira com um carpete simplório revestem o porta-malas. Ou seja, trata-se de um carro de passeio voltado para o uso normal, comportado.
Mas conta com um motor multiválvulas eficiente -- com etanol no tanque, os 126 cv conferem uma desenvoltura satisfatória para a Livina. Nada de arroubos de velocidade, até porque a caixa automática de quatro marchas intimida arrancadas e retomadas um pouco mais interessantes do monovolume. A versão top oferece airbag duplo, I-Key e ABS, mas falta ao modelo itens de conectividade e ainda tem freios a tambor na traseira. Para sair da inércia e alcançar os 100 km/h são necessários 11 segundos. Nas ultrapassagens e trechos de subidas, o câmbio ainda tende a ficar indeciso. Na retomada de 60 km/h a 100 km/h em Drive, por exemplo, consumiu 10,1 segundos.
A Livina peca em coisas óbvias para uma minivan. Não oferece ajustes de altura do banco e dos cintos de segurança, por exemplo. A ergonomia, por outro lado, é bastante satisfatória, com a maioria dos comandos ao alcance do motorista. Só o rádio exige desvios de atenção maiores. No mais, é usufruir das virtudes conhecidas -- espaço generoso para cabeças e pernas, ambiente amplo, porta-malas razoável de 449 litros e ótima visibilidade. Além disso, o modelo se mostra equilibrado em retas em curvas, com bom compromisso com a estabilidade. Só mesmo em velocidades muito altas passa sinais de flutuação. O consumo, porém, assusta: com etanol e uso 2/3 na cidade, o modelo avaliado fez a média de 5,8 km/l. (FM)

 

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