Carros

BMW 118i passa dos R$ 100 mil, mas ainda é pechincha de alto nível

Claudio de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

18/01/2010 12h19

Atualizada às 17h42

No ano passado, a BMW do Brasil fez alarde publicitário para o lançamento da versão de entrada do Série 1, a 118i. A proposta era oferecer o design único desse hatch -- cuja influência é perceptível em modelos como Volkswagen Gol e Hyundai i30 -- e o status da marca bávara por um preço mais acessível, como isca para fisgar e cativar novos consumidores de BMW. O valor era eloquente: R$ 96.900. Uma cifra de cinco dígitos, em vez dos seis (acima de R$ 100.000) que normalmente etiquetam os modelos premium à venda no Brasil.
 

  • Murilo Góes/UOL

    Design peculiar e muito imitado, além do logotipo da marca bávara: apelos do 118i

O ano virou e, segundo a BMW, o fim do desconto no IPI -- que beneficiava o 118i, cujo motor é de dois litros -- forçou a elevação do preço do hatch. Agora ele custa R$ 102.475 (mais R$ 1.000 pela pintura metálica); por isso, o título de automóvel premium mais barato do país passou ao Audi A3 Sportback 1.6, que parte de R$ 98.708, seguido da minivan Mercedes-Benz Classe B 180 (de motor 1.7), a R$ 99.800.
 

O Série 1 -- modelo que desde 2004 já é, ele mesmo, a porta de entrada da BMW -- na versão 118i traz um motor de mesma capacidade (mas potência 20 cavalos menor) que o da 120i, que custa R$ 17 mil a mais: um propulsor a gasolina de 2 litros, longitudinal, de quatro cilindros, capaz de gerar 136 cavalos de potência e torque aproximado de 18 kgfm, este a 3.250 giros. O gerenciamento é feito pela transmissão automática Steptronic, de seis velocidades, com opção de trocas manuais na alavanca do console e modo Sport, o qual adia as mudanças até rotações mais elevadas.

O recheio de fábrica do 118i é graúdo, embora não vá faltar quem aponte lacunas inaceitáveis para um carro que (agora) custa mais de R$ 100 mil, independentemente de seu pedigree. O ar-condicionado, por exemplo, não é digital e possui zona de resfriamento única; não há luz para uso dos espelhos nos parassois; não há sensor de estacionamento.
 

  • Murilo Góes/UOL

    Essa traseira você já viu antes -- nem que tenha sido no VW Gol ou no Hyundai i30...

Como itens de conforto, a BMW relaciona banco traseiro bipartido (60/40); rádio BMW Business CD com quatro alto-falantes e conexão auxiliar no console central (mas sem entrada USB); volante esportivo revestido de couro com coluna ajustável e teclas multifunção; vidros elétricos dianteiros e traseiros (como se isso não fosse obrigação, aliás); tapetes em veludo; retrovisor interno fotocrômico; apoio de braço dianteiro; e porta-bebida dianteiro (que incomoda o passageiro -- veja no álbum).

Nos quesitos segurança e dirigibilidade, o 118i traz faróis de neblina; freios a disco ventilado nas quatro rodas; controles de frenagem em curvas e de estabilidade; airbags frontais, laterais e de cabeça para motorista e passageiro; cintos de segurança pré-tensionados; kit de primeiros-socorros (alojado no porta-malas); sensor de chuva que liga os limpadores do para-brisa e os faróis baixos; e retrovisores que podem ser aquecidos (mas não são rebatíveis).

Na verdade, para nós essa lista de equipamentos parece bastante adequada -- caso admitamos que os R$ 102.475 pedidos pelo Série 1 de entrada servem para pagar (além dos impostos) a tecnologia diferenciada da marca alemã e o status de não-ser-apenas-mais-um-no-trânsito das grandes cidades. Afinal, um BMW é um BMW, e não outra coisa qualquer.
 

  • Murilo Góes/UOL

    O interior do Série 1 na versão 118i não tem luxo, mas o acabamento é de primeira

Falando em design, o do Série 1 não é unanimidade. Há quem o ache baixo demais -- na verdade, "horizontalizado" demais. De fato, o primeiro volume, que guarda o motor longitudinal, parece muito longo, uma impressão reforçada pelo fato de as rodas estarem posicionadas nas extremidades da carroceria. Vincos, linhas de caráter e os recortes intrigantes -- típicos da marca bávara -- garantem um certo equilíbrio ao desenho do carro. Mas é preciso acostumar o olhar para começar a gostar dele.

Outros efeitos da distância entre as rodas são o amplo espaço entre-eixos de 2,66 metros, exuberante para um hatch médio (o Volkswagen Golf, que mede os mesmos 4,2 metros e é padrão do segmento, tem 2,51 metros), mas garantidor de conforto para apenas quatro ocupantes (uma parte do espaço se perde com o motor longitudinal); e o constante risco de o Série 1 raspar o assoalho nas saídas de garagem e nas lombadas, especialmente quando leva mais de duas pessoas.
 

DADOS TÉCNICOS - BMW 118i

Trem de força - Motor de quatro cilindros em linha, 1.995 cm³ (2.0 litros), aspirado, a gasolina, disposto longitudinalmente; transmissão automática de seis velocidades; tração traseira.
Potência e torque - 136 cavalos a 5.750 rpm/18,3 kgfm a 3.250 rpm.
Suspensão - Eixo dianteiro em alumínio e traseira com múltiplos braços (Multilink).
Freios e pneus - A disco ventilado nas quatro rodas, com controle de frenagem em curvas e antitravamento (ABS) e EBD; pneus 205/55 R16 (rodas de liga-leve de 16 polegadas).
Dimensões, peso e capacidades - 4,24 metros x 1,42 m x 1.93 m (comprimento x altura x largura) e entre-eixos de 2,66 m; 1.300 kg em ordem de marcha; tanque de combustível de 53 litros; porta-malas de 330/1.500 litros.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
No habitáculo do 118i, o motorista talvez sinta falta de um ou outro equipamento e/ou mimo esperável num carro que ostenta as letras BMW no logotipo. Mas não é nada grave, até porque a sensação -- talvez proveniente do acabamento cuidadoso, com encaixes perfeitos das peças e bom gosto na escolha dos materiais -- é inegavelmente a de estar num carro premium.

Apesar de baixo, o 118i oferece boa posição de dirigir, graças aos múltiplos ajustes permitidos pelo volante e principalmente pelo banco. Este possui até controle de inclinação do assento (e não apenas do encosto), além de abas laterais que podem inflar e desinflar para segurar melhor o motorista nas curvas. Basta acionar uma tecla que fica na lateral inferior do conjunto.

O volante é direto e seco, e a suspensão (em alumínio, com braços múltiplos na traseira) consegue aliar firmeza a um conforto até surpreendente. O controle de estabilidade é outro item que incrementa a dirigibilidade do Série 1, mesmo nas curvas mais abusadas. Tudo isso, mais a tração nas rodas traseiras, parece provocar o motorista a uma condução mais esportiva.

Só que o propulsor do 118i não corresponde a essa expectativa. Embora seja adequado para os 1.300 kg do carro e trabalhe em conjunto com uma transmissão automática de seis velocidades que sabe aproveitar bem a sua força, o bloco aspirado de 2 litros claramente não está sob o capô para causar emoções fortes. De acordo com dados da própria fábrica, o zero a 100 km/h é cumprido em 10,1 segundos -- apenas 2 segundos mais rápido que a média dos hatches "comuns", de porte semelhante ao do 118i, na mesma prova. E as saídas são um tanto lentas; demora um pouco até o carro embalar. Depois, caso o motorista queira, o Série 1 torna-se raçudo e ágil -- frise-se o "depois".

O consumo de gasolina foi alto. Rodando apenas na cidade, com média de velocidade de 20 km/h -- ou seja, em condições bastante realistas --, o 118i cravou 5,4 km/l ao longo de nossa convivência. A fábrica fala numa média combinada (cidade/estrada) de 13,2 km/l, que nos parece otimista demais.

De qualquer modo, a principal promessa do Série 1 "popular" foi cumprida. O carro entrega um conjunto de boa qualidade geral, muita imagem e -- como lembra o slogan da marca bávara -- prazer de dirigir, tudo isso a um preço menor que o costumeiro. Ainda que, antipaticamente, acima da barreira dos R$ 100 mil.

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