Fenatran mostra que montadoras apostam no crescimento em 2010

Da Auto Press

Nada mais pragmático que o mercado de veículos comerciais. Exatamente por isso, os chamarizes para a clientela não valorizam conceitos como design, conforto e esportividade, como ocorre com automóveis comuns. No mundo dos caminhões, as ideias dominantes são rentabilidade, economia, custo/benefício, retorno de investimento e, para não deixar a moda passar em branco, sustentabilidade -- só que nesse caso, com pouco contexto ecológico e mais atrelada à promessa de queda no custo operacional.

Esse roteiro foi repetida e exaustivamente cumprido a cada apresentação no Salão Internacional do Transporte de São Paulo (mais conhecido como Fenatran 2009), no Parque de Exposições do Anhembi, entre 26 e 30 de outubro.

Tudo numa feira de caminhões é diferente dos salões de automóveis. Para carros de passeio, o frisson em torno dos novos modelos pode alterar significativamente o resultado de vendas. Já em relação a veículos comerciais, não há tanta espontaneidade. E nem as montadoras esperam por um momento dramaticamente favorável para apresentar seus produtos. Afinal, as compras só são feitas após detalhados cálculos.

  • Eduardo Rocha/UOL

    Sueca Volvo exibiu na Fenatran o FH16 700, o caminhão mais potente do mundo

É isso que explica, por exemplo, o baixo número de modelos realmente inéditos reservado para a Fenatran. As novidades do setor vêm sendo apresentadas ao mercado conforme são aprontadas pelas montadoras. O negócio é chegar o mercado e faturar o mais cedo possível.

Por isso mesmo, o que mais se viu na Fenatran foram versões novas para modelos já existentes. Com três exceções: a linha Vertis, da Iveco, o modelo leve HD, da Hyundai, e os caminhões pesados TGS e TGX, da alemã MAN -- empresa que passou a controlar a Volkswagen Caminhões e Ônibus. Todos fabricados no Brasil: o Vertis começa a sair da linha de produção até março, o HD em abril e os MAN, na melhor das hipóteses, em 2011.

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Entre as novas versões, cada montadora tratou de apresentar novas configurações de modelos já existentes em busca de subnichos bem específicos. A Ford, por exemplo, mostrou uma versão chassi-cabine do furgão Transit, importado na Turquia, e a nova configuração para o caminhão plataforma Cargo, a 1832e Estradeiro. A Agrale exibiu apenas uma versão de entre-eixos curto do seu maior modelo, o 13.000. Essa mudança permite novas aplicações para o veículo, com o uso de caçamba. Entre os utilitários, o Marruá AM passa a ter opção de cabine dupla (só existia a simples e a chassi-cabine).

A Mercedes-Benz foi a mais prolífica em novidades. Apresentou cinco novas versões de modelos que já existem. A mais imponente é a versão 2646 LS 6X4 da principal linha de pesados Actros, que assume o posto de modelo mais luxuoso da marca no Brasil. Na outra família de pesados, trouxe o Axor 2535, um 6X2 rodoviário, e o fora-de-estrada Axor 4144 com câmbio semi-automatizado. O semipesado Atego ganha opção de cabine leito com teto alto. E, finalmente, a linha de furgões Sprinter ganhou uma versão batizada de 19+1, ou seja, motorista e 19 passageiros.

Entre as montadoras de origem sueca, as estréias foram bem escassas. A Volvo já havia apresentado ao longo do ano todas as novidades tecnológicas de segurança de conforto, como sensores de presença em ponto cego e controle de cruzeiro adaptativo. Então, a marca veio para a Fenatran apenas para se exibir, com o FH16 de 700 cv, o caminhão mais potente do mundo. Já a Scania aposta na imagem de luxo e apresentou apenas uma versão de cabine para sua série R, a mais requintada.

A montadora se justificou da mesma forma que as demais: as novidades vêm sendo apresentadas ao longo do tempo. E até dá um sugestivo nome à estratégia: "introduções contínuas". A rigor, é o que todas fazem. (por Eduardo Rocha)

AS NOVIDADES DE CADA MARCA

Agrale - A marca de Caxias do Sul apresentou o modelo médio 13000 na versão Caçamba 4X2 e 6X2, com distância entre-eixos mais curta. Mostrou também o jipão Marruá AM cabine dupla.
Ford - Passa a trazer da Turquia a versão chassi-cabine do utilitário Transit e mostrou a linha Cargo 2010, que recebeu tomada de força na traseira para uso com betoneira ou compactador e ganhou o modelo caminhão-plataforma com engate 1832e.
Hyundai - Vai começar a produzir no Brasil os caminhões leves DH 65 e DH 78, com PBT de 6.500 e 7.800 kg e capacidade de carga de 3.500 e 4.650 kg, respectivamente. Apresentou também uma versão de plataforma baixa do semileve HR, chamado de Low Deck.
Iveco - Foi a única montadora a apresentar uma linha totalmente nova: a Vertis. Ele vai atuar nas faixas leve e média, entre 9 e 13 toneladas de PBT e com motorização de 160 ou 180 cv. Com isso, a marca do Grupo Fiat preenche a última lacuna da sua gama e passa a ter produtos de 3,5 toneladas até 74 toneladas de PBT.
MAN - A marca alemã, que comprou a Volkswagen Caminhões e Ônibus do Brasil no ano passado, fez uma avant-première dos caminhões pesados que vai passar a fabricar em Resende, no Rio de Janeiro, em 2011. O TGS e o TGX vão permitir à empresa enfrentar os maiores produtos de rivais como Volvo, Scania, Iveco e Mercedes.
Mercedes-Benz - A montadora foi a que apresentou o maior número de novidades na Fenatran. A mais glamourosa, sem dúvida, foi o modelo pesado Actros 2646 LS 6X4, recheado de tecnologia e luxo. Mostrou também uma nova cabine leito com teto alto para a linha de médios Atego. Entre os utilitários, apresentou a Sprinter 19+1, com capacidade para 20 passageiros.
Scania - A marca sueca, que pertence ao Grupo Volkswagen, apresentou uma cabine mais baixa para sua linha superior de pesados R. Até agora, a empresa trabalhava apenas com o modelo R Highline.
Volvo - A montadora já havia apresentado as suas novidades ao longo do ano -- como a linha FM e a série de apetrechos tecnológicos de segurança e conforto. Para fazer bonito na Fenatran, trouxe da Suécia o modelo FH16 700, atualmente o caminhão mais potente do mundo. A empresa não tem intenção de importar o modelo, mas não podia deixar de provocar a estreante MAN, sua maior rival na corrida pelos números de potência.

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