Carros

Novo Fox sobe o nível, mas nem tanto

Claudio de Souza

Do UOL, em Brasília (DF)

27/10/2009 23h38

Logo após uma apresentação técnica e mercadológica à imprensa, o novo Volkswagen Fox foi experimentado pelos jornalistas num test-drive em Brasília (DF), nesta terça-feira (27). UOL Carros escolheu para dirigir um exemplar de motor 1.0 bicombustível, com o pacote de opcionais Trend -- configuração boa de loja do atual sexto carro de passeio mais emplacado do Brasil.
 

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    O novo Fox com motor 1.0 e pacote Trend tem charme, mas deve desempenho

A primeira constatação é a de que as mudanças estéticas fizeram muito bem ao Fox, que, de um dos modelos mais sem graça do mercado (isso é uma opinião pessoal, sublinhe-se), passou a ser um carro até charmoso e bem contemporâneo, graças à limpeza das linhas dianteiras, que agora trazem grade horizontal e retilínea (em vez do "U" da anterior) e um conjunto óptico muito elegante, com três seções internas e máscara negra dando um toque de agressividade antes inexistente.
 

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Dessa forma, o Fox (um projeto 100% verde-amarelo) entrou em sintonia com a atual geração europeia da Volks antes mesmo dos seus primos ricos que são vendidos por aqui, o hatch premium Polo e o hatch médio Golf. Já a traseira mudou pouco, mas a colocação de duas luzes de neblina nas extremidades do parachoque deu mais equilíbrio ao conjunto. Além disso, os grafismos anticonvencionais das lanternas, que fogem das formas óbvias do quadrilátero e do círculo, ficaram muito charmosos.

A bordo do Fox, e mesmo numa versão de entrada (embora enriquecida por opcionais), fica claro que a Volks trabalhou duro para dar mais dignidade a uma cabine que antes era de segunda linha. Diminuiu a quantidade de plásticos, o porta-luvas ganhou tampa, os tons de cinza e preto que predominam nas peças duras (ainda de plástico, certamente, mas de toque agradável) e nos insertos de tecido são sóbrios e "adultos". O painel de instrumentos, que parecia de motocicleta e era de difícil leitura, mudou completamente e ganhou quatro mostradores circulares (os dois menores, de temperatura e de combustível, são estampados dentro dos maiores, conta-giros e velocímetro).

A tela do computador de bordo (atenção, trata-se de um opcional) usa caracteres em branco -- como é praxe em carros muito mais caros. Infelizmente, esse tom não vai bem com o azul da iluminação noturna: o tradicional vermelho da Volks ficaria melhor.

Em suma, por dentro o Fox não chegou ao nível do Polo, mas ficou tão decente quanto o novo Gol.

Outras ressalvas devem ser feitas ao espaço interno, um grande apelo de vendas do Fox desde seu lançamento, em 2003. É verdade que o teto alto passa uma sensação de liberdade a quem vai dentro da cabine, acentuada pela grande distância entre o parabrisa e o motorista -- mas o console central pareceu largo demais, e a perna direita de quem dirige vai encostada nele o tempo todo. Nas curvas à direita, acaba sendo pressionada contra a peça. Fora isso, os pedais são desalinhados, com a embreagem excessivamente alta. Mas, no geral, quatro pessoas podem viajar no Fox sem queixas graves.

Rodando com o modelo, notamos rapidamente as limitações esperáveis de um propulsor 1.0 que entrega potência e torque bastante modestos (veja aqui todos os dados técnicos do carro), mesmo com álcool no tanque. O mais suave aclive já é um desafio para o Fox, que vai "gritar" a pelo menos 4.000 giros para vencê-lo. O câmbio manual de cinco marchas é ruim de reduzida -- o uso do freio-motor ao aproximar-se de um cruzamento, por exemplo, resultou em travadas bruscas, que não combinam com prazer de dirigir. Em compensação, a Volks achou um meio termo para a suspensão do Fox, fazendo com que a carroceria, apesar de relativamente alta, não incline demais nas curvas, nem que as imperfeições do asfalto incomodem dentro do habitáculo. E não custa lembrar que a direção hidráulica é de série desde esse versão de entrada.

No conjunto, a dirigibilidade do Fox acaba agradando, mas isso se ele for utilizado principalmente no carregado trânsito urbano, onde mesmo um bloco de 1 litro acaba sendo suficiente na maior parte do tempo. Mas, se a ideia for encarar regularmente distâncias longas e com pista livre, e se você gostou do visual do novo Fox (e não quer esperar o novo CrossFox, que deve ser anunciado em breve), talvez seja interessante considerar um test-drive de uma versão 1.6 na concessionária Volkswagen mais próxima. O ganho na performance pode valer a diferença de preço.

Mas lembre-se: continua havendo muitos carros melhores que o Fox no mercado -- e isso, insistimos, no cardápio da própria Volks. O upgrade geral que ela deu em seu modelo "altinho" não mudou essa percepção.

*Viagem a convite da Volkswagen do Brasil

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