Carros

BMW 135 Ci mistura desempenho brutal e sutileza tecnológica no corpo de pequeno cupê

Da AutoPress

Especial para o UOL

23/10/2009 14h00

No seleto mercado brasileiro das marcas de luxo, a quantidade de unidades vendidas é pequena, mas a oferta nem sempre é enxuta. Prova disso é que as montadoras que atuam no segmento costumam trazer a maior variedade possível de modelos para o mercado brasileiro. Afinal, buscar um diferencial nos nichos que se criam entre os fabricantes premium é essencial. E o BMW 135 Ci cumpre uma tarefa bem específica. Derivação cupê do Série 1, o menor da linha da marca bávara, o modelo oferece um motor altamente potente para se evidenciar no segmento. E até pelo preço de R$ 226 mil ele se distancia dos rivais: o Mercedes-Benz CLC e o Volvo C30, que no Brasil têm propulsores menos potentes e preços menores. O mais próximo seria o Audi S3 TSI, mas a marca das argolas ainda não importa esse modelo de 265 cv para cá.

  • Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

    BMW 135 Ci impressiona em todos os aspectos: com uma sutil pisada no acelerador, o carro mostra furiosa disposição; da mesma forma, o preço se estende a elevados R$ 226 mil

A razão de tantos milhares de reais a mais começa sob o capô. É onde está abrigado o propulsor biturbo 3.0 litros com seis cilindros em linha, 24 válvulas e injeção direta de combustível. A unidade despeja generosos 306 cv de potência nas rodas traseiras do cupê a 5.800 rpm. E um robusto torque máximo de 40,7 kgfm desde os 1.300 até os 5 mil giros. O motor trabalha com um câmbio automático de seis velocidades com opção de mudanças sequenciais manuais através de borboletas no volante (paddle shift). Tudo isso para mover um carro com pouco mais de 1,5 tonelada. O resultado dessa equação é uma impressionante relação peso/potência de 5,04 kg/cv.
 

PEQUENO E FURIOSO
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
VEJA MAIS FOTOS DO 135 CI

Além de potência e torque hipertrofiados, o 135 Ci também abusa da tecnologia. A começar pelo eixo dianteiro em alumínio. Mais leve, ele compensa o peso do motor e ajuda o cupê a alcançar o equilíbrio perfeito na distribuição de peso do carro: 50% na dianteira e 50% na traseira. Além disso, o modelo possui uma suspensão com calibragem mais firme e diversos itens de segurança, como controles eletrônicos de estabilidade, de tração e de frenagem em curvas, seis airbags (frontais, dianteiros laterais e do tipo cortina), faróis bixênon autodirecionais, freios com ABS e EBD, entre outros.

Na parte de conforto, estão lá o ar automático dual zone, direção hidráulica, trio elétrico, computador de bordo, bancos dianteiros com regulagem elétrica, retrovisor eletrocrômico, sensores de chuva, de luminosidade e de obstáculos traseiros, revestimento em couro, ajustes de altura e de profundidade da coluna de direção, volante multifuncional, entre outros. Também estão disponíveis teto solar e rádio/CD/MP3 com disqueteira para seis discos, viva-voz, Bluetooth e alto falantes Professional Logic 7. O modelo ainda vem com o sistema iDrive, o dispositivo da BMW que reúne diversas informações em uma tela LCD ao centro do painel.
 

ACELERADAS

Na Europa, o cupê é vendido nas configurações 125i (218 cv), 120d turbodiesel (177 cv) e 123d turbodiesel (204 cv).
No Brasil, a linha Série 1 é vendida também nas versões hatch 118i (R$ 95 mil) e 120i (R$ 119.800), 130i (R$ 209.900) e 120i Cabrio (R$ 165.200).
O Série 1 obteve cinco estrelas (pontuação máxima) nos testes do EuroNCAP, órgão que avalia a segurança de todos os veículos vendidos na Europa.
O 135 Ci tem garantia de dois anos.

Coerentemente com sua proposta arrojada, o desenho do 135 Ci também é bastante singular. Na frente, ostenta o visual da Série 1, com capô abaulado e rebaixado, faróis com contornos irregulares com extremidades pontudas e a tradicional grade bipartida da montadora alemã. De perfil, chama a atenção a linha de cintura elevada e reta. O caimento da terceira coluna, porém, remete a um sedã. A traseira também lembra um três volumes. A tampa do porta-malas tem corte abaulado e contornos arredondados, que quebram levemente o desenho das lanternas horizontalizadas. Ou seja, um estilo que passa longe do habitual dos cupês. Mais um diferencial para um BMW fora do comum.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
É possível desconfiar do BMW 135 Ci, mas os preconceitos e estereótipos caem por terra logo ao ligar o carro. Basta ouvir o som dos 306 cv do motor turbo do 135 Ci evoluindo de forma grave e consistente. E o ponteiro do conta-giros no quadro de instrumentos parece "reger" a evolução desse som rouco, como a batuta de um maestro. Impõe respeito instantâneo. Se ainda sobrava alguma dúvida quanto à performance do modelo, ela desaparece ao se pisar no acelerador. O corpo do motorista é projetado imediatamente para trás e o cupê mostra de cara do que é capaz.

Ao ser acelerado, o carro simplesmente "devora" a estrada. Resultado de um invejoso conjunto que combina, além de um motor potente, tração traseira, uma relação peso/potência de 5,04 kg/cv e uma transmissão de seis velocidades muito bem calibrada, que trabalha de forma ágil as mudanças de marchas, sem intervalos. O que gera um zero a 100 km/h em curtos 5,5 segundos e faz o modelo chegar à máxima de 250 km/h, limitada eletronicamente.
 

FICHA TÉCNICA

BMW 135 Ci
Motor: Gasolina, 2.979 cm³, biturbo, seis cilindros em linha, quatro válvulas por cilindros e comando variável de válvulas. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré com opção de mudanças manuais sequenciais na manopla ou através de borboletas atrás do volante. Tração traseira. Controle eletrônico de tração.
Potência: 306 cv a 5.800 rpm.
Torque: 40,7 kgfm entre 1.300 rpm e 5 mil rpm.
Diâmetro e curso: 89,6 mm x 84,0 mm. Taxa de compressão: 10,2:1.
Freios: Dianteiros e traseiros a discos ventilados. ABS , EBD, controle de frenagem em curvas e assistente de frenagem de emergência.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais em alumínio, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente por braços múltiplos, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.
Pneus e rodas: 215/40 R18 na frente e 245/35 R18 atrás em rodas de liga leve.
Carroceria: Cupê em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 4,36 metros de comprimento, 1,74 metro de largura, 1,40 metro de altura e 2,66 metros de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 1.565 kg.
Porta-malas: 370 litros.
Tanque: 53 litros.

A boa vontade do 135 Ci também pode ser conferida na hora das ultrapassagens. O torque de 40,7 kgfm já disponível a partir das 1.300 rotações mantém o motor sempre cheio, beneficiando as retomadas de velocidade. Na serra, o modelo também usufrui do bom torque e do câmbio bem escalonado, sem imprecisões entre uma marcha e outra. Mas o bacana mesmo é apelar para as mudanças nas borboletas do volante e se divertir com o desempenho do cupê.

A eletrônica embarcada do modelo, a distribuição de peso 50/50 e um jogo de suspensão muito bem acertado, por sua vez, conferem uma estabilidade quase diabólica -- ou quase divina, dependendo do jeito de olhar. O carro não faz menção de jogar a traseira, nem torce demais a carroceria. Desconforto apenas no espaço reduzido para pernas e cabeças, algo normal em um cupê.

A suspensão mais rígida trabalha bem nas arrancadas e freadas bruscas e o 135 não levanta em demasia a frente, tampouco mergulha nas paradas bruscas, quando o ABS e o EBD ajudam a manter o modelo sob o controle do condutor. Mas entrega a conta na hora de trafegar pelas esburacadas ruas brasileiras. O carro "bate" nos buracos, não filtra as irregularidades e os sacolejos são sentidos no habitáculo.

Dentro do cupê da BMW, a maioria dos comandos é intuitiva, ao alcance dos olhos e mãos do motorista. O modelo oferece ajustes dos bancos e da coluna de direção, mas a regulagem do assento obriga o motorista a abrir a porta ou espremer a mão. O volante firme, preciso e com boa pegada privilegia a proposta esportiva do 135 Ci. O quadro de instrumentos oferece visualização clara e objetiva e os revestimentos de painéis e portas beiram a perfeição e os encaixes e fechamentos são precisos.

Entrar no 135 Ci, porém, não é tarefa fácil devido à baixa altura do modelo. O carro veste bem a motorista e passageiro, mas sem sobras para cabeças e pernas. Atrás, o vão para cabeças é pior e só mesmo dois adultos de estatura mediana conseguem viajar sem grandes apertos. E a visibilidade, tanto traseira como lateral, é prejudicada pelas largas colunas centrais e traseiras. O isolamento acústico, em contrapartida, é eficiente mesmo em velocidades altas. E o porta-malas de 370 litros impressiona para um cupê.

O modelo avaliado fez a média de 7,4 km/l de gasolina, com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Bebe bem, mas dentro do previsto para um motor turbo com 310 cv e transmissão automática. Num uso mais urbano, com o turbo pouco exigido, alcançou médias de surpreendentes 11 km/l. (por Fernando Miragaya)

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