Carros

Versão 4WD busca afirmar capacidade do urbano EcoSport

Da AutoPress

Especial para o UOL

11/09/2009 19h10

Já faz alguns anos que os utilitários esportivos rodam mais no asfalto que na lama. Mas ainda que os passeios fora-de-estrada sejam raros para esses veículos, uma versão com alguma capacidade "off-road" é quase indispensável para justificar a "alma lameira". Essa é a razão da existência da versão 4WD do EcoSport. Desde que foi lançado no Brasil, em 2003, o jipinho da Ford se tornou referência em vendas no segmento de utilitários esportivos leves. Justamente por oferecer no mercado a possibilidade de ter um utilitário esportivo próprio para se rodar na cidade. Tanto que a configuração com tração 4X4 chegou somente no início de 2004.

  • Diogo de Oliveira/Carta Z Notícias

    Para superar seus concorrentes diretos, EcoSport vai ter de fazer valer sua vocação urbana

A participação de 5% no mix de emplacamentos deixa evidente que o EcoSport 4WD tem uma importância mais simbólica que propriamente comercial. Apesar do porte de utilitário, é a tração integral que torna possível se aventurar em trilhas de terra. Mas dentro da gama do SUV compacto da Ford, declaradamente urbana, a configuração 4WD ainda representa um agravante: por possuir tração 4X4 e vir com o conteúdo máximo de série. Em outras palavras, é a mais cara da linha feita em Camaçari, na Bahia. O preço de R$ 66.180 acaba por deixar a versão "off-road" do EcoSport muito próxima dos sul-coreanos importados Hyundai Tucson e Kia Sportage, que têm porte mais robusto, são maiores e custam R$ 69.900 e R$ 67.500 - na versão 4X2.
 

Em preços, a versão 4WD do EcoSport também fica mais cara que o Mitsubishi Pajero TR4, que custa R$ 63.370 e é efetivamente capacitado ao uso fora-de-estrada, com caixa de câmbio reduzida, bloqueio do diferencial central e modo 4X2 com tração traseira. No jipinho da Ford, o sistema é simples, batizado de Control Trac 2. Ele joga a força preferencialmente para o eixo dianteiro, mas quando há perda de aderência em uma das rodas da frente o dispositivo automaticamente transfere parte do toque para as rodas traseiras. Ao se acionar a tecla 4WD no painel, ocorre uma espécie bloqueio elétrico do diferencial central, que passa a distribuir força igual entre os eixos.

Já na parte mecânica, o EcoSport é o mais potente entre os SUVs compactos equipados com motor 2.0, ao lado do Tucson, mas com a vantagem de ser flex - o coreano roda apenas com gasolina. A unidade de força é acoplada a um câmbio manual de cinco marchas e produz 141 cv com gasolina e 145 cv com álcool aos 6 mil rpm e um torque de 19,1/19,4 kgfm aos 4.250 giros.

FICHA TÉCNICA

Ford EcoSport 4WD 2.0 16V flex
Motor: Álcool e gasolina, transversal, 1.999 cm³, quatro cilindros em linha, 16 válvulas e duplo comando de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira com opção de modo integral 4X4.
Potência: 141 cv com gasolina e 145 cv com álcool a 6 mil rpm.
Torque: 19,1 kgfm com gasolina e 19,4 kgfm com álcool a 4.250 rpm.
Diâmetro e curso: 87,5 mm X 83,1 mm. Taxa de compressão: 10,1:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços inferiores, molas com compensação de carga lateral, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente com braços de controle e arrasto, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor. Oferece sistema ABS com EBD de série na versão.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Dimensões: 4,23 metros de comprimento, 1,73 metro de largura, 1,68 metro de altura e 2,49 metros de entre-eixos. Oferece duplo airbag frontal de série na versão.
Porta-malas: 292 litros.
Peso: 1.385 kg em ordem de marcha. Carga útil: 395 kg.
Tanque: 50 litros.

O pacote de série do 4WD também é o mais completo. São de série direção hidráulica, ar-condicionado, trio elétrico com acionamento por um toque e sistema anti-esmagamento nos vidros, rodas de liga leve aro 15 calçadas com pneus de uso misto e o sistema de som My Connection, que integra rádio/CD, leitor de MP3, comandos na coluna de direção, Bluetooth e entradas auxiliares, USB e para iPod. Entre os itens de segurança, o modelo traz ainda freios com ABS e EBD e airbag duplo frontal. O espírito aventureiro aparece reforçado em penduricalhos. Espelhos retrovisores, grade frontal, estribos laterais, molduras plásticas e as rodas de liga leve são pintadas em tom cinza escuro. Bancos e volante revestidos de couro são opcionais.

O EcoSport exibe o visual renovado em 2007. O utilitário feito sobre a mesma plataforma da linha Fiesta trocou faróis, lanternas e para-choques e teve também o painel redesenhado para tentar transmitir melhor impressão no acabamento. As mudanças surtiram algum efeito. As vendas basicamente foram mantidas, com média de 3.500 unidades mensais. Só que o segmento ganhou novos competidores. Além do TR4, fabricado em Goiás, o Sportage e o Tucson atuam com um custo/benefício agressivo - o modelo Hyundai, inclusive, se tornou o segundo SUV mais vendido do país, com pouco mais de 2 mil emplacamentos/mês. Além disso, há um mês desembarcou o também coreano crossover Kia Soul, enquanto a General Motors prepara um jipinho derivado da nova linha Viva para o ano que vem. Ou seja, o Eco vai ter de fazer valer sua vocação urbana. E ressaltar seu apelo aventureiro. Mesmo que seja mais simbólico.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Como em todo utilitário 4X4, o primeiro desejo que vem à cabeça no EcoSport 4WD é testar a desenvoltura do modelo em trilhas de terra. Mas basta acessar o interior para perceber que, apesar de oferecer a opção de tração integral, o jipinho da Ford é mesmo voltado ao uso urbano. A começar pelo habitáculo com ares de automóvel de passeio. O painel feito de plásticos rígidos tem detalhes prateados, há boa quantidade de porta-objetos e a lista de série prioriza o conforto e a conveniência. Há direção, ar, trio e rádio/CD/MP3, comandos na coluna de direção, Bluetooth e entradas auxiliar, USB e para iPods.

O comportamento dinâmico deixa ainda mais evidente o lado urbano do utilitário compacto da Ford. A suspensão trabalha como nos carros de passeio, mais macia que rígida e com o curso curto. No asfalto, o conjunto independente nos dois eixos absorve bem as imperfeições e transmite pouca vibração. Apesar da altura mais elevada, de 1,68 metro, o EcoSport também oferece bom equilíbrio em curvas e retas. Nas manobras mais intensas, a carroceria torce bem. Mas, nas retas, a comunicação entre rodas e volante se mantém precisa até a máxima de 180 km/h, sem flutuação. A versão 4WD oferece ainda freios com ABS, que proporcionam frenagens eficientes e neutras.

Ao longo dos quase mil quilômetros percorridos na estrada que liga Salvador ao município de Ipiaú, no interior baiano, a tração integral mostrou ser útil também sobre o asfalto. Com o modo 4WD acionado por meio do botão no console central, o modelo se mantém grudado no chão em situações com pista molhada. Por outro lado, o consumo de combustível é maior: a média foi de 7,5 km/l com álcool, enquanto no modo "normal", com tração sob demanda, o consumo com o combustível vegetal foi de 9,2 km/l. Já em pista de terra, o EcoSport se mostra mais frágil, mesmo com a 4WD ligada. Há uma sensação de baixa aderência, confirmada nas curvas fechadas, quando o modelo requer atenção para não sair da trajetória.

O rendimento do motor 2.0 16V Duratec também agrada. Embora o torque de 19,4 kgfm com álcool seja despejado por inteiro só aos 4.250 rpm, a partir dos 3 mil giros o propulsor já entrega boa parte da energia, favorecendo retomadas. Nas arrancadas, a unidade de força demora um pouco mais a encher, mas se mostra valente com seus 145 cv. O zero a 100 km/h leva 9,1 segundos. O câmbio de cinco marchas auxilia no desempenho. As relações são bem escalonadas, sem a necessidade de reduzir constantemente as marchas para ganhar fôlego. O EcoSport 4WD agrada mais no asfalto que na terra. E esse é mesmo o objetivo. (por Diogo de Oliveira)

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