Peugeot 307 sedã tem ótimo recheio e custa o mesmo que o hatch

Da AutoPress

Especial para o UOL

O mercado brasileiro adora um sedã e por aqui os três-volumes se procriam até em segmentos compactos e médios -- diferentemente da Europa. É o caso do Peugeot 307 sedã, configuração fabricada na Argentina, que abastece o Brasil, mas nunca foi ao Velho Continente (lá, a linha 307 foi sucedida pela 308). Talvez pela falta de experiência em desenvolver sedãs médios, o modelo não agradou muito por aqui. Tanto que a montadora decidiu adotar uma estratégia agressiva para garantir algum espaço no segmento: o terceiro volume sai de graça. Os 27 cm que ganha no comprimento -- que se traduzem em 175 litros a mais no porta-malas -- viram uma espécie de bônus: a versão top de linha, a Feline 2.0 16V automática, por exemplo, custa exatos R$ 68.500. Seja hatch, seja sedã.

  • Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

    Peugeot 307 sedã peca no resultado visual, mas é mais barato frente aos rivais similares

O problema é que a frente moderninha do 307 sedã, com faróis angulosos e o bocão entre a grade e o para-choques, destoa completamente da traseira conservadora, com lanternas triangulares e tampa do porta-malas chapada e elevada. O emparelhamento dos preços tenta compensar essa desarmonia. Mas as vendas não refletem essa vantagem. Neste ano, o sedã registra uma média de 330 unidades por mês, enquanto o dois volumes ultrapassa as 820 unidades. Nas outras marcas, as versões hatch costumam vender menos que a variante sedã.
 

APARÊNCIA E ESSÊNCIA
Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
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Embora o desenho desequilibre a performance de mercado, o terceiro volume não atrapalha o desempenho dinâmico do 307 sedã. Ao contrário: agrega um excepcional porta-malas de 515 litros às qualidades de um modelo bem equipado. Principalmente na versão Feline, que é bem recheada tanto em itens de segurança -- airbag duplo frontal, freios com ABS e EBD, retrovisor eletrocrômico e sensor de obstáculos traseiro -- quanto de conforto -- ar automático com duas zonas, sensores de luminosidade e de chuva, direção, trio elétrico, teto solar, revestimento em couro, computador de bordo e controle de cruzeiro.

O motor é o conhecido 2.0 16V da PSA, gerenciado sempre por uma transmissão automática de quatro marchas com mudanças sequenciais. Desde setembro, este propulsor passou a ser flex, o que elevou sua potência máxima para 151 cv -- só com gasolina, manteve o limite de 143 cv. O torque é, respectivamente, de 22 e de 20 kgfm, aos mesmos 4 mil giros.
 

FICHA TÉCNICA

Peugeot 307 sedã Feline 2.0 16V Flex A/T
Motor: Gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.970 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático sequencial de quatro marchas à frente e uma a ré com opção de modo manual de passagem das marchas. Tração dianteira.
Transmissão: Automática sequencial de quatro marchas.
Potência: 143 cv com gasolina e 151 cv com álcool a 6 mil rpm.
Torque: 20,0 kgfm com gasolina e 22,0 kgfm com álcool a 4 mil rpm.
Diâmetro e curso: 78,8 mm x 82 mm. Taxa de compressão: 11,0:1.
Suspensão: Dianteira com rodas independentes, pseudo McPherson invertido, com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos pressurizados. Traseira com rodas independentes, com barra de dois braços deformável, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos pressurizados.
Freios: Discos ventilados na frente e discos sólidos atrás. Oferece ABS e EBD de série na versão.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. 4,48 metros de comprimento, 1,76 metro de largura, 1,52 m de altura e 2,61 m de distância de entre-eixos.
Peso: 1.411 kg.
Porta-malas: 515 litros.
Tanque: 60 litros.

Enquanto motor e o recheio nivelam o sedã da Peugeot aos melhores rivais, o preço o deixa em nítida vantagem. Com transmissão automática, Toyota Corolla SE-G 1.8, Citroën C4 Pallas Exclusive, Ford Focus sedã Ghia 2.0, Chevrolet Vectra Elite 2.0, Honda Civic EXS 1.8, Nissan Sentra SL 2.0 CVT e Renault Mégane Privilège 2.0, têm preços entre R$ 69.250 e R$ 83.810. O que pode justificar o fato de o modelo representar 21% de vendas da linha sedã no Brasil. Participação significativa para um topo de linha.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
O 307 sedã tinha tudo para ser um carro próximo da perfeição. O modelo oferece ótima dirigibilidade, estabilidade exemplar e alto nível de equipamentos. Mas peca em dois detalhes cruciais. O primeiro é no design da traseira, com um ar conservador e comportado demais, que se contrapõe ao que sugere o desenho dianteiro. O outro só é percebido mesmo após se ligar o carro. O câmbio automático de quatro velocidades limita o potencial do motor de 151 cv, com álcool.

A começar pelas arrancadas. Há um demora entre o tempo que se pisa no pedal do acelerador e a resposta do motor. Mesmo assim, foi possível sair da inércia e alcançar os 100 km/h em bons 9,4 segundos. Mas nas ultrapassagens e nos trechos de subida, a transmissão mal escalonada se faz perceber novamente. Há outro "buraco" entre a terceira e a quarta. Isso combinado ao torque só disponível depois dos 4 mil giros resulta em buracos nas relações. Na serra, é melhor apelar para as mudanças sequenciais para minimizar essas imprecisões.

No mais, o 307 sedã se destaca pela estabilidade. O motorista tem pleno controle do carro em curvas e nas freadas bruscas, auxiliadas pelo ABS e EBD dos freios. Nas retas em altas velocidades, a comunicação entre rodas e volante se mostra eficiente até os 190 km/h. Mesmo com a flutuação da frente, é possível chegar aos 205 km/h de velocidade final.

Outro ponto forte é o conforto. Motorista e passageiros contam com bom espaço para pernas e cabeças e atrás dois adultos e uma criança conseguem viajar sem grandes apertos. Esse conforto só é comprometido pela buraqueira das ruas. A suspensão não filtra bem as irregularidades e os reflexos no habitáculo são percebidos por todos os ocupantes. (por Fernando Miragaya)
 

DE ZERO A 100 PONTOS, O PEUGEOT 307 SEDÃ FELINE

Desempenho - Os 151 cv com álcool do motor 2.0 emprestam um bom fôlego ao 307 sedã. O que atrapalha a performance é o câmbio de quatro velocidades: mal escalonado, deixa um buraco entre primeira e segunda e entre a terceira e quarta marchas, o que compromete principalmente as retomadas. Mesmo assim, o zero a 100 km/h é conseguido em bons 9,4 s e o 60 km/h a 100 km/h em drive consome 9,0 s. Nota 7
Estabilidade - O terceiro volume do 307 sedã não se faz notar muito nas curvas. A carroceria torce pouco e o modelo não faz menção de jogar a traseira. Nas freadas bruscas, auxiliado pelo ABS e EBD, o sedã se mantém na trajetória e não mergulha a frente. Nas retas, a sensação de flutuação surge após os 190 km/h. Nota 8
Interatividade - A ergonomia se mostra eficiente com diversos botões ao alcance das mãos e a praticidade dos comandos satélites do som e do controle de cruzeiro. A posição de dirigir é facilitada pelos ajustes do banco e do volante, a visibilidade é satisfatória e a visualização do quadro de instrumentos e do computador de bordo são boas. Nota 8
Consumo - A média de 5,9 km/l com álcool e uso 2/3 na cidade pode ser considerada baixa, mesmo para um motor de 151 cv com transmissão automática. Nota 6
Conforto - Todos os ocupantes contam com um bom espaço para pernas na frente e atrás. O vão para cabeças, porém, é menor no banco traseiro. Além disso, os ocupantes de trás também são os que mais sofrem com a suspensão dura demais para os padrões de ruas brasileiras. Nota 7
Tecnologia - O 307 sedã usa plataforma de 2001, mas que já foi retrabalhada para o 308 na Europa. A versão topo de linha oferece airbag duplo e ABS de série. São os únicos itens de segurança de destaque. A transmissão automática com quatro velocidades e o motor 2.0 16V, que recebeu flex no ano passado, começam a ficar defasados. Nota 7
Habitabilidade - O bom vão das portas facilita o acesso ao 307 sedã. O modelo também oferece práticos e amplos porta-objetos, como um espaço no console central para celulares e os porta-mapas nas portas. Os porta-copos no console central é são atrapalhados pelo freio de estacionamento e falta um descansa braço traseiro. O porta-malas de 515 litros condiz com o segmento. Nota 8
Acabamento - O modelo é bem acertado por dentro. Há precisão nos encaixes e fechamentos. As forrações, para uma configuração top como a Feline, porém, mereciam um material mais nobre. Nota 8
Design - A traseira do sedã não condiz com as linhas arrojadas e angulosas da gama 307. As lanternas triangulares e o porta-malas alto e reto emprestam um ar antiquado demais ao três volumes. Nota 6
Custo/Benefício - Frente aos seus rivais com níveis de equipamentos similares, o 307 sedã Feline 2.0 16V flex automático é mais barato. Nota 7
Total - O 307 sedã Feline somou 72 pontos em 100 possíveis. NOTA FINAL: 7,2.

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