Ranger XLT CD 2010, com motor 3.0 e tração 4x4, é discretamente poderosa

Ricardo Panessa

Especial para o UOL
Em Campinas (SP)

Por fora, ela mudou bastante. Por dentro e "por baixo", praticamente nada. A linha Ranger 2010, apresentada na sexta-feira, chega às lojas este mês com frente nova, cara de brava e jeitão imponente, mas a mecânica continua a mesma: turbodiesel 3.0 16V PowerStroke ou gasolina 2.3 16V Duratec, 4x2 e 4x4, cabine simples e dupla. Os preços vão de R$ 45.900 a R$ 96.730 e todas as versões só estão disponíveis com câmbio manual.

  • Divulgação

    Nova Ranger, como todo utilitário de uso misto, se presta ao trabalho e ao lazer, lama e asfalto

A frente, que recebeu as principais alterações visuais, ficou mais alta, quadradona e agressiva, realçando seu aspecto de força e robustez. O interior da cabine, com benesses e mazelas, é acolhedor e funcional, embora um tanto apertado e desconfortável no banco traseiro. E o conjunto mecânico continua garantindo bom desempenho.
 

ÁLBUM DE FOTOS
Divulgação
MAIS IMAGENS DA RANGER 2010

PRONTA PARA TUDO
UOL Carros rodou cerca de 300 quilômetros com uma Ranger 3.0 turbodiesel XLT 4x4 2010 neste final de semana, e comprovou as qualidades -- e defeitos -- do modelo. Como qualquer outro utilitário de uso misto, a Ranger também se presta tanto para o trabalho quanto para o lazer.

Pelo tamanho, tem vocação estradeira. Medindo 5,14 m de comprimento, 2,01 m de largura e 3,19 m de distância entre-eixos, pode levar até cinco pessoas na cabine e 1.065 quilos de carga na caçamba. Motorista e passageiro da frente usufruem de relativo conforto, mas três no banco traseiro viajam apertados e desconfortavelmente.

Bem instalado no seu banco com múltiplas regulagens de altura, distância e inclinação, o motorista é quem mais usufrui numa Ranger. Assim, condutores de qualquer estatura encontram a posição ideal de dirigir. Volante -- regulável em altura -- com empunhadura agradável, quadro de instrumentos com boa visibilidade, direção hidráulica bem calibrada e alavanca de câmbio precisa e de fácil manuseio valorizam a dirigibilidade da picape. É fácil e agradável guiar a Ranger, no asfalto ou na terra.

CONFORTO RELATIVO
A Ranger é tão confortável quanto uma picape -- das boas -- pode ser. Nesse quesito, principais inconvenientes (nas versões cabine dupla) estão no banco de trás. O piso alto e o ângulo de inclinação muito fechado entre o encosto e o assento, tornam as viagens longas um martírio para quem vai atrás. A distância para as pernas é de 977 mm para os passageiros do banco traseiro e 1.077 mm para os do dianteiro. Na prática, duas pessoas de estatura média viajaram apertadas no banco de trás durante a avaliação.
 

MOTOR E FICHA TÉCNICA

  • Divulgação

    Bloco turbodiesel 3.0 16V PowerStroke gera 163 cavalos de potência (3.800 rpm) e 38,7 kgfm de torque (a partir dos 1.600 rpm).

Em compensação, motorista e passageiro da frente viajam bem melhor. Os bancos, de tecido na versão testada, são envolventes, macios e firmes; o painel emoldurado em prata e o quadro de instrumentos com novo grafismo criam um ambiente interno aconchegante e amigável; os porta-trecos, latas e garrafas no console central são práticos e eficientes; e a visibilidade para frente e para os lados -- os retrovisores laterais são especialmente amplos -- é total.

O interior tem muitas outras benesses e itens de conforto, como qualquer automóvel moderno: computador de bordo, acionamento elétrico dos vidros a um toque e sistema de abertura e fechamento automático dos vidros e portas, ar condicionado, além de sistema de áudio completo My Connection com rádio/CD-player MP3/WMA, portas de entrada USB para rádio auxiliar e iPod, e conexão Bluetooth com telefone celular.

O extintor de incêndio, que a Ford insiste em instalar na base do banco do passageiro da frente -- como faz em alguns automóveis -- e o espelho auxiliar atrás do quebra-sol do passageiro sem iluminação de cortesia, são inconvenientes imperdoáveis num veículo de R$ 89.290.
 

11 MARCAS, 13 MODELOS, 70 VERSÕES

  • Divulgação

    A Ford participa de um mercado de picapes médias a diesel e a gasolina disputado por modelos de onze marcas diferentes. Este segmento oferece ampla gama de opções ao consumidor: cabine simples, estendida ou dupla; motores diesel, gasolina ou flex; tração 4x2 ou 4x4; despojadas para o trabalho ou luxuosas e confortavelmente equipadas para o lazer. São cerca de treze modelos e setenta opções para atender às mais diversas aplicações.

    O segmento cresce a passos largos no Brasil. Em 2005, foram vendidas 56.027 picapes médias no país. Em 2008, saltou para mais de 95 mil picapes médias no mercado brasileiro. Este ano, até junho, já foram comercializadas 50.012 picapes médias no mercado brasileiro, das quais 5.284 Ford Ranger, com 10,57% de participação.

    CHEVROLET S10 VENDE MAIS
    A Chevrolet S10 é a líder no segmento de picapes médias desde seu lançamento em 1995, um ano após da estreia da Ranger. Em 2008, pela 14ª vez consecutiva, a S10 espontou como a picape média mais vendida do Brasil. Mesmo com visual defasado frente as concorrentes, ultrapassou o patamar de 31 mil unidades vendidas em 2008, conquistando quase 33% do mercado.

    A Toyota Hilux aparece em segundo lugar na preferência dos consumidores, com 21,7 mil unidades vendidas em 2008 e 22,7% de participação. Em terceiro, a Mitsubishi L200, com 19 mil veículos vendidos e 19,9% de participação, seguida pela Ford Ranger, com pouco menos de 14 mil unidades. A Nissan Frontier, produzida no Brasil, vendeu 6,3 mil unidades e conquistou 6,5% de participação em 2008.

PAPA-LÉGUAS
Rodando, o conceito "conforto" ganha outros contornos na Ranger. O motor turbodiesel 3.0 16V PowerStroke que a Ford disponibilizou na picape a partir de 2005, com 163 cavalos de potência (3.800 rpm) e 38,7 kgfm de torque (a partir dos 1.600 rpm), é um dos mais potentes da categoria, e torna a condução da Ranger um exercício de prazer. Ele emite baixo nível de ruído em qualquer faixa de giro e transmite quase nada de vibração para o volante ou interior da cabine. Segundo a Ford, é capaz de levar a Ranger a 170 km/h de velocidade máxima.

As suspensões também são pontos fortes na Ranger. São do tipo "braços curto/longo", com barras de torção e amortecedores a gás e eixo deslizante Twist Beam, na dianteira; e com eixo motriz semi-flutuante, molas semi-elípticas de dois estágios e amortecedores a gás fixados do lado externo da longarina, na traseira. E tornam a picape macia, firme e silenciosa tanto no asfalto quanto na terra. Apesar de medir 1,76 m de altura, ter 359 mm de vão livre do chão e centro de gravidade mais alto, a Ranger apresenta pouca tendência às inclinações laterais em curvas e estabilidade exemplar.

O câmbio Eaton, manual de cinco marchas, é muito bem escalonado e valoriza a potência e força que o motor disponibiliza. Em 4x2 ou 4x4 High a Ranger 3.0 arranca forte e retoma velocidade vigorosamente, principalmente quando o ponteiro do conta-giros atinge 1.600 rpm, momento em que o turbo entra em ação.

PEÃO E AGROBOY
Há quem utilize as picapes apenas para passear, assim como há quem as necessite para o trabalho. Ou ainda, para ambos. Peão ou agroboy, fazendeiro ou capataz, o importante para o dono de uma picape é passar. E a Ranger está preparada para passar, mesmo por caminhos mal pavimentados.

O ângulo de ataque (ou de entrada) da Ranger é de 34 graus e o de saída de 29 graus. Em tese, esses valores significam que a picape é capaz de entrar e sair de obstáculos com desnível razoável sem raspar a frente ou a traseira. Além disso -- e principalmente -- dispõe de sistema optativo de tração 4x4, com reduzida e bloqueio parcial do diferencial traseiro (sistema de escorregamento limitado batizado pela Ford de Track-Lok). Roda normalmente só com tração 4x2 traseira, mas quando o asfalto acaba (ou fica molhado) pode conectar a tração 4x4 em até 100 km/h, através de um botão no painel.

  • Divulgação

    QUALQUER OBRA - Ranger XLT 3.0 turbodiesel mede 5,14 m de comprimento, com 3,19 m de entre-eixos, e pode levar até cinco pessoas na cabine e 1.065 quilos de carga na caçamba

Assim, sua melhor performance aparece ao enfrentar trechos com pisos sem ou com pouca aderência, como asfalto molhado, estradas de terra e trechos de lama. Em marcha reduzida, que só pode ser acionada com o veiculo parado, a relação do câmbio é de 2,48:1, o que significa velocidade mínima, mas com força máxima.

Para otimizar seu desempenho off-road e para ajudar a sair de situações complicadas, a Ranger disponibiliza um gancho para reboque na traseira e dois na dianteira. Ao contrário de concorrentes como a Mitsubishi L200/Triton, que têm o cárter e radiador protegidos por uma chapa (ou "peito de aço"), a Ranger carece de proteção não apenas para o cárter, mas também e principalmente do radiador de água, este totalmente exposto abaixo do pára-choque dianteiro.

* Viagem à convite da Ford do Brasil

UOL Cursos Online

Todos os cursos