Polo GT se vale do visual e da boa mecânica e tenta não ficar para trás

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

Murilo Góes/UOL

O modelo da foto acima é o Volkswagen Polo GT 2.0 2010. Mas se você resolver mostrar a imagem a um europeu, certamente vai receber um sorriso debochado como resposta. Por lá, a nova geração do hatch foi apresentada em março, no Salão de Genebra, e está prestes a ser entregue às lojas. Conforme mostrou UOL Carros à época, o Polo deles ostenta agora a nova identidade da Volks europeia, o que significa ter a frente baseada no cupê Scirocco de terceira geração e um visual geral que lembra uma versão compacta da sexta geração do Golf. Mas voltemos ao que é nosso...

Ao mesmo tempo em que desconversa sobre a possibilidade de trazer a nova geração para cá, a Volkswagen do Brasil trata de "bombar" o Polo nacional. Ainda em março, lançou a versão E-Flex, que eliminou o tanquinho de gasolina junto ao motor. E em menos de duas semanas deve mostrar outra, equipada com câmbio automatizado, semelhante ao encontrado nos concorrentes da Fiat (sistema Dualogic) e Chevrolet (o Easytronic).

O Polo testado para esta reportagem, na cor vermelho Flash, corresponde ao topo de linha da gama introduzida no final de maio, já como modelo 2010. De novo mesmo, só o tanque de combustível, que agora comporta 50 litros de álcool e/ou gasolina (novidade estendida ao restante da linha, junto com os repetidores de seta). E o redesenho do painel de instrumentos, assim como a iluminação de teto para os passageiros do banco traseiro. Ainda assim, em sua configuração GT e com toda pinta de esportivo, fica até difícil dizer que o modelo esteja defasado. Colaboram para isso a bela grade do radiador em formato colmeia com moldura vermelha, que se junta à seção central do para-choque dianteiro para imitar a bocarra de um Audi, logotipos da versão e detalhes cromados e em alumínio, faróis de duplo refletor com máscara negra, dupla saída de escapamento, belas rodas estreladas de 15, entre outros itens. Os discos de freio nas rodas traseiras também são itens de série exclusivos. Seu preço começa em R$ 51.925.
 

  • O Polo nacional segue atraente ou a Volks deveria trazer já o Polo europeu? Opine

    TRÊS DETALHES E FICHA TÉCNICA

    • Murilo Góes/UOL

      Acima, a já clássica grade em colmeia com moldura vermelha e logotipo da versão GT

    • Murilo Góes/UOL

      Volante de três raios com plaqueta da versão é bonitO e agradável ao toque, mas poderia contar com comandos-satélites de som e cruise control

    • Murilo Góes/UOL

      Motor 2.0 gera 120 cv (com álcool) e 17,3 kgfm

    SAI CARO FAZER BONITO
    E ao se estudar a lista de equipamentos, percebe-se que o projeto começa a ganhar ares de datado, com mais opcionais que itens de série. Estão lá o ajuste de altura para o banco do motorista, a direção hidráulica com acerto de altura e profundidade, o computador de bordo (I-System) e o ar-condicionado eletrônico digital (Climatronic). Mas itens importantes e presumidamente fundamentais em um carro do segmento "premium", como freios antiblocantes (ABS), airbags duplos frontais, piloto automático (cruise control) e comando elétrico dos retrovisores externos (que no Polo estão vinculados ao dispositivo que inclina o espelho direito quando a ré é engatada) somente são encontrados em módulos comprados à parte. Assim como teto solar (com acionamento elétrico), sistema de som com função MP3, entrada USB, para cartão SD e Bluetooth ou sensores para o retrovisor interno (antiofuscamento), de chuva e crepuscular (que liga e regula os faróis automaticamente). Com todo este pacote, o Polo GT 2010 nacional custa incômodos R$ 58.395.

    Infelizmente, com ou sem ajuda governamental e corte de impostos, ainda sai (muito) caro ter um carro confortável e com boa dose de segurança. Se serve de alento (ou desculpa), no entanto, quem conhece o padrão mecânico adotado no Polo sabe que vai encontrar um conjunto preciso de câmbio, suspensão estável e pronta para garantir a tranquilidade do habitáculo e dirigibilidade para fazer bonito na pista, seja na cidade ou em rodovias.

    DIRIGINDO O BÓLIDO
    Equipado com o bloco 2.0 de oito válvulas e quatro cilindros, capaz de entregar até 120 cavalos de potência quando abastecido com álcool (116 cv com gasolina), não se pode dizer que o Polo GT tenha o estilo esportivo denunciado pelas formas. Mas, tampouco, é um desempenho desprezível, longe disso. Os 17,3 kgfm de torque chegam cedo, por volta dos 2.200 rpm, e embalam bem o hatch de 3,91 m e 1.141 kg, à medida em que avançamos sem trancos ou sustos pelas cinco marchas da acertadíssima transmissão mecânica. Estranha-se apenas a manutenção do reservatório de gasolina para partidas a frio no interior do compartimento do motor (a Volkswagen não utilizou a tecnologia do E-Flex no GT, nem deu uma data para que isto ocorra).

    O POLO DELES

    • Divulgação

      Frente de Scirocco e jeito de 'mini-Golf VI'

    De acordo com os números de fábrica, o Polo GT é capaz de sair da imobilidade e alcançar os 100 km/h em 9,6 s e de chegar aos 196 km/h de máxima, sempre com o combustível vegetal. E quando for preciso parar, o quarteto de freios a disco (ventilados na frente) darão conta do recado, principalmente se reforçados pelo sistema ABS (opcional, lembre-se).

    A servo-assistência da direção facilita o comando do veículo, assim como a facilidade em se encontrar a posição ideal de dirigir e, com alguns ajustes, o motorista tem os principais comandos à mão. Assim, mesmo após horas ao volante (em nosso teste, percorremos pouco mais de 500 quilômetros), o cansaço não foi sentido.

    Lamentamos, porém, que algumas conveniências tenham sido esquecidas. O volante de três raios com plaquinha de alumínio (onde o logo GT está gravado) é bonito e extremamente agradável com seu revestimento de couro, mas não conta com teclas para o sistema de som integrado; ele também acomodaria melhor o comando do piloto automático, que fica na alavanca da seta. No painel de instrumentos, a iluminação é a já conhecida azul-violeta com destaques em vermelho, mas o grafismo é novo e impreciso -- a ausência de algumas indicações ímpares no velocímetro dificulta a manutenção do ritmo. Os diferentes padrões para os acionadores de travamento/abertura das portas e dos vidros elétricos nas portas dianteiras esquerda e direita podem confundir quem costuma se alternar nas funções de motorista e carona. E a escassez de porta-objetos certamente não leva em consideração o tempo cada vez maior passado a bordo do veículo, principalmente nos grandes centros -- atrás da alavanca de freio, há um porta-copos duplo muito raso, enquanto o painel esconde um esquisito porta-copos pantográfico.
    • Murilo Góes/UOL

      Fotos do Polo nacional: Murilo Góes/UOL

    Para quem vai atrás, o espaço é curto: a existência de apenas dois encostos de cabeça e os reduzidos 250 litros do porta-malas denunciam a real capacidade do Polo, fazendo lembrar muito mais o perfil compacto do que a categoria "premium". De toda forma, o auxílio da concavidade no teto ajudará a minimizar qualquer má impressão, por garantir que mesmo pessoas mais altas se acomodem por ali.

    Ao final do teste, aferimos o consumo através do computador de bordo: a média urbana foi de 7,8 km/l, medição compreensível para um modelo equipado com motor 2.0 e rodando com álcool. E sincronizada aos números de fábrica. Já na média rodoviária, com somente 9,6 km/l alcançados contra 11,4 km/l dos dados da Volks não teve jeito, "nosso" Polo GT ficou para trás.

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