SUV Tiguan ousa pouco e perde chance de refinar imagem da Volkswagen

Da AutoPress

Especial para o UOL

Ser a dona do Gol, carro mais vendido num mercado de modelos populares como o brasileiro tem seu preço. Para a Volkswagen, é ter a imagem associada justamente a modelos baratos, resistentes, mas sem maiores requintes. A alternativa para a montadora alemã é fazer de sua linha de importados por aqui uma referência de sofisticação. E tentar se valer da boa fama das marcas premium germânicas, como Mercedes-Benz, BMW, Audi e Porsche -- essas duas que fazem do mesmo grupo da Volks. O Tiguan (leia o texto de lançamento) é mais um exemplar dentro desta "filosofia". O utilitário esportivo médio chega ao Brasil em uma versão bastante completa e com preços a partir de R$ 124.190. Mais ou menos a mesma política usada em outros importados, como Touareg, Eos e Passat CC.

  • Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

    Montado sobre a plataforma do Golf V europeu, Tiguan custa caro e parece menor do que é

Essa vocação top já fica evidente sob o capô. Na Europa, o Tiguan usa motores gasolina de 140 cv e 170 cv, mas a Volkswagen optou por trazer o modelo apenas com o moderno propulsor 2.0 TSI, com turbo e injeção direta de combustível. São 200 cv a 5.100 rpm e torque máximo de 28 kgfm entre 1.700 e 5.100 rotações. O conjunto mecânico ainda conta com a transmissão automática Tiptronic, de seis velocidades, e com tração 4X4, chamada na Volks de 4Motion, que distribui o torque automaticamente entre os eixos de acordo com o tipo de terreno e o modo de condução.
 

QUESTÃO DE APARÊNCIA
Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
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A lista de equipamentos também reforça essa proposta top do Tiguan. O utilitário esportivo chega com itens de segurança como controles de estabilidade e de tração, freios com ABS e EBD e airbags frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina, retrovisor eletrocrômico, indicador de pressão dos pneus, espelhos externos com desembaçadores e sensor de obstáculos traseiros. Na parte dos equipamentos de conforto, itens previsíveis em um modelo de R$ 124 mil: ar-condicionado automático dual zone, direção hidráulica, trio elétrico, computador de bordo, controle de cruzeiro, sensores de chuva e de luminosidade, rádio/CD/MP3, entre outros.
 

ACELERADAS

- O lançamento oficial do Volkswagen Tiguan ocorreu no Salão de Frankfurt de 2007.
- O nome Tiguan é a junção das palavras tigre e iguana. Pelo marketing da Volks, o modelo junta a força do felino com a versatilidade do réptil.
- O utilitário esportivo oferece sete opções de cores e seis padrões de revestimento interno.
- O modelo utiliza a plataforma PQ35, a mesma do Golf V, uma geração atrás em relação ao Golf europeu e uma à frente em relação ao exemplar brasileiro.
- Além dos três motores a gasolina, na Europa o SUV é vendido com dois propulsores turbodiesel, com 140 cv e 170 cv.
- O utilitário esportivo recebeu a qualificação máxima de cinco estrelas do EuroNCAP, instituto europeu que avalia a segurança dos veículos através de crash-tests. Nos Estados Unidos, obteve nota máxima nos testes de capotagem do IIHS (Institute Insurance Highway Safety).

Com isso, o SUV se distancia no preço de outros crossovers médios com os quais poderia confrontar e compromete seu custo/benefício. Afinal, Chevrolet Captiva AWD, Honda CR-V EX-L 4WD, Nissan X-Trail LE, Hyundai Tucson GLS 2.7 4X4 e Kia Sportage EX 2.7 V6 automático custam entre R$ 99 mil e R$ 107 mil. Só que o Tiguan deixa de lado alguns itens que o tornariam mais interessante. Teto solar panorâmico, revestimento em couro, regulagem elétrica do banco do motorista, por exemplo, só como opcionais. O pacote de extras também inclui rodas aro 18, faróis de xênon direcionais, bancos dianteiros aquecíveis, borboletas atrás do volante para mudança de marchas, gancho traseiro para reboque, ajuste manual de altura do assento do carona e um módulo off-road, que otimiza o funcionamento do ABS, do ESP e da transmissão para o fora-de-estrada.

Desta forma, como a versão testada, o Tiguan alcança R$ 154.145 e passa a concorrer com utilitários esportivos maiores, como Ford Edge, a R$ 149.700, Hyundai Santa Fe 7 lugares, a R$ 144.700, e Nissan Pathfinder SE 4.0, a R$ 145.900. E com outros com mais vocação off-road. Afinal, o Jeep Cherokee Sport parte dos R$ 125 mil, o Land Rover Freelander 2 S 3.2 V6 custa R$ 132 mil, Mitsubishi Pajero Full é vendido a R$ 152.990, e a Toyota Hilux SW4 4.0 V6 sai por R$ 156.800.

É um preço elevado, mesmo para um modelo bem recheado e com boa dose de tecnologia. Com a agravante de carecer de apelo visual. Ou seja, segue bem o estilo Volkswagen de poupar ousadias estéticas. Na frente, o conjunto ótico irregular é até agressivo, mas o capô traz dois vincos previsíveis, que convergem para a grade frontal em forma de "U", e caem na identidade visual que a marca vem implementando em seus modelos mundo afora -- inclusive na nova geração do Gol. Nas laterais, poucas saliências e caimento bem conservador. A traseira é ainda mais comportada e as lanternas com contornos circulares remetem até à station wagon compacta SpaceFox. Este visual faz o Tiguan parecer menor que a maioria dos seus rivais. Aspecto tão complicador para um crossover quanto é para um importado se parecer com um modelo compacto campeão de vendas.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
A ausência de robustez e arrojo no design do Volkswagen Tiguan pode até enganar o motorista. Mas basta virar a chave do utilitário esportivo médio e colocar o câmbio Tiptronic em drive para ver que o modelo oferece mais do que aparenta. A começar pelo motor turbo com injeção direta de combustível em conjunto com a transmissão automática de seis velocidades, que oferece um desempenho valente ao modelo, tanto no asfalto quanto na terra. Apesar do peso, de 1.600 kg, o Tiguan demonstra certa agilidade, com um zero a 100 km/h em 9 segundos e retomadas ainda mais interessantes. O 60 km/h a 100 km/h em quinta marcha sequencial, por exemplo, foi obtido em 7,1 segundos, enquanto em drive o tempo foi de 8,5 s.

A desenvoltura do Tiguan nas retomadas deve-se não só ao câmbio, bem-escalonado, mas principalmente à faixa de torque máximo. Desde os 1.700 até 5.100 giros o SUV tem ao seu dispor 28,5 kgfm. Ou seja, o motor enche rápido com qualquer marcha e em qualquer velocidade, facilitando as ultrapassagens em retas. Nos trechos de subida, nada de imprecisões ou indecisões e o Tiguan mantém a aceleração constante. De volta às retas, não é preciso fazer muito esforço para levar o ponteiro do velocímetro aos 207 km/h.
 

FICHA TÉCNICA

Volkswagen Tiguan 2.0 TSI
Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.984 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção direta de combustível, acelerador eletrônico e turbocompressor com intercooler.
Transmissão: Câmbio automático sequencial de seis velocidades à frente e uma a ré. Tração integral. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência: 200 cv a 5.100 rpm.
Torque: 28,5 kgfm entre 1.700 rpm e 5 mil giros.
Diâmetro e curso: 82,5 mm x 92,8 mm.
Taxa de compressão: 9.8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo Fourlink, com braços sobrepostos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Freios: A discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS e EBD.
Carroceria: Utilitário esportivo médio em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,43 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,66 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 1.622 kg em ordem de marcha, com 608 kg de carga útil.
Porta-malas: 360 litros.
Tanque: 64 litros.

Como na propaganda de tevê o Tiguan sugere uma feroz capacidade para condução fora-de-estrada, foi preciso avaliar como se comporta o SUV num trecho de terra. Devido à ausência de tração reduzida e bloqueio do diferencial, o mais recomendável é um off-road leve, sem muitos desafios. Dessa forma, o Tiguan mostrou boa desenvoltura ao encarar bem calombos e buracos. Colocado em um trecho de baixa aderência, foi possível perceber a tração 4Motion atuando. Ela distribui bem a força entre as rodas e evitou que o SUV patine em situações críticas.

O comportamento dinâmico do Tiguan no asfalto também se mostra equilibrado. A comunicação entre rodas e volante vacila apenas ao se aproximar da máxima, quando a frente tende a flutuar um pouco. Ao entrar mais agressivamente em uma curva, a carroceria torce além do desejável, mas logo os controles eletrônicos de tração e de estabilidade aparecem para "segurar" o Tiguan. Nas frenagens bruscas, o modelo não embica e o ABS e EBD ajudam a manter o veículo na trajetória e sob o comando do condutor.

Enquanto a suspensão dianteira se mostrou meio mole -- a ponto de empinar muito nas arrancadas mais fortes --, atrás, o sistema independente foi capaz de filtrar bem as buraqueiras das ruas e estradas, sem comprometer o conforto dos ocupantes. Mas as aparências também enganam no que diz respeito a espaço. Dentro do Tiguan, os ocupantes têm bom espaço para as pernas na frente, mas no banco de trás é preciso recuar totalmente o assento para ganhar espaço para as pernas. De qualquer forma, o motorista tem boa visibilidade e pode usufruir de uma ergonomia satisfatória, com os principais comandos bastante intuitivos - as exceções são os ajustes do banco e do som. (por Fernando Miragaya)
 

DE ZERO A 100 PONTOS, O VOLKSWAGEN TIGUAN

Desempenho - Os 200 cv do motor turbo dão conta de transportar facilmente os mais de 1.600 kg do Tiguan. Apesar de o câmbio provocar um pequeno delay entre pisar no acelerador e a resposta do motor, as arrancadas são boas para o porte do veículo. O zero a 100 km/h foi conseguido em 9 s. Nas retomadas o motor enche rapidamente e em baixo giros. O torque máximo já está disponível a partir dos 1.700 giros até os 5.100, o que beneficia as ultrapassagens e a postura do utilitário esportivo em subidas. O câmbio automático de seis marchas é outro aliado e casa bem com o motor e com a tração 4Motion, não apresenta buracos e favorece a boa performance do modelo. Tanto no asfalto quanto em trechos de terra, onde o Tiguan enfrenta bem terrenos com pouca aderência, sem vacilar ou patinar. Nota 9
Estabilidade - Os controles eletrônicos de estabilidade e de tração ajudam a segurar o Tiguan, principalmente nas curvas, quando a carroceria faz menção de rolar e pode-se perceber o veículo se "corrigir" sozinho. A suspensão traseira independente ajuda a manter o modelo equilibrado em freadas bruscas, mas nas arrancadas o SUV tende a levantar a frente além do recomendável. Ainda nas paradas repentinas, o ABS e o EBD ajudam a manter o Tiguan sob o domínio do motorista. Nas retas, só mesmo próximo da máxima de 207 km/h há um pequeno sinal de flutuação da frente. Nota 8
Interatividade - A vida a bordo dentro do Tiguan peca nos detalhes. Os ajustes -- mesmo os elétricos, opcionais -- do banco são malposicionados e obrigam o motorista a espremer as mãos. O resto dos comandos e o volante multifuncional facilitam a ergonomia de um modo geral, mas o rádio/CD/MP3 tem excesso de botões e um tamanho generoso para compensar a ausência da tela do GPS, disponível apenas na Europa. A posição elevada de dirigir facilita a visibilidade e o sensor de obstáculos traseiro sempre é bem-vindo quando trata-se de um SUV. No mais, o quadro de instrumentos é de fácil leitura e o computador de bordo oferece uma boa quantidade de informações. Um inconveniente, ainda mais no off-road, é o uso de pneu temporário como estepe. Caso a troca seja necessária, o motorista tem de ir até o borracheiro mais próximo bem devagar - no asfalto, a 80 km/h no máximo. Nota 7
Consumo - O modelo testado anotou a média de 6,4 km/l com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Sofrível para um motor que bebe apenas gasolina. Nota 5
Conforto - O espaço na frente é bem distribuído e o motorista e o carona tem à disposição um bom vão para pernas e joelhos. Atrás, porém, o espaço é mais limitado para pernas e é preciso recorrer à regulagem longitudinal para ter um pouco mais de conforto. De qualquer maneira, apenas dois adultos e uma criança viajam sem grandes apertos. O vão para cabeças é suficiente para todos. Ao mesmo tempo, o isolamento acústico é eficiente, sem barulhos de motor e de rodagem incomodando. O modelo oferece ar com dual zone e um sistema de som eficiente. A suspensão, por sua vez, absorve bem as irregularidades da pista. Nota 8
Tecnologia - O Tiguan utiliza uma plataforma com seis anos de vida, relativamente moderna, e conta com um motor turbo com injeção direta, a eficiente transmissão Tiptronic, de seis velocidades, e o avançado sistema de tração sob demanda 4Motion. Oferece uma boa gama de itens de segurança e de conforto, como sensores de obstáculos, de chuva e de luminosidade, freio de estacionamento elétrico e sistema Auto-Hold, que mantém o carro parado, mesmo em ladeiras, sem que seja preciso apertar o pedal de freio. Nota 9
Habitabilidade - Os acessos ao interior do Tiguan são amplos na frente e razoáveis atrás. Há diversos e práticos porta-objetos espalhados pelo habitáculo. Apesar do estepe de perfil menor, o porta-malas acomoda apenas 360 litros -- embora todo o espaço seja bem aproveitável. A iluminação interna conta com luzes de leitura dianteiras e traseiras individuais e ainda pode ser ampliada pelo teto solar panorâmico. Nota 8
Acabamento - Os materiais utilizados no utilitário esportivo médio aparentam qualidade aos olhos e ao tato e os fechamentos e encaixes são bem precisos. Forrações e revestimentos tentam oferecer o nível de sofisticação que o Tiguan aspira. Nota 8
Design - A Volkswagen não gosta muito de ousar no estilo e o Tiguan é resultado disto. O desenho não foge da obviedade dos SUVs, com o agravante de parecer menor do que realmente é devido à falta de saliências e músculos, que poderiam conferir certo arrojo e robustez ao design. Por dentro o quadro de instrumentos é o mesmo de diversos modelos mais baratos da marca e utiliza a manjada e cansativa coloração vermelho/azul. Nota 6
Custo/benefício - O Tiguan oferece uma boa lista de equipamentos, mas pede alto por isso. Custa iniciais R$ 125 mil, o que o deixa distante de outros crossovers médios. Completo, chega a R$ 154 mil e fica mais caro ou próximo de modelos com vocação realmente off-road ou de alto luxo. Nota 5
Total - O Volkswagen Tiguan somou 73 pontos em 100 possíveis. NOTA FINAL: 7,3

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