Strada Adventure concentra vendas às vésperas da estreia da cabine dupla

Da AutoPress

Especial para o UOL

A versão Adventure é a queridinha do público da Strada desde seu lançamento, em 2000. Com visual off-road e suspensão elevada, o modelo responde por 40% das vendas da picape compacta da Fiat. Na reestilização da linha no ano passado, ganhou roupagem ainda mais robusta e bloqueio do diferencial dianteiro para passar de uma proposta jipeira estética para uma aspiração fora-de-estrada prática. O modelo aventureiro só utiliza a cabine estendida, mas a partir do início de julho terá de dividir as vitrines com a nova configuração cabine dupla. A Fiat jura que ambas vão conviver no mercado.

  • Luiza Dantas/Carta Z Notícias

    Queridinha do público, Strada Locker terá de dividir atenções com sua versão cabine dupla

O apelo visual é o principal argumento da Strada Adventure e segue a lógica dos demais modelos da linha aventureira da Fiat -- que inclui Palio Weekend, Doblò e Idea. Na renovação visual de 2008, a versão adotou rodas aro 15 no lugar do aro 14 e os pneus -- sempre de uso misto -- passaram a ter 205/70 R15 contra os 175/80 R14 anteriores. Essas especificações, em conjunto com a "tradicional" suspensão elevada em 2 cm, conferem ao modelo um aspecto ainda mais robusto e alto. Aparência reforçada ainda pelo visual off-road, com direito a estribos laterais e traseiro e barras no teto.
 

Além disso, a Adventure recebeu molduras ainda mais generosas dos para-lamas. Molduras, aliás, que se comunicam nas laterais e terminam justamente como um para-choque de impulsão na frente. Ao mesmo tempo, o modelo adotou a grade frontal cromada dentada da Palio Adventure. Na traseira, o visual é prejudicado pelas lentes falsas na tampa da caçamba, que se juntam às lanternas triangulares e emprestam um estilo controverso. Por dentro, mais reafirmações para a vocação lameira do modelo. O painel central conta com bússola e inclinômetros e as soleiras das portas têm as inscrições cromadas com o nome da versão.

A Adventure parte dos R$ 44.540, o que sugere que o modelo é o mais completo da linha. Este preço inclui previsíveis ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos com sistema um toque, computador de bordo, trava elétrica, espelhos nos para-sóis, volante com ajuste de altura, porta-óculos, entre outros. O modelo também possui tampa da caçamba com chave, janela traseira corrediça, grade do vidro traseiro e protetor de caçamba. Na parte de segurança, apenas o recente bloqueio do diferencial dianteiro, alerta de limite de velocidade programada e travamento automático das portas a 20 km/h.

Airbag duplo frontal e freios com ABS só estão disponíveis como opcionais, que custam R$ 2.845. A Adventure ainda pode receber retrovisor elétrico, sensores de luminosidade e de chuva, teto solar, capota marítima, rádio/CD/MP3, sistema Connect com Bluetooth e entrada USB, revestimento parcial em couro e retrovisor eletrocrômico. Com tudo isso, a versão chega a salgados R$ 53.207.

De qualquer forma, a Adventure não tem concorrentes diretos. Modelos como Chevrolet Montana e Volkswagen Saveiro não possuem versões off-road light ou cabine estendida. Apenas no segundo semestre a nova picape compacta da Volks -- derivada do novo Gol -- vai ter um modelo cabine estendida e uma versão aventureira. A configuração também está prevista para a nova 207 picape e para a picape derivada do projeto Viva, da General Motors, prevista para ano que vem.

Até lá, a Adventure "nada de braçadas". E a chegada da configuração cabine dupla não deixa de ser uma resposta antecipada da Fiat para manter as boas vendagens de seu modelo. Afinal, a Strada é o comercial leve mais vendido do país há dois anos (veja os números da Fenabrave para a quinzena inicial de junho). Só esse ano, mantém uma média impressionante de 6.700 unidades/mês. E, pelo visto, ainda vai demorar para algum rival aparecer no retrovisor do modelo da Fiat.
 

FICHA TÉCNICA

Fiat Strada Adventure Locker
Motor: Gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.796 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção e acelerador eletrônicos.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira com bloqueio do diferencial com acionamento elétrico. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência: 114/112 cv (a/g) a 5.500 rpm.
Torque: 18,5/17,8 kgfm (a/g) a 2.800 rpm.
Diâmetro e curso: 80,5 mm X 88,2 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Carroceria: Picape compacta em monobloco com duas portas e dois lugares. 4,45 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,64 m de altura e 2,75 m de entre-eixos. Caçamba de 830 litros. Oferece airbags frontais como opcionais.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços oscilantes inferiores transversais, amortecedores hidráulicos telescópicos, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira em eixo rígido, com amortecedores hidráulicos telescópicos e molas helicoidais anti-roll.
Freios: A discos ventilados na frente e a tambores atrás. Oferece ABS como opcional.
Tanque: 58 litros.
Peso: 1.160 kg, com 685 kg de carga útil.
Off-road: Ângulo de ataque de 26º, ângulo de saída de 31º. Altura livre do solo de 20 cm.

CAÇAMBA COUNTRY
De início, a Strada Adventure chama a atenção pelo estilo. Com sua parafernália de adereços estéticos off-road, suspensão elevada e pneus com 205 mm de largura, a impressão que se tem é que trata-se de uma picape bem maior do que é. O inegável arrojo visual pode ser comprovado também ao volante do modelo. Não que a Strada seja esportiva, mas o motor 1.8 de 114 cv -- com álcool -- garante um desempenho bastante interessante. Foram competentes 11,2 segundos para sair da inércia e alcançar os 100 km/h, por exemplo.

As retomadas também não decepcionam e o motor responde bem às investidas ao pedal do acelerador, com o quase todo o torque já liberado antes dos 2.800 giros. Com isso, a Adventure mostra desenvoltura em ultrapassagens e em trechos de subida. O motor, porém, continua apresentando seus defeitos "tradicionais". Além de vibrar bastante e não ser lá muito econômico -- a média assinalada foi de 6,4 km/l com uso 2/3 na cidade --, é barulhento. Para piorar, o isolamento acústico da Strada é falho e a 80 km/h o barulho dentro do habitáculo se torna inconveniente.

Na estabilidade, a caçamba vazia e alta se faz notar nas curvas, quando a traseira da Strada solta facilmente. Nas freadas bruscas, o ABS opcional mantém o modelo na trajetória, mas a picape embica a frente. A suspensão reforçada e alta, pelo menos, absorve bem as irregularidades da pista sem refletir no interior. Nas retas, a comunicação entre rodas e volante só se mostra vacilante próximo da máxima de 170 km/h.

Na dirigibilidade, a Strada mantém virtude e defeitos. A posição de dirigir elevada facilita a condução, o volante oferece boa pegada e a ergonomia é elogiável, com os principais comandos bastante intuitivos e ao alcance dos olhos e das mãos do motorista. O câmbio, porém, permanece pouco preciso. O espaço interno é limitado para pernas como em todo o compacto, mas a habitabilidade é beneficiada pela cabine estendida, que oferece bom espaço atrás dos bancos para acomodar objetos mais volumosos. (por Fernando Miragaya)

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