Carros

Mercedes-Benz GLK é SUV urbano que aposta no design incomum

Claudio de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

29/04/2009 12h21

Na primeira semana de março a Mercedes-Benz apresentou à imprensa o cupê CLC, fabricado em Juiz de Fora (MG), exportado para mais de 30 países e vendido por aqui a preço de importado. Na mesma ocasião, mostrou o SUV GLK, um carro totalmente novo, fabricado na Alemanha, e que faz uma espécie de releitura urbanizada dos utilitários quadradões da Classe G (praticamente invisíveis no Brasil) com pitadas de Classe C. UOL Carros testou o GLK por alguns dias, e traz agora suas impressões sobre ele.
 

  • Murilo Góes/UOL

    O Mercedes-Benz GLK contraria a tendência de "arredondamento" dos SUVs e crossovers; capô longo e cintura ascendente são marcantes Fotos: Murilo Góes/UOL

O SUV é vendido no Brasil em versão única, a GLK 280, pelo preço sugerido de R$ 225 mil (é provável que se consigam descontos). Isso o transforma numa alternativa mais em conta à Classe M (R$ 287 mil na Tabela Fipe), representada pelo ML 320, que é maior, mais robusto e com motor diesel -- mas menos estiloso que o GLK.

Por essas mais de duas centenas de milhares de reais, leva-se para a garagem um trem de força com motor V6 de 3 litros, a gasolina, capaz de gerar 231 cavalos de potência (a 6.000 rpm) e 30,6 kgfm de torque já a partir de 2.500 giros; esse bloco (disposto longitudinalmente sob o capô) é gerenciado pela transmissão automática e sequencial 7G-Tronic, de sete velocidades (a última é overdrive). O GLK é dotado de tração integral 4Matic, que distribui a força automaticamente pelas quatro rodas de acordo com a aderência detectada pelo sistema (o mesmo usado na Classe M). Não há engate para 4x4, nem reduzida.
 

Se considerarmos o preço, o pacote de equipamentos do GLK não é exatamente óbvio. Por exemplo, o ar-condicionado é de três zonas, mas não digital, como é padrão em carros de luxo. Só que os dois bancos dianteiros têm ajustes elétricos nas portas e três memórias de posição; o sistema poderia ser mais simples, ou atender apenas ao motorista, e ninguém reclamaria. O acabamento interno é em couro e possui detalhes em aço escovado. No geral, apresenta a sobriedade e o bom gosto típicos da Mercedes-Benz. Mas faltam porta-trecos mais variados e abundantes no habitáculo. Afinal, um SUV é também um veículo para a família.

Para ajudar na condução e nas manobras do GLK há piloto automático e limitador de velocidade numa alavanca na coluna da direção, e um sensor de obstáculos que aparentemente cobre toda a carroceria (prepare-se para tomar alguns sustos com seu sinal sonoro, que atua em conjunto com displays luminosos). A posição do volante é regulada eletricamente na altura e na profundidade -- outro mimo delicioso que faz jus ao preço do carro. O volante traz alguns comandos integrados de áudio e interatividade e também do computador de bordo.

Por outro lado, o indicador instantâneo de consumo informa (ou melhor, desinforma) os valores num decepcionante gráfico horizontal, e nem mesmo lendo o manual (redigido em português de Portugal) foi possível entender como sintonizar manualmente uma mísera rádio AM no sistema de som.

MEDIDAS E SEGURANÇA
O GLK tem pouco mais de 4,5 metros de comprimento (o mesmo que um Chevrolet Captiva), com entre-eixos de 2,75 metros. Em tese, essa medida garantiria uma comodidade de sedã médio-grande para os passageiros que vão atrás (idealmente dois, mas três não ficam mal). Há mesmo lugar de sobra para as pernas de quem vai à frente -- mas, se foram pessoas "espaçosas", um recuo excessivo dos bancos poderá incomodar os demais ocupantes. Isso porque o capô do GLK é longo e as rodas estão posicionadas nos extremos da carroceria: cerca de 25% da distância entre-eixos vão apenas até a altura do volante. É o preço de acomodar um motorzão V6 ao longo da carroceria num carro relativamente baixo (1,69 metro de altura).

Quanto à segurança, o GLK traz a habitual sopa de letrinhas que serve para alimentar nossa sensação de tranquilidade ao volante de um Mercedes de última geração. Os freios dispõem de ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de frenagem), a estabilidade é monitorada pelo ESP e o sistema ASR garante acelerações seguras em retomadas. São seis airbags (quatro para quem vai à frente e dois laterais para toda a área envidraçada), e os apoios de cabeça são ativos. Quem tem filhos pequenos pode usar a fixação Isofix para cadeirinhas, e pais de adolescentes saberão se toda a turma que vai atrás está com o cinto de segurança -- há um aviso no painel.

E, por falar em família, o porta-malas do GLK oferece 450 litros, com opção de rebater o encosto traseiro em 1/3 ou 2/3. Com ele totalmente baixado, a capacidade vai a 1.550 litros.
 

  • Murilo Góes/UOL

    Vocação desse SUV médio é o asfalto, onde ele roda com conforto e esportividade

  • Murilo Góes/UOL

    Traseira do GLK denuncia seu "quadril largo" e lembra o Fiat Stilo; escapes assinam o V6

É BONITO OU NÃO É?
O visual é um grande trunfo do GLK -- se não for o seu maior. O SUV já é um carro esteticamente diferenciado dentro da própria gama da Mercedes; no ambiente "multimarcas" das ruas, então, trata-se de um autêntico "torcedor de pescoços".

As linhas retas que citam a Classe G causam impacto porque boa parte dos utilitários já adotou características de crossovers não só no habitáculo, mas também no design de carroceria -- ou seja, vão ficando cada vez mais arredondados. O GLK inverte essa tendência, uma atitude assumida já no protótipo exibido em Detroit, em 2008.

A dianteira traz a enorme e mítica logomarca da Mercedes-Benz incrustada na grade de três barras, e o conjunto óptico tem recortes irregulares e avança pela lateral. Até a coluna A, ao ser visto de lado o GLK passaria por um sedã. O parabrisa é bastante inclinado, solução para ajudar a deixar o carro mais baixo que a média dos SUVs e melhorar a aerodinâmica. O teto é sublinhado nas laterais pelo belo rack de alumínio; a linha de cintura é levemente ascendente, e as maçanetas das portas acompanham o vinco que termina sobre as lanternas, sendo que as duas peças traseiras quase encostam nas janelas. As belas rodas de liga-leve de 19 polegadas arrematam o conjunto, e atrás ficam fortemente destacadas pelos ressaltos que criam um "quadril" para o GLK.

Visto por trás, o novo SUV da Mercedes-Benz lembra um pouco o Fiat Stilo, principalmente devido ao posicionamento baixo e espalhado das lanternas. É desse ângulo que fica evidente o quanto o GLK é largo (2,01 metros contando os espelhos retrovisores, que são rebatíveis eletricamente). Os dois escapes dão a assinatura do motor V6.

Resumindo: para o gosto deste repórter, o GLK é um dos modelos mais bonitos entre os disponíveis no mercado brasileiro.

RODANDO COM O GLK
Foram 440 km a bordo do SUV da marca alemã, a maior parte deles na cidade de São Paulo e em estradas de boa qualidade, além de alguns percorridos em situação de off-road, na fazenda que foi cenário das fotos dessa reportagem -- nada muito desafiador, mas suficiente para entender a proposta dinâmica do GLK.
 

EQUIPAMENTOS E DADOS TÉCNICOS

  • Murilo Góes/UOL

    Motor V6 a gasolina do GLK produz 231 cavalos de potência; transmissão é a 7G-Tronic

O carro tem clara vocação urbana e até mesmo algum apetite por velocidade. A suspensão (independente nas quatro rodas) possui um acerto firme, e a altura relativamente modesta da carroceria permite que haja pouca inclinação nas curvas. Por isso o GLK contorna as sinuosidades do trajeto como se fosse um hatch invocado, bem grudado no chão. O motor V6 -- surpreendentemente silencioso -- e o espetacular câmbio 7G-Tronic garantem a diversão. Só é pena que as trocas sequenciais sejam feitas apenas na alavanca do console: não há borboletas atrás do volante.

Outro aspecto que confirma a preferência do GLK pelo bom asfalto são os pneus largos e de perfil baixo (255/45). Se eles permitem uma rodagem mais estável em pisos regulares, estão longe do ideal para enfrentar terra, pedra e lama, onde tendem a transmitir os impactos ao motorista. No entanto, a distância livre do solo (20 cm) e os ângulos de entrada e de saída (de 21º e 23º, respectivamente) do GLK são bastante razoáveis, e permitem boa manobrabilidade fora da estrada, compensando um pouco a dureza da suspensão e o bate-bate nas rodas. Na cidade, evitam as raspadas em valetas e lombadas.

De acordo com a Mercedes, o GLK cumpre o zero a 100 km/h em 7,6 segundos e atinge 210 km/h de velocidade máxima. A boa disposição nas retomadas foi confirmada nos trechos de estrada percorridos com o GLK, ressalvando que, nessa situações, a transmissão automática sempre tende a buscar uma marcha mais lenta e forte que a esperada pelo motorista.

E, como V6 é sempre V6, não há fórmula mágica para obter consumo baixo: foram 6,45 km/l de média (contra 9,8 km/l anunciados pela Mercedes). Com essa performance, o GLK bem que poderia ter um tanque maior, com capacidade menos modesta que seus 66 litros.

Após essa experiência com o GLK, seria absurdo dizer que ele é pouco mais que um off-road light (digamos, um Ford EcoSport 4WD muito anabolizado), mas também não faz sentido atribuir-lhe qualidades de lameiro que ele definitivamente não tem (e, convenhamos, nem quer ter). No fundo, trata-se de um carro de imagem, que deve cativar endinheirados em busca da tradicional performance da Mercedes, ou que queiram aparecer -- mas com bom gosto. Ou ambas as coisas.

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