Carros

Vectra entra em sintonia com o mundo para ganhar novo fôlego

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Florianópolis (SC)

17/02/2009 17h40

A GM apresentou na segunda-feira (16) o Chevrolet Vectra Next Edition, atualização da terceira geração do sedã médio, lançada em 2005. As principais novidades estão no design (principalmente frontal), que se alinhou à identidade global da marca e aos equivalentes europeu e norte-americano (lá, chamados de Astra) ao receber barra transversal na cor do veículo e abrigando a gravatinha dourada da Chevrolet sem o círculo, e terem remodelados conjunto óptico, capô e para-choque.

O motor 2.4, que equipava parte da versão Elite, foi descontinuado, seja pelas novas regras de controle de emissão de poluentes, seja para acalmar os críticos (que o classificavam como beberrão), seja para garantir o desconto do IPI, válido para veículos equipados com motores de até 2 litros. Assim, restou o propulsor FlexPower 2.0, que recebeu 12 cavalos extras de potência (com álcool e com gasolina) e nova linha de torque, mais ativa em baixas rotações, nas três versões de acabamento: Expression, Elegance e Elite.
 

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O Vectra virou Next Edition para ganhar sobrevida no mercado brasileiro, que já começa a trocá-lo por opções mais modernosas, como o C4 Pallas, ou optar cada vez mais pela dupla Civic/Corolla


ÁLBUM DE FOTOS
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MAIS IMAGENS DO VECTRA

Segundo a fabricante, as mudanças atendem aos pedidos do consumidor, mas também capacitam o modelo a seguir competitivo num segmento -- o dos sedãs médios -- que evoluiu de um patamar de 132 mil veículos emplacados no país, em 2006, para um total de 209 mil unidades, em 2008.
 

  • LEIA MAIS: GM se mexe em jogo de várias peças

    Assim sendo, mesmo com as alterações, o Vectra Next Edition parte dos R$ 54.098 em sua versão de entrada (Expression) e chega aos R$ 74.009 na mais equipada, a Elite, com câmbio automático, cruise control, ajuste elétrico de distância e altura para o banco do motorista, teto solar elétrico e acabamento em couro para bancos, volante e revestimento das portas. Pintura metálica ou perolizada acrescenta R$ 844 ao preço final do carro. Os preços pouco variam em relação aos modelos 2008.

    AO GOSTO DO FREGUÊS
    Ao se obervar de perto o renovado Vectra, percebe-se que melhorou o aspecto geral do carro, que ficou ligeiramente mais bonito e aparentou ganhar porte. Com a barra transversal incorporada, a grade frontal foi espichada e ficou mais robusta; ela acaba nos faróis e recebeu contorno cromado. Abaixo do para-choque, a grade inferior também tem aplicação de cromado. Os vincos externos do capô funcionam como prolongamento da grade, ajudando a delimitar o conjunto óptico, que ganhou aspecto mais afilado.

    Na lateral, as mudanças estão na adoção de um friso cromado logo abaixo da linha dos vidros, e na diminuição do friso de proteção das portas, que agora começa na altura do retrovisor. Outra novidade é a adoção, no corpo dos retrovisores externos, de repetidores de seta (item que, no Brasil, agrega segurança, mas também status ao veículo) e de lâmpada voltada para baixo, para iluminação do solo, no momento da abertura da porta. À traseira, em termos visuais, coube apenas a readequação da gravatinha da marca.

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    A traseira do Vectra não recebeu praticamente nenhuma mudança, seguindo a mesma desde 2005; tradição e racionalidade são apelos de compra do sedã médio, afirma a General Motors


    Por dentro, alterações na padronagem dos tecidos -- que dão lugar a material aveludado na versão Elegance, e ao couro na Elite --, no número e disposição de porta-objetos -- há espaço para garrafas plásticas de até 600 ml nas portas dianteiras -- e no padrão dos mostradores do painel, que receberam iluminação branca para fazer conjunto à original alaranjada, que segue dando o tom no computador de bordo e mostradores do console central.
     
  • Lista completa de equipamentos da linha Vectra

    Além disso, o interior conta com novas saídas de eletricidade (12V) e, apenas na versão Elite, com adereços em alumínio e um sistema de áudio considerado "premium" pela fabricante -- com ele, o motorista pode ouvir rádio ou CD, conectar aparelhos com saída padrão USB ou auxiliar, cartões de memória SD ou aparelhos com sistema Bluetooth, como celulares (não é possível tocar músicas armazenadas neles). Tocadores de som em formato MP3, como o popular iPod, podem apenas ser conectados às caixas de som (são quatro alto-falantes, dois tweeters, dois subwoofers e amplificador), mas não controlados pelo sistema.

    DETALHES DO VECTRA NEXT EDITION
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    Nada como um repetidor de seta no retrovisor para agregar status ao sedã; mas saiba que, de quebra, leva-se mais segurança às ruas

    Painel ganhou nova iluminação, mais clara, que contrasta com o laranja do console; materiais passam ar de sofisticação, mas há falhas
    Para completar o visual da versão mais cara, há teto solar elétrico, com fácil acionamento, e rodas de liga-leve aro 17 de série -- nas versões Expression e Elegance, elas são de 15 e 16 polegadas, respectivamente.

    O porta-malas segue com seus 526 litros e dobradiças pantográficas, solução útil que não interfere no espaço para bagagem, e que também é utilizada para sustentar a abertura da tampa do capô. Na tampa, apenas as inscrições do nome e da cilindrada.

    No geral, o Vectra sempre foi considerado um modelo bonito, e isso não mudou, mas foi ressaltado com o Next Edition. Segue sendo um carro elegante, mas de linhas tradicionais; seu interior prima mais pelo conforto do que pela ousadia de soluções e tecnologia. É assim mesmo que a GM vê seu modelo: uma compra marcada mais pelo viés racional que pelo emocional, mais pela discrição que pela vontade de aparecer. De toda forma, as grandes críticas ao projeto vinham do motor, considerado defasado por seus detratores quando comparado a outras opções do mercado (leia texto em quadro nesta página).

    Além do retrabalho no propulsor FlexPower, outra alteração ocorreu na suspensão do Vectra, recalibrada para aumentar a estabilidade em curvas e garantir menor nível de trepidação e ruídos repassado ao habitáculo. Quanto à transmissão, o Next Edition manteve as opções mecânica, de cinco velocidades, e automática, de quatro. Essa última é item de série na versão Elite e conta com sistema que controla a posição "neutro", desengatando o câmbio internamente caso o motorista coloque o pé no freio com o veículo parado.

    MOTOR SEGUE POLÊMICO


    Retrabalhado, o motor 2.0 Flexpower de oito válvulas passa a oferecer potência de 133/140 cv a 5.600 rpm (gasolina/álcool) e torque também maior, de 18,9/19,7 kgfm a 2.600 rpm (gasolina/álcool). Estes valores eram de 121/128 cv de potência e 18,3/19,6 kgfm de torque, na versão anterior.
    Segundo a GM, o 2.0 atualizado tem emissões de poluentes até 50% mais baixas. Além disso, o conjunto ficou até 30% mais leve, uma vez que possui partes feitas de material mais leve -- como o coletor de admissão em plástico, o coletor de escapamento em aço inox e a adição do sistema de comando de válvulas roletado de baixo atrito.
    Menor peso acaba sempre refletindo em menor consumo, o qual, segundo a montadora, caiu em até 7% na soma das médias urbana e rodoviária, e em melhor performance, que teve ganho de 1 a 1,5 segundo na aceleração de 0 a 100 km/h, sempre de acordo com a montadora.
    Para os críticos, porém, nem mesmo o bom trabalho da engenharia da GM poderá apagar a marca do tempo sobre a motorização do Vectra Next Edition -- que é, no fundo, nova evolução feita sobre a Família 2, da década de 1980.
    FICHA TÉCNICA COMPLETA DO VECTRA 2009
    LISTA COMPLETA DE EQUIPAMENTOS
    Em relação à segurança, airbags, freios com sistema ABS (antitravamento) e EBD (distribuição da força de frenagem nas rodas) seguem opcionais, e estão presentes de série apenas nas versões mais bem equipadas (e caras) do Vectra.

    VIDA A BORDO
    Na manhã desta terça-feira (17), UOL Carros participou de um test-drive a bordo de uma exemplar do Vectra New Edition, na versão top Elite, compartilhado com outro jornalista, ao longo de um trajeto de cerca de 70 quilômetros pela ilha que forma a capital catarinense. O percurso incluiu vias locais, de caráter urbano, e também trechos rodoviários, permitindo uma rápida avaliação do desempenho do modelo em regimes de baixa rotação -- arrancadas em saídas de semáforo, retomadas, conversões ou ultrapassagens -- e também de alta.

    A primeira impressão, no banco do passageiro, foi de conforto, uma vez que o assento se mostrou macio e envolvente, e o apoio das portas (de plástico emborrachado em algumas partes, mas rígido em outras) agradável ao toque. Essa, aliás, é a avaliação que pode ser estendida ao carro como um todo: ele é correto, tradicional, não se sobressaindo em nada -- o que pode agradar à maioria, mas desapontar o consumidor interessado no "algo mais".

    É quase normal esbarrar o braço no apoio central (só disponível nos automáticos), caso esse esteja levantado, dando impressão de aperto. Ao baixá-lo, percebe-se que ele é feito de material rígido, sem o acabamento emborrachado do painel e parte das portas. O ar-condicionado, automático, digital e extensivo ao banco traseiro por meio de difusores, possui apenas uma zona de temperatura. No banco traseiro, nota-se que a tendência de prover máximo conforto a dois ocupantes segue como padrão. Um terceiro pressiona as costas sobre o apoio de braços/porta-objeto central recolhido.

    No banco do motorista, a regulagem elétrica de altura, aliada à de altura e de profundidade da coluna de direção, garantem uma posição ideal de condução. O motorista também conta com mais espaço à disposição e não vai esbarrar em componentes ou no passageiro do lado. O novo padrão de iluminação, em que tons brancos fazem conjunto com o tradicional alaranjado, melhorou a leitura das indicações.

    RODANDO COM O VECTRA
    Com o motor ligado e o carro em movimento, o que se percebe é que o nível de ruídos diminuiu consideravelmente. Mas isso só dura até passar para velocidades e rotações mais altas do motor. No exemplar testado, uma espécie de estalo no assoalho, notado em velocidades acima de 90 km/h, intrigou e até incomodou por algum tempo.

    Quanto à suspensão, o conjunto recalibrado do Vectra Next Edition aumentou a sensação de conforto interno, filtrando as imperfeições do asfalto, que não alteraram a condução nem aumentaram o ruído interno. O Vectra se mostrou estável em curvas, até nas feitas em maior velocidade -- não houve oscilação da traseira. E em lombadas, mesmo em algumas mais altas e curtas (verdadeiros "morrinhos"), o assoalho jamais raspou.

    O Vectra Next Edition se porta adequadamente em situações de trânsito típicas dos grandes centros: o motor trabalha bem em baixas velocidades e rotações, mostrando-se ágil em saídas de semáforo e reacelerações em geral, sem apelar para a "gritaria", como se espera em carros equipados com câmbio automático de quatro velocidades. Mas ficou a sensação de que, quando exigido em situações de maior força, o Vectra pede mais fôlego, levando tempo para conseguir encontrar seu ritmo.

    Em duas situações de subida íngreme, típicas de serra, isso ficou claro. Na ultrapassagem de um caminhão, o pedal do acelerador teve de ser praticamente "colado" ao assoalho. Na de um outro carro de passeio, com o câmbio em "2" (ou seja, usando no máximo a segunda marcha), a operação foi mais simples, mas o motor "falou" mais alto do que esperado. Em situações de ultrapassagem ou de aceleração no plano, porém, o conjunto do Vectra se mostrou elástico, e (principalmente com o uso do botão "S", do modo esportivo, acionado no painel) firme no chão. E, melhor ainda, silencioso.

    *Viagem a convite da General Motors do Brasil

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