Presidente da Toyota decide comparecer a audiência no Congresso dos EUA

Em Tóquio

O presidente da Toyota, Akio Toyoda, aceitou nesta sexta-feira (19) explicar no Congresso dos Estados Unidos os problemas que levaram ao recall de mais de 8 milhões dos veículos da marca.

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    O sedã médio (para o padrão americano) Toyota Camry, que começa em US$ 19.395 e foi um dos modelos afetados pelo megarrecall da marca

A razão foi o convite formal enviado pelo titular do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, Ed Towns, que pediu a Toyoda respostas diante da "crescente confusão" sobre a segurança de seus carros.

A audiência legislativa, prevista para o dia 24, investigará a resposta da empresa japonesa a possíveis erros na aceleração de seus carros, aos quais se somaram recentemente dúvidas sobre o software do sistema de freios dos veículos híbridos e a direção do Corolla, o carro mais vendido do mundo.

No total, quase 8,5 milhões de carros da Toyota deverão passar por oficinas no mundo todo, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, entre eles o popular Camry e o Prius, carro híbrido líder de vendas no Japão.

O primeiro grande recall da Toyota aconteceu em novembro, mas, no final de janeiro, a crise explodiu com a paralisação da produção de oito modelos nos EUA e novos recalls de milhões de veículos em grande parte do mundo.

Desde que 2010 começou, os problemas não acabam para a montadora japonesa, especialmente na combativa opinião pública dos EUA, onde alguns veículos de imprensa calculam em 34 as vítimas fatais dos aceleradores defeituosos da Toyota.

"Estou contente em falar diretamente com o Congresso e com a população americana. Falarei com total sinceridade", disse hoje Akio Toyoda, neto do fundador da Toyota.

Há dois dias, Toyoda havia se recusado a viajar para Washington e delegou a tarefa de comparecer ao Congresso ao responsável da montadora nos EUA.

Não é a primeira vez em que o executivo de 53 anos, presidente há sete meses, optou por passar para o segundo plano desde que a crise da Toyota explodiu, a maior em seus 70 anos de história.

Akio Toyoda demorou duas semanas para convocar sua primeira entrevista coletiva, no último dia 5, para pedir desculpas pelos problemas criados aos consumidores e defender que seus carros são seguros, o mesmo discurso que fará diante dos legisladores americanos.

O Governo japonês se mostrou hoje satisfeito com a decisão do presidente da Toyota de depor diante do Congresso dos EUA, onde a empresa, a maior do Japão, criou 200 mil empregos, como lembrou o ministro da Economia japonês, Masayuki Naoshima.

"Seja diante do Congresso ou em entrevista coletiva, o melhor é que Toyoda dê explicações ele mesmo à população americana e esclareça como lidaram com os problemas e como vai readquirir a confiança dos consumidores", declarou Naoshima.

O ministro de Transporte japonês, Seiji Maehara, foi mais duro ao dizer que, embora seja "bom" que o presidente da Toyota tenha decidido comparecer à audiência do Congresso americano, não deveria ter hesitado no primeiro momento.

"É uma lástima que tenha havido esse giro de 180 graus. Espero que a Toyota responda com rapidez, atenção e responsabilidade", apontou Maehara.

Akio Toyoda, que fala inglês fluente, não decidiu por enquanto se utilizará esse idioma ou o japonês para falar no Congresso americano.

"Estou disposto a aceitar as críticas por nosso manejo da situação. Quero promover a compreensão de nossa posição entre os clientes e nos EUA", disse hoje a jornalistas na sede da companhia em Nagóia, no Japão.

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