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Tesla inaugura obras de fábrica na China... mas momento não é dos melhores

Aly Song/Reuters
Elon Musk (ao centro), CEO da Tesla, e prefeito de Xangai, Ying Yong, inauguram obras na China Imagem: Aly Song/Reuters

Yan Zhang, Dana Hull

Em Pequim (China)

2019-01-07T17:29:45

07/01/2019 17h29

Projeto de US$ 5 bilhões no maior mercado do mundo é necessário, mas guerra comercial com EUA atrapalha

Após quatro anos de planejamento, a Tesla finalmente inaugurou as obras do projeto de uma fábrica de US$ 5 bilhões no maior mercado automotivo do mundo. No entanto, o momento escolhido não poderia ser menos propício.

O CEO Elon Musk e autoridades de Xangai, entre elas o prefeito Ying Yong, participaram nesta segunda-feira (7) de uma cerimônia em um terreno perto da cidade para iniciar a construção da que seria a primeira unidade fora dos EUA da fabricante de veículos elétricos. O início das obras marca um novo capítulo para a Tesla, mas chega em um momento em que a economia da China está mostrando sinais de estresse em meio à guerra comercial com os EUA.

Na China, o empreendedor bilionário enfrenta um mercado de carros que provavelmente encolheu pela primeira vez em pelo menos duas décadas no ano passado, devido a incertezas em torno da disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, sinais de enfraquecimento da demanda doméstica e uma queda do mercado acionário que estão afetando os consumidores.

O ambiente desafiador também inclui a concorrência de várias startups que querem ser como a Tesla.

A Tesla pretende terminar a etapa inicial de construção da planta no terceiro trimestre e começar a produção do Model 3 até o fim do ano, tuitou Musk. A planta, atualmente apenas uma extensão de terrenos lamacentos a cerca de duas horas de Xangai, produzirá versões acessíveis do Model 3 (aquela de cerca de US$ 30 mil) e do Model Y para a região da Grande China, disse Musk durante a visita, em um dia frio e chuvoso.

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Model 3 será principal carro da fábrica chinesa e na versão de entrada, que ainda não existe nos EUA Imagem: STR / AFP

Fábrica fundamental

A fábrica da China é o resultado de anos de negociações com as autoridades locais e marca uma espécie de triunfo pessoal de Musk depois de um 2018 tumultuado. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) puniu a Tesla no ano passado, depois do infame tuíte de Musk sobre "financiamento garantido", com multas e um acordo que exigiu reformas na governança corporativa.

O momento também marca aumento da produção de sedã Model 3, o que significa o início de uma virada no sentimento do mercados obre a Tesla.

Uma fábrica chinesa local pode ser crucial para a Tesla, que está tendo dificuldades para evitar uma possível queda da demanda nos EUA, seu maior mercado, após a redução dos créditos fiscais federais para veículos elétricos. A empresa reduziu o preço de todos os seus modelos em US$ 2.000 para compensar parcialmente a perda do subsídio, que caiu de US$ 7 mil na era Obama para US$ 3,5 mil e será zerado pela administração Trump.

Uma unidade totalmente própria também significaria que a Tesla não precisará compartilhar lucros nem tecnologia com parceiros chineses, ao contrário de outras montadoras estrangeiras que são obrigadas a formar uma joint venture local.

"Carros acessíveis devem ser fabricados no mesmo continente dos clientes", escreveu Musk em outro tuíte.

A Tesla assinou um acordo preliminar com o governo de Xangai no ano passado para construir a fábrica de 500.000 unidades na cidade chinesa. Em outubro, a empresa afirmou que pagou cerca de US$ 140 milhões para conseguir mais de 80 hectares de terra para a "Gigafábrica 3" (de baterias) planejada.

A planta deve produzir cerca de 250.000 veículos por ano na primeira fase e essa capacidade dobrará com o tempo, anunciou o governo de Xangai em comunicado nesta segunda-feira. A Tesla afirmou que planeja usar principalmente dívida local para financiar a unidade.

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