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BMW e Daimler estudam acordo para produzir peças em conjunto

Divulgação
Acordo entre rivais cortaria custos e aumentaria competitividade no mercado Imagem: Divulgação

Elisabeth Behrmann, Christoph Rauwald

Da Bloomberg

2018-12-21T07:00:00

21/12/2018 07h00

Negociação permitiria compartilhar plataformas, baterias e tecnologias de condução autônoma

Daimler e BMW podem unir forças para a fabricação de componentes automotivos importantes, uma decisão que conectaria mais do que nunca as tradicionais fabricantes de carros de luxo concorrentes e refletiria as abrangentes mudanças de base do setor.

As fabricantes alemãs avaliam opções como compartilhar plataformas de veículos, baterias e tecnologia de carros autônomos, segundo pessoas a par do assunto, que pediram para não serem identificadas porque as discussões são privadas. A colaboração ficaria restrita a tecnologias que não sejam específicas de cada marca, mas as deliberações estão em estágio inicial e não está claro em que momento ocorreria uma possível decisão, disseram as pessoas. A Daimler e a BMW preferiram não comentar.

Pressionadas a investir em carros elétricos e autônomos, as fabricantes de veículos estão se conectando cada vez mais a concorrentes na tentativa de reduzir custos. A Volkswagen negocia uma cooperação com a Ford Motor para vans e, possivelmente, veículos autônomos. Parcerias também são uma forma de se tornar mais ágil em meio à disputa pelo domínio de serviços digitais, como a carona compartilhada, para enfrentar gigantes da tecnologia com amplos recursos como a Alphabet.

A pressão é evidente e a Daimler, empresa controladora da Mercedes-Benz, e a BMW reduziram as metas de lucro deste ano, culpando as tensões comerciais e os crescentes investimentos em desenvolvimento. A Daimler lançará um leque de 10 veículos elétricos nos próximos quatro anos e a BMW anunciou que oferecerá 12 modelos em versão somente a bateria até 2025.

Acúmulo de gastos

Frente ao acúmulo de gastos e à chegada de novas tecnologias ao setor, unidades competitivas tradicionais começam a dar lugar à colaboração em meio à possível consolidação do setor, fenômeno há muito defendido pelo falecido CEO da Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchionne.

"A má alocação de capital continua sendo o maior dilema da indústria automotiva", disse Arndt Ellinghorst, analista da Evercore ISI em Londres, em nota, no mês passado, na qual defendeu a commoditização dos conjuntos de motor e transmissão. "Os executivos do setor automotivo continuam dizendo ao mercado que os investimentos atingirão o pico no início da década de 2020. Mas o mercado está duvidando."

O Stoxx Europe 600 Automobiles & Parts Index caiu 26 por cento neste ano, sendo que a BMW e a Daimler recuaram 15 por cento e 33 por cento, respectivamente.

A união de forças para a tecnologia automotiva aprofundaria significativamente as iniciativas de cooperação atuais entre a Daimler e a BMW. As fabricantes alemãs já trabalham na aquisição de componentes e compraram a empresa de mapeamento digital HERE Technologies por 2,5 bilhões de euros (US$ 2,9 bilhões) em 2015 juntamente com a Audi, da Volkswagen. Neste ano, a dupla fechou acordo para combinar suas respectivas plataformas de compartilhamento de carros Car2Go e DriveNow -- acordo que recebeu aprovação regulatória nos EUA na quarta-feira.

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