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BMW Série 5 prova que americanos não compram carros híbridos plug-in

Yin Bogu/Xinhua
BMW Série 5 e iPerformance: quase ninguém quer o híbrido nos EUA Imagem: Yin Bogu/Xinhua

Kyle Stock

29/11/2018 07h00

Variante híbrida do sedã alemão faz pouco sucesso entre compradores, que preferem elétricos

Cerca de 18 meses atrás, a BMW passou a vender uma versão híbrida plug-in (cujas baterias podem ser recarregadas ligando o carro à tomada) de seu sedã de médio porte Série 5. O 530e é uma versão mais cara e volumosa do sedã, que percorre cerca de 48 quilômetros com uma carga e chega a um máximo de 235 km/h, velocidade apta para as estradas alemãs.

É o tipo de híbrido que os que se preocupam com o uso eficiente de combustíveis queriam ter imaginado quando a Toyota lançou o Prius original, duas décadas atrás.

O BMW 530e é mais opulento que um Tesla e, talvez, até mais agradável de dirigir, mas os clientes não parecem se importar. O Model 3 totalmente elétrico da Tesla começou a chegar aos compradores do hemisfério norte no final de 2017 e, em 12 meses, superou em vendas o BMW na proporção de 15 a 1.

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Está ficando cada vez mais claro que os veículos híbridos plug-in, uma combinação ecológica que há muito promete levar as antiquadas empresas de automóveis a um futuro de eficiência energética, nunca deixarão de ser uma opção secundária. E o carro elétrico parece estar pronto para transformar os híbridos em um mero detalhe histórico.

"Um veículo totalmente elétrico é uma solução muito mais elegante", disse Gil Tal, diretor do Centro de Pesquisas sobre Veículos Elétricos e Híbridos Plug-in da Universidade da Califórnia, em Davis. "A construção é muito simples e não exige muita manutenção." Em retrospectiva, afirma, os híbridos plug-in "são apenas as rodinhas que se usa para aprender a andar de bicicleta", um preparativo do setor para chegar aos carros elétricos.

Nos EUA, as vendas de veículos totalmente elétricos aumentaram mais que as de híbridos plug-in, superando-as na proporção de quase três a um no terceiro trimestre, de acordo com novos dados publicados pela "Bloomberg New Energy Finance". Nos próximos meses, os carros movidos só com baterias ultrapassarão os híbridos que não são plug-in, uma categoria que inclui uma ampla gama de veículos, como o Prius.

A General Motors anunciou na segunda-feira que vai descartar o Chevrolet Volt, um híbrido que era considerado o futuro da empresa quando chegou às ruas, em 2010. Atualmente, o Volt tem dificuldade para acompanhar o ritmo de seu irmão, o Bolt, um modelo elétrico lançado pela Chevrolet em 2016.

Ironicamente, a mudança no mercado ocorre em um momento em que os híbridos finalmente se tornaram muito bons, com uma série de opções novas e de alta qualidade. Em dezenas dos veículos mais populares do mundo, um motor elétrico se tornou um opcional, assim como um rack de teto ou um pacote de clima frio.

Nos EUA, compradores de automóveis podem obter versões híbridas do Honda Accord, do Toyota RAV4, do Nissan Rogue e do Chevrolet Malibu.

Neste ano, no entanto, os consumidores dos EUA que tiveram essa opção só compraram a versão híbrida apenas 5% das vezes, de acordo com a análise da "Edmunds.com". Os outros optaram por um veículo à moda antiga, a gasolina, ou por opções apenas elétricas, como o Tesla ou o Nissan Leaf. É provável que alguns dos compradores que poderiam ter considerado um híbrido plug-in anteriormente estejam esperando que uma grande variedade de novos veículos totalmente elétricos chegue às concessionárias nos próximos anos.

"Quando perguntamos às pessoas se elas estão interessadas em um híbrido, todo mundo diz que sim", explicou a analista da "Autotrader", Michelle Krebs. "Mas, ao analisar como e o que elas compram, não se vê isso." Como parte de todas as vendas de veículos nos EUA, os híbridos vêm perdendo força desde 2013, quando cobriram brevemente 3% do mercado.

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