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Ford mostra resultados positivos após deixar mercado de carros nos EUA

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Ford Edge ST 2019 é um dos poucos modelos a ligar "velha" e "nova" Ford Imagem: Divulgação

Keith Naughton

26/10/2018 08h00

A Ford já mostra os resultados da controversa decisão de deixar o negócio de carros de passeio nos EUA e apostar apenas veículos maiores -- SUVs, picapes, esportivos e variações eletrificadas. A fabricante de veículos surpreendeu Wall Street com lucros melhores do que os esperados devido principalmente à venda de picapes e SUVs de preços elevados.

O lucro antes de impostos na América do Norte subiu para US$ 2 bilhões, apesar de a Ford ter vendido menos veículos, porque os compradores preferiram SUVs e picapes F-Series de preços médios mais altos. Isso ajudou a produzir lucros ajustados, superando por pouco as estimativas dos analistas, e as ações da Ford subiram 5,9% nas negociações após o fechamento do mercado.

"Vendemos menos produtos de margem menor", disse o diretor financeiro da empresa, Bob Shanks, a jornalistas, na sede da Ford, em Dearborn, Michigan, nos EUA, em referência aos carros tradicionais. "Tivemos um desempenho muito forte da F-Series e um desempenho muito forte do Expedition e do Navigator", dois SUVs de grande porte.

O braço financeiro da Ford, a Ford Credit, teve seu melhor trimestre desde 2011, gerando US$ 678 milhões em lucros com o aumento dos valores de revenda de veículos com leasing vendidos em leilão.

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Nem tudo é positivo

A carteira de vendas cara da América do Norte pode oferecer tempo para o CEO Jim Hackett, assediado por um êxodo de investidores que derrubou as ações para o menor patamar em nove anos coincidente com o início de uma reestruturação de US$ 11 bilhões em toda a empresa. O intimidante desafio de reformular a fabricante de veículos de 115 anos para renovar produtos antigos e se preparar para a era autônoma ainda ficou evidente no lucro líquido, que caiu cerca de 38%. A Ford também abandonou a meta de alcançar uma margem de lucro de 8% até 2020 -- e não informou quando poderia chegar lá.

Abandonar a meta de margem foi uma rápida mudança de opinião de Hackett, que em abril havia antecipado a meta em dois anos. A Ford culpou o aumento dos custos, a incerteza no setor e a piora das condições na Europa e na China.

"Estamos trabalhando para chegar lá o mais rapidamente possível", disse Shanks, que preferiu não fixar um novo prazo para atingir a margem. "Dado o ambiente em que estamos, há mais volatilidade do que no passado recente."

Os investidores têm mostrado menos paciência com a falta de detalhes a respeito do plano de recuperação de Hackett, situação piorada pela decisão de cancelar uma apresentação para analistas em setembro, e a ação está no menor patamar desde 2009. A meta de margem é um exemplo da oscilação: foi originalmente definida para 2022, depois antecipada para 2020 no início do ano.

"Não é que não saibamos para onde estamos indo ou que não saibamos como chegar lá", disse Hackett a analistas, em teleconferência para discutir os resultados financeiros. "É que o compromisso é enorme."

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