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Quanto maior a tecnologia do carro, pior você vai dirigir

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Motorista pode acabar ainda mais ligado no smartphone e menos no trânsito Imagem: Divulgação

Keith Naughton

11/08/2017 04h00

Se seu carro puder frear em uma emergência e conferir seus pontos cegos, ele tornará você um motorista pior? Essa possibilidade é uma preocupação cada vez maior das fabricantes de veículos.

A tecnologia de ajuda ao motorista que mantém o carro na faixa e a uma distância segura de outros veículos, que alerta para que placas não passem desapercebidos e que usa o freio automaticamente para evitar bater no carro da frente está se espalhando rapidamente dos carros de luxo alemães e suecos para modelos mais comuns da Honda, da Nissan e da Chevrolet.

Mas esses assistentes automatizados que visam a aumentar a segurança estão tendo uma consequência indesejada.

 

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Desaprendendo a dirigir

"Há muito receio de que as pessoas se distraiam, e estamos tentando monitorar isso agora", disse Adrian Lund, presidente do Insurance Institute for Highway Safety. "Tudo o que fazemos para que dirigir seja uma tarefa mais fácil significa que as pessoas vão prestar um pouco menos de atenção ao dirigir."

Há muito em jogo para as fabricantes de automóveis. O número de mortes nas estradas dos EUA aumentou 14% nos últimos dois anos, sendo que mais de 40.000 pessoas morreram em acidentes em 2016. No Brasil, são mais de 50 mil mortes e 500 mil inválidos por ano. 

Motoristas que dirigem em alta velocidade e vias mais engarrafadas têm parte da culpa, mas a distração é outra causa fundamental. Dados publicados pelo governo federal mostram que o uso aparelhos móveis ao dirigir, para mandar mensagens de texto ou navegar pela internet, vem aumentando.

As funções semi-autônomas que servirão de base para os carros sem motorista do futuro foram projetadas para compensar a falta de atenção ao volante. Em vez disso, elas podem estar levando os motoristas a depositar uma confiança excessiva na nova tecnologia.

Dependência e preguiça

O setor automotivo está "apavorado" com os efeitos colaterais indesejados de seus novos recursos, e as empresas estão empenhadas em encontrar meios de manter os motoristas atentos ao trânsito, em vez de grudados no celular, disse Mark Wakefield, diretor administrativo e chefe do escritório automotivo da consultoria AlixPartners.

A General Motors instalará uma tecnologia de monitoramento ocular no recurso Super Cruise, que será incorporado aos modelos Cadillac neste ano e permite que o motorista tire as mãos do volante, mas sem tirar os olhos da estrada. O ProPilot Assist da Nissan mantém o carro centrado e o detém na faixa se o motorista passar mais de 30 segundos sem pegar no volante. No ano passado, a Tesla limitou a capacidade dos motoristas de não usar as mãos com o sistema Autopilot da empresa.

"Sem dúvida, a tecnologia está deixando os motoristas mais preguiçosos e menos atentos", disse Mike Harley, editor administrativo do grupo da Kelley Blue Book. "A maioria das funções digitais de 'assistência ao motorista' foi criada para cobrir as habilidades básicas de direção, o que relaxa o senso de responsabilidade do motorista."

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