Cultura do carro

SUVs-cupês seduzem com estilo "sexy" e rendem bons lucros a BMW e Mercedes

Kyle Stock
Da Bloomberg

23/06/2017 13h29

Mesmo sendo menos espaçosos e mais caros que SUVs convencionais, modelos são a nova febre entre consumidores americanos

Após quatro dias ao volante, o novo Mercedes GLC 300 Coupé estimula uma reação comum: "Esse carro é sexy". O comentário veio de um autodeclarado fã de carros, do lado de fora de uma loja de pesca na região norte de Nova York.

Escutei variações desse mesmo comentário entre todos os tipos de pessoas. Em postos de gasolina, semáforos e até mesmo naquela região de construções marrons do Brooklyn.

Era estacionar o veículo que pedestres curiosos invariavelmente apareciam, boquiabertos, para contemplar aquele estranho Mercedes. Já dirigi esportivos de mais de US$ 100.000, construídos em fibra de carbono, que chamaram menos atenção.

Muito estilo para pouco sentido

Mas, afinal, o que é essa máquina? É uma aula magna de atratividade. Uma cura para a fadiga dos SUVs. O último lançamento de um estranho gênero de automóveis que faz pouco sentido, mas gera muito, muito dinheiro: o SUV-cupê.

Na gama da Mercedes o GLC Coupé e o irmão maior GLE Coupé abriram concorrência declarada aos BMWs X4 e X6 em uma classe crescente de veículos que têm altura e peso de um utilitário esportivo, porém com forma acupezada.

Claro que a dirigibilidade não é tão boa quanto a de um cupê genuíno, e eles não podem transportar tanta carga quanto um SUV convencional. No fim das contas, essas máquinas são o equivalente veicular de Tim Tebow -- não são particularmente bons em nada, mas atraem pelo porte atlético.

"[Os compradores se sentem] realmente atraídos pelo veículo, com base no estilo exterior e na imagem do carro", diz Keith Edwards, gerente de produto da Mercedes para a linha GLC. "O sentido de ter um cupê, afinal de contas, é exibi-lo", acrescenta.

A BMW, que criou este sub-segmento em 2009 ao "cortar" a traseira de um X5 e chamá-lo de X6, chama esses robôs exploradores alemães de "cupês para atividades esportivas", ou "SACs", na sigla em inglês. Trata-se de um SUV com um pouco menos de "U" (ou seja: menos utilitário).

Contente com a receptividade do modelo, em 2014 expandiu a linha com o X4 (R$ 320 mil), derivação acupezada do X3. A Mercedes resolveu entrar no páreo no ano seguinte, ao copiar descaradamente o X6 com o GLE Coupé, e depois fazer o mesmo em relação ao X4 com o GLC Coupé (R$ 300 mil).

Por falar em GLC Coupé, o modelo vai de 0 a 100 km/h em 6,4 segundos na configuração 300, dotada de motor 2.0 turbo de 244 cv. Portanto, não é nem um milésimo mais rápido que o GLC padrão. Ao mesmo tempo, oferece 13% menos espaço e tem um preço de tabela inicial 10% maior.

Truque de rentabilidade

Esse, afinal, é o segredo da indústria automobilística: consumidores de carros não são tão racionais, e os "SACs" são exemplo disso.

Claro que as pessoas sabem o que realmente necessitam comprar, mas os melhores planos baseados em profundas pesquisas na internet são rapidamente deixados de lado por aquilo que os atrai na concessionária. É o espírito animal manifestado em cavalos de potência.

O que mais explicaria os milhões de orgulhosos proprietários da Ford Série F, o veículo mais vendido dos Estados Unidos há quase 70 anos, que nunca precisam transportar nada, muito menos alguma carga de 2,2 toneladas? Ou então as legiões de motoristas presos nos congestionamentos em superesportivos que vão de 0 a 100 km/h em três segundos?

Apesar de todos os algoritmos de direção autônoma presentes no painel, a compra de um carro ainda é uma transação emocional. 

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