Mobilidade

Porsche e Mazda ignoram carro autônomo. E estão bem com isso

Ron Antonelli/Bloomberg
Masahiro Moro apresenta o Miata MX-5RF ao público do Salão de Nova York Imagem: Ron Antonelli/Bloomberg

Kyle Stock

17/04/2017 14h06

Os motoristas-robôs estão chegando. Mas marcas esportivas ligam pouco para isso

Praticamente todas as marcas da indústria automotiva estão se gabando por suas capacidades de direção autônoma. Em quatro anos, alguns modelos da Ford deixarão até de contar com volantes. Mas pelo menos dois nomes importantes não estão entrando nesse movimento por enquanto. No que diz respeito ao "futuro do transporte", Mazda e Porsche entenderam o recado, mas decidiram trilhar outro caminho.

Nós conversamos com os CEOs de ambas as marcas para a América do Norte -- Masahiro Moro, da Mazda, e Klaus Zellmer, da Porsche -- para entender onde os robôs se encaixam em empresas construídas sobre volantes, velocidade e paixão. Moro foi o primeiro entrevistado.

Pergunta: A Mazda é bastante focada no ato de dirigir e nas corridas. Como a empresa está pensando a autonomia?

M. Moro: Trata-se de uma tecnologia fundamental para todas as fabricantes e a Mazda concorda que ela será muito importante. Temos uma capacidade de autonomia completa em desenvolvimento no momento. Mas a forma de aplicar essa tecnologia será um tanto única. Nós acreditamos que o prazer de dirigir nunca deve morrer. E estamos vendendo nossos produtos para aquele cliente que ama dirigir.

Sempre teremos uma abordagem centrada no humano. O motorista terá o controle e nós tentaremos melhorar a tranquilidade. Se algo acontecer com o motorista, o sistema assumirá o comando imediatamente para levar o carro a um lugar seguro.

P: E vocês podem tomar essa decisão pelo fato de a Mazda não ser um grande ator?

M. M.: Correto. A Mazda mira um nicho bastante pequeno de clientes. Essas pessoas realmente gostam de dirigir e, para elas, o carro não é uma commodity, é uma expressão emocional de seu estilo.

Muitos clientes não ligam muito para o ato de dirigir, em si -- tudo bem. Mas nós focamos em um tipo particular de cliente. Nossa fatia é de 2%, é muito pequena.

Depois, conversamos com Zellmer, da Porsche.

P: A Porsche não fala muito sobre autonomia. Isso passará a ser mais discutido na sede de Stuttgart?

Zellmer: Sim. Há dois anos, se você perguntasse em um ambiente de assembleia: "Quem acha que a Porsche deveria adotar a direção autônoma?" De 300 pessoas, você provavelmente veria duas levantarem as mãos. Agora, seriam muito mais.

Mas se você pensar a respeito, a direção autônoma começou há décadas, com controle de cruzeiro, controlador de velocidade ativo, assistente de mudança de faixa. É claro que teremos um modo de direção autônoma em todos os nossos carros. Você poderá apertar um botão e o carro te levará para casa, porque nossos clientes também passam por situações chatas de trânsito e querem fazer outra coisa no caminho. Isso não conflita com pegar o volante e dirigir manualmente.

É preciso deixar os clientes escolherem. Nós daremos aos clientes a possibilidade do modo de direção autônoma.

P: Qual é o tamanho certo para a Porsche? Existe um volume no qual a marca se torna um pouco menos especial?

Z.: Esta é uma questão que discutimos internamente exatamente da forma como você coloca. Se você imaginar um estacionamento de supermercado com 1.000 veículos, no momento três deles são Porsches. Ainda somos algo especial? Ainda somos exclusivos? Sim. A questão está mais relacionada à forma de lidar com o crescimento do que com definir um número que não devemos superar.

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