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Com salário anual de R$ 21,7 mi, brasileiro é executivo mais bem pago do Japão

24/06/2014 11h12

Com um salário anual de 995 milhões de ienes -- aproximadamente R$ 21,7 milhões -- recebido em 2013, o chefão da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, deve ficar novamente no topo da lista dos executivos mais bem pagos do Japão.

Esta será a quarta-vez que ele liderará o ranking dos executivos mais bem pagos do país. Em relação ao ano anterior, o holerite de Ghosn cresceu 0,7%. O valor é cinco vezes maior que o salário que Akio Toyoda, presidente da Toyota, recebeu em 2012 (o comunicado oficial de remunerações em 2013 deve ser divulgado ainda esta semana).

Apesar disso, a Nissan foi apenas a terceira no ranking de lucros entre as montadoras japonesas, atrás de Toyota e Honda.

Kim Kyung-Hoon/Reuters
Carlos Ghosn, presidente da aliança Renault-Nissan Imagem: Kim Kyung-Hoon/Reuters

QUEM É GHOSN
Filho de imigrantes libaneses, Carlos Ghosn nasceu em Rondônia, mas viveu pouco no Brasil.

Formado pela Escola Politécnica e pela Escola de Minas de Paris, entrou na Michelin em 1978 para dirigir a fábrica de Puy (França). Em seguida, ele dirigiu as atividades da Michelin América do Sul, com base no Brasil. Em 1990, tornou-se presidente e diretor-geral da Michelin América do Norte.

O executivo ingressou no grupo Renault em 1996 como vice-presidente. Em 1999, assumiu a direção geral da Nissan, tornando-se presidente da companhia em 2000. Em maio de 2005, além da Nissan, assumiu o comando do Grupo Renault. Nissan e Renault são parceiras desde 1999.

Quando Ghosn assumiu a Nissan, a montadora vivia uma catástrofe. A empresa acumulava prejuízos, perdia mercado e estava praticamente à beira da falência. Com um plano drástico de revitalização, cortou mais de 20 mil postos de trabalho, fechou fábricas e colecionou inimigos. Mas, em apenas um ano, a montadora voltou a ter lucro.

O salário divulgado do executivo não inclui os dividendos de ações da Nissan e o que ele ainda recebe da Renault.

"VALOR APROPRIADO"
Em 2010, a agência de serviços financeiros do Japão passou a exigir que empresas de capital aberto divulguem remunerações acima de 100 milhões de ienes (cerca de R$ 2 milhões).

Desde então, Ghosn apareceu no topo da lista em três anos.

Em 2012 o brasileiro ganhou o equivalente a 988 milhões de ienes (R$ 21,5 milhões). O presidente da Toyota, Akio Toyoda, recebeu 184 milhões de ienes (R$ 4 milhões). Já o presidente da Honda, Takanobu Itoe, recebeu 145 milhões de ienes (R$ 3,1 milhões).

Para Ghosn, o valor pago foi "apropriado para padrões internacionais".

"Entendo a sensibilidade da questão, mas estar no Japão não deve ser um obstáculo para atrair talentos. Precisamos das melhores mentes, dos melhores talentos", disse o executivo durante a reunião anual de acionistas, realizada nesta terça-feira (24) em Yokohama (Japão).

FORA DO JAPÃO
Segundo a Nissan, o pagamento é menor que o de outras montadoras, como Fiat, Ford e Volkswagen.

Citando uma análise de dados públicos compilados pela consultoria Towers Watson, a fabricante japonesa divulgou que a remuneração média em 2013 de CEOs de fabricantes de veículos subiu 5%, para perto de US$ 17,2 milhões (aproximadamente R$ 38 milhões).

O chefão da Ford, Alan Mulally, por exemplo, ganhou cerca de US$ 23 milhões (R$ 51 milhões) em 2013, mais que o dobro do salário de Ghosn. Já na Europa, a Volkswagen pagou perto de US$ 20 milhões (cerca de R$ 44 milhões) ao CEO Martin Winterkorn.

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