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Chefão da VW recebeu e-mail sobre fraude um ano antes de escândalo

Em Berlim (Alemanha)

03/03/2016 12h33

A Volkswagen revelou nesta semana que seu ex-presidente, Martin Winterkorn, recebeu em maio de 2014, portanto um ano e quatro meses antes da explosão do escândalo de fraude nos dados de emissão de motores a diesel, um relatório que o deixava ciente das suspeitas sobre o caso. Entretanto, a montadora não soube dizer se ele de fato leu o documento.

A empresa também afirma, em um comunicado emitido na noite de quarta-feira (2), que nenhum de seus diretores pode ter tomado ciência da dimensão do caso até as revelações que o trouxeram à tona, em setembro do ano passado.

Fabrizio Bensch/Reuters
Martin Winterkorn, ex-CEO do grupo Volkswagen, deixou o cargo após escândalo Imagem: Fabrizio Bensch/Reuters
Perto de superar a Toyota e se tornar a marca de automóveis mais vendida no mundo, a Volks admitiu ter usado um software que maquiava os índices de emissão de óxido de nitrogênio em 11 milhões de veículos equipados com o motor turbodiesel, todas da família EA189, em todo o mundo. O objetivo era "forçar" que os níveis ficassem de acordo com o regulamentado pelas agências de Europa e Estados Unidos.

O caso afetou até mesmo o Brasil, onde vende a picape média Amarok movida somente a diesel. No fim do ano passado, a divisão brasileira da marca anunciou o recall de 17.057 unidades, o que não evitou uma multa de R$ 50 milhões aplicada pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente).

Repercussões negativas perduram até hoje: no Salão de Genebra, realizado nesta semana na suíça, o comediante britânico Dimon Brodkin interrompeu a apresentação da montadora para protestar contra o esquema. Vestido de mecânico, o humorista fingiu que iria instalar uma "caixa de fraude" num dos modelos expostos no estande. Acabou sendo expulso por seguranças.

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