França anuncia ajuda de 6 bilhões de euros a montadoras

Em Paris

O governo francês anunciou nesta terça-feira (20) uma ajuda em massa que vai de 5 a 6 bilhões de euros ao setor automobilístico, duramente atingido pela crise econômica e financeira e crucial para a economia francesa, na qual responde por aproximadamente 10% dos empregos.

MÃO DUPLA

  • AFP

    Para Ghosn (acima), presidente do Grupo Renault, medidas adotadas na Europa ainda são insuficientes e sobrevivência de montadoras segue em jogo

  • AP

    Ajuda do governo francês está condicionada à manutenção da produção de dos postos de trabalho nas fábricas do país

Sem dar maiores detalhes sobre a ajuda -- que pode chegar ao equivalente a R$ 18 bilhões, e é esperada para o próximo mês -- o primeiro-ministro François Fillon já advertiu que elas serão condicionadas à manutenção da produção na França.

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"Nosso esforço em favor dos construtores vai ser em massa. Do que estamos falando? De somas que são da ordem de 5 ou 6 bilhões de euros", declarou o chefe do governo ao falar no "Estado Geral do Setor Automobilístico", que reuniu os principais atores do ramo.

"O Estado não vai de forma alguma ajudar um construtor que decidir fechar pura e simplesmente um ou dois locais de produção na França", insistiu. Não dá para dizer "a gente pega e transfere" a empresa para outro país, acrescentou.

O secretário de Estado para a Indústria Luc Chatel indicou em seguida que estes 5 ou 6 bilhões devem cobrir as "necessidades de caixa a curto prazo" dos construtores franceses, Renault e PSA Peugeot Citroën.

Entre as medidas, pode constar, para facilitar "o acesso à liquidez", a concessão direta de empréstimos aos construtores no molde do realizado pelo setor bancário recentemente quando o Estado injetou 10,5 bilhões de euros nos grandes bancos.

Os construtores automobilísticos, como inúmeras empresas, se queixam das atitudes dos bancos. "Pedimos ao Estado que intervenha para que os bancos comecem a emprestar normalmente", declarou em entrevista ao jornal Figaro Christian Streiff, presidente da PSA Peugeot Citroën, um dos dois construtores franceses.

Presente nesta terça-feira no encontro em Paris, o vice-presidente da Comissão Européia, Günther Verheugen, considerou a intervenção do Estado para ajudar o setor "justificada e até mesmo indispensável". Entretanto, lembrou que é preciso garantir que as medidas adotadas por um governo não deem vantagem competitiva a este país em relação aos outros.

Para o presidente da Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, a "sobrevivência de um certo número de construtores, fornecedores e distribuidores" do setor automobilístico está em jogo nos próximos meses.

As medidas de ajuda adotadas na Europa são insuficientes para atravessar a crise, acrescentou, reclamando em particular dos alívios fiscais na França para reduzir os custos de produção e aproximá-los dos do leste da Europa.

A Associação dos Construtores europeus de automóveis (ACEA) prevê uma redução da produção de automóveis européia de 15% em 2009 em relação a 2008 e uma baixa de 15% a 20% da mão de obra, ou seja 150 mil a 200 mil empregos a menos.

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