Solução para Brasil e México pode passar por cota de importação e até conselho da Argentina

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Como se esperava, a posição da Anfavea (entidade que reúne os fabricantes de automóveis instalados no Brasil) não é de apoio ao fim do acordo Brasil-México sobre a indústria automobilística. Em 11 anos, o Brasil acumulou grande superávit no comércio bilateral, mas a tendência agora é de déficits crescentes (saiba mais aqui). Afinal, com o real valorizado frente ao dólar e outras moedas, exportar torna-se muito difícil.

No entanto, há uma frota superior a 1 milhão de veículos brasileiros no mercado mexicano que são consumidores cativos de autopeças. Então, feitas as contas, a prudência não recomenda secar essa fonte. Além de sempre parecer ruim, diplomática e economicamente falando, romper de forma unilateral um acordo em pleno vigor.

O governo está, de fato, incomodado porque vários novos e pesados investimentos foram direcionados para o México, visando, em parte, a aproveitar a boa fase do mercado brasileiro. Os 30 pontos percentuais extras de IPI para marcas que estão no México sem uma fábrica aqui são uma barreira tarifária de razoável efeito inibidor.

Por fim, é muito provável que algum tipo de ajuste ocorra nas relações Mercosul-México. A Argentina vai querer e tem de ser ouvida. Então, se pode pensar em estabelecimento de cotas, prazos negociados para se encontrar um equilíbrio financeiro e harmonização dos cálculos de conteúdo local entre os blocos.

O ideal do livre comércio está fadado a sofrer atrasos recorrentes, lamentavelmente. Se nem ao menos conseguimos nos entender com os argentinos, colocar um terceiro ator ligado ao bloco econômico da América do Norte faz o caminho da solução parecer uma pista ainda mais sinuosa, com curvas perigosas e sem uma área de escape segura que o equilíbrio entre as moedas garantiria.

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