GM promete muito, mas revela SUV Encore e pouco mais em Detroit

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Detroit*

A General Motors chegou ao Salão de Detroit 2012 sendo novamente líder mundial na venda de carros e com sua situação interna (nos Estados Unidos) estabilizada, ainda que muito trabalho precise ser feito até que ela volte a ser dona de seu próprio nariz -- por ora, ainda depende da aprovação da Casa Branca a cada passo. Por conta disso, esperava-se uma apresentação robusta de produtos para o mercado local, global e, puxando a sardinha para o nosso lado, brasileiro. Ou pelo menos a chegada de algum blockbuster.

Numericamente, o grupo todo apresentou uma boa dose de novidades: na segunda-feira (9) a Chevrolet trouxe dois carros-conceitos a Detroit, além da versão esportiva do hatch Sonic e o sedã Malibu 2013 em seu formato definitivo; a Cadillac mostrou o ATS; nesta terça (10), foi a vez da Buick dar as cartas com o SUV compacto (crossover, para alguns) Encore.

Nenhuma delas, porém, fez tremer o pavilhão do Cobo Center (sede do salão na gelada Detroit). Ford e Chrysler produziram mais barulho com seus novos produtos.

A luxuosa Cadillac apresentou seu ATS, um sedã acupezado de tamanho médio (compacto para os americanos) que, mais uma vez, foi concebido para encarar os alemães, eterna obsessão da marca. Desta vez, a mira está colocada sobre Audi A4, Mercedes-Benz Classe C e, principalmente, BMW Série 3.

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    O projeto Viva deu origem ao Agile, e o Buick Encore pode ter bebido nessa mesma fonte

Mas expectativa maior nos últimos dias era pelo Encore, da Buick. A marca premium da GM (a Cadillac é a de luxo) iria explorar a seara dos compactos pela primeira vez, desenvolvendo um carro sobre plataforma global -- sabe-se, e foi confirmado pelos executivos presentes ao salão, que a Opel trabalha na mesma plataforma para desenvolver uma versão europeia do Encore, por ora conhecida como projeto Mokka.

Com estande cheio, a marca dos três escudos apresentou um carro bem-acabado, fabricado na Coreia do Sul (em Bupyeong, lar de Sonic e Cruze) e mirando Estados Unidos e China, com interior totalmente suave ao toque, detalhes amadeirados e muito couro. A base do Encore, porém, não deixa dúvidas a quem é brasileiro: há um quê do Viva, crossover conceitual que deu origem ao Agile e precedeu a atual identidade dos carros da Chevrolet no Brasil.

Espaço para a grade frontal, recorte dos faróis, vincos e porte são praticamente idênticos no Viva e no Encore. Atrás, o direcionamento das lanternas é muito similar, assim como colunas e espaço para vidros. Claro, há lugar para a personalização típica da marca norte-americana. O Encore tem ainda um toque de Captiva tamanho miniatura, com rodas aro 18 e espaço para cinco pessoas e mais 533 litros no porta-malas.

Todos os ângulos do Buick Encore
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BELO RECHEIO
Mas o principal está por dentro. Mesmo com o toque luxuoso, as peças principais são conhecidas reconhecíveis como Chevrolet. O volante é irmão daquele encontrado no Cruze. O botão de luzes equipa até o Agile. A alavanca do câmbio de seis marchas é comum a captiva, Cruze, Sonic... Mas traz as teclas de subida e recuo de marchas na cabeça, não no corpo. O motor é o Ecotec 1.4 com turbo, visto no Sonic, capaz de gerar 142 cavalos e quase 20 kgfm de torque.

A imprensa americana não deu muita bola para o Encore e o que se viu foi uma debandada geral do estande tão logo acabaram os discursos dos executivos. Sobraram apenas os jornalistas de outros países, interessados no mercado de compactos.

Então o fã da Chevrolet deveria abrir o sorriso por saber que a marca poderá ter um competidor para o novo Ford EcoSport? Segundo todos os engravatados do estande, não. "O centro de estilo da América do Sul, e mesmo a Chevrolet, não estão relacionados com projeto", apontou Edward T. Welburn, vice-presidente de design global e porta-voz da Buick no evento -- que não costuma mentir: em 2008, no Salão de Paris, confirmou a UOL Carros a ida do Cruze ao Brasil. Welburn não quis apontar qual a plataforma do Encore, mas um engenheiro da marca entregou uma certa relação com a Gamma 2, que sustenta os atuais lançamentos do grupo ao redor do mundo.

De qualquer modo, tamanhas semelhanças indicam que, se preciso, a GM tem esta bala na agulha guardada para a Chevrolet brasileira disparar contar a Ford.

E A CHEVROLET?
A marca da gravatinha dourada criou muita expectativa com uma suposta versão esportiva do Sonic, mas o carro apresentado aqui é apenas "esportivado", utilizando o motor 1.4 turbo já existente na gama do hatch. A estrela da Chevrolet em Detroit, na verdade, foi o futuro da marca.

Dois conceitos dominaram os olhares: o cupê de quatro lugares Code 130R lembra o que seria o BMW Série 1M se este fosse entregue pelos americanos. O recorte da traseira, que até emula um terceiro volume, é idêntico. Apesar de ostentar a frente típica da Chevrolet, há uma bandeirinha de Corvette na lateral... A motorização é menos de performance e mais casual: de novo, o Ecotec 1.4 Turbo, mas retrabalhado para despejar até 150 cv sobre as rodas traseiras.

Conceitos Code 130R e Tru 140S
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O mesmo motor equipa outro protótipo, o Tru 140S, também um cupê, mas desta vez de três portas -- sim, como o Hyundai Veloster -- e com tração dianteira. Os dois modelos podem dar origem a carros de menos de US$ 20 mil dólares para jovens americanos em breve.

PARA O BRASIL
A nova geração do Malibu, maior, mais bonita, mais bem equipada e com motor Ecotec 2.5 de 190 cv e quase 25 kgfm de torque (há ainda uma configuração híbrida) estará disponível a partir de março nos Estados Unidos. O grande entrave para levar o modelo ao Brasil, porém, é o IPI maior para importados de fora do Mercosul-México. O Malibu é produzido em Fairfax (no Estado do Kansas) e pagaria alíquota cheia do superimposto -- o que poderia elevar seu preço em até 20% no país, em relação ao carro atual.

Nos EUA, custará iniciais US$ 26 mil. Segundo Marcos Munhoz, vice-presidente da GM do Brasil, o Malibu é "sensível a aumentos substanciais de preço", risco que o Camaro não corre, por exemplo. Assim, uma  decisão do governo sobre novas políticas de ajuste do imposto a longo prazo e benefícios para quem tem produção localizada servirão para definir se o carro será importado ou não.

*Viagem a convite da Anfavea

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